Dec 8, 2015

estratégia do site Pornhub é uma verdadeira aula sobre gestão de marca

o Pornhub é o site nª1 de conteúdo para adultos, um "equivalente" ao Youtube com vídeos exclusivamente pornográficos, nas versões gratuita e premium, esta última com conteúdos exclusivos

desde meados de 2014 que o website optou (e bem) por um modelo gestão de marca assente num plano de comunicação com campanhas ‘safe for work’ (SFW) que não mostre conteúdo explícito e possa ser divulgada em outdoors, revistas e na web. Porque apesar de o site já chegar a mais de 35 milhões de pessoas o desafio é chegar a ainda mais milhões

a campanha criada para o kick off do projecto foi um processo de recrutamento muito particular: "queres ser o próximo diretor criativo do Pornhub?" O desafio? criar uma  campanha de exterior SFW. O responsável pela peça que ganhasse este concurso passaria a integrar e liderar a equipa de publicidade e marketing do sítio online

podem saber mais nos posts "queres ser o próximo diretor criativo do Pornhub?" e "[UPDATE] "queres ser o próximo diretor criativo do Pornhub?" que explicam como tudo decorreu e quem venceu o projecto

tal como "prometido" o vencedor foi contratado e viu a sua peça em outdoors nas cidades de New York e Los Angels; os dados estavam lançados

na sequência do seu novo director criativo a marca lança a sua primeira campanha online (a tentar o viral) com um novo produto: a "WankBand", uma pulseira que recarrega os nossos dispositivos electrónicos à força de pulso...

podem conhecer tudo no post "quanto mais pulso, mais electricidade". Uma acção que só no youtube deu origem a bem mais de 3 milhões de visualizações, fora toda a mediatização do "produto" no meio online que foi, gigante! eu diria, objectivo cumprido até aqui

agora, o passo seguinte, a televisão! e nada melhor que aproveitar a época natalicia para criar uma campanha que ajude a aumentar a notoriedade e alavancar o posicionamento irreverente da marca. Desafio: como fazer uma campanha de Natal para o Pornhub?  

a pornografia não é de certeza assunto entre um prato e outro na ceia de natal ou na entrega de presentes, ainda mais nesta data de grandes reuniões familiares, muitas vezes com três e quatro gerações reunidas. Ou será?

a assinatura diz tudo "This Christimas give the most touching gift";)) vejam o anúncio, que já vai com mais de 4 milhões de vizualizações só no Youtube:



o anúncio cumpre perfeitamente (ele é comletamente SFW, emocional, envolvente...) e ainda desafia o preconceito tradicional de quem visita ou não o site!

tentei trazer todo o percurso e trabalho da marca entre 2014 até hoje para demonstarar porque é que na minha opinião este é um case exemplar de gestão de marca e comunicação intergrada de marketing! com uma definição clara do posicionamento pretendido ("ser SFW"), que permitiu a declinação para excelentes campanhas OOH, Online e de TV. Todas elas com um trabalho de muito mérito das agências, que cumpriram na perfeição ao apresentarem acções com ideias criativas, diferenciadoras e impactantes

clap, clap

Nov 26, 2015

tatuagens electrónicas: the next big thing

esta é fase do ano que o boom de textos e posts sobre "trends" dispara, apontando pistas para os planos e estratégias de 2016 and beyond

de tudo o que vi, decidi escolher aquela que eu - não só gosto mais - como acredito ser a próxima inovação com impacto significativo na nossa vida, os interfaces entre o corpo humano e a tecnologia, neste caso os biowearables, o momento em que "Tech Gets Skintimate"

a tecnologia biométrica já nos apresentou todo o tipo de wearables como roupa, pulseiras e smartwatches. Mesmo a ideia das tatuagens electrónicas não é propriamente nova (vejam por exemplo o artigo "Estará pronto para a Tatuagem electrónica?" do blog pplware) mas a qualidade de execução deste trabalho merece o meu destaque pela positiva

a empresa Chaotic Moon, com sede no Texas (EUA), está a desenvolver tatuagens de baixo relevo (temporárias) com tinta condutora para criar circuitos na pele capazes de recolher informações biométricas 


o protótipo actual tem a capacidade de monitorizar indicadores como a temperatura corporal e nível de stress de acordo com a transpiração e o ritmo cardíaco ou o nível de desidratação, e transmitir essa informação via Bluetooth para um smartphone na proximidade



para os mais nerds, curiosos ou quem quiser aprofundar o tema, outras companhias a estar atentos são a Google’s Viva Link, a SEEQ Monitors e a MC10

agora, basta usar a imaginação e pensar nas potencialidades deste produto e na imensidão de aplicações em todos - mas mesmo todos - os sectores!

coincidência - ou não - estou a ler o livro "The medium is the Massage" de Marshal McLuhan e Quentin Fiore, e fiquei curioso de saber qual seria a sua opinião a esta tatuagem! acho que parte da resposta passaria sem dúvida por aqui:


e por isso escrevi este post, porque acredito mesmo que os biowearable vão mudar muita coisa, mesmo muita

Nov 15, 2015

LEGO, criatividade e estereótipos de género

como parte do manual de instruções foi descoberta uma carta da LEGO aos pais, datada do início dos anos 1970, que tem feito furor na Internet

nessa carta, a empresa insta os seus clientes adultos a dar às crianças a liberdade criativa que elas precisam para construir o que quiserem, independentemente do seu sexo

afirmando que "é a imaginação que conta", a marca apresenta uma posição clara contra os estereótipos de género


foram levantadas dúvidas sobre se esta carta era ou não real! o site Boing Boing - céptico desde o incio - afirmou ter encontrado "provas convincentes de sua autenticidade" na forma de uma versão alemã desta carta

a mim não me importa o timing da acção, porque feito no século 20 ou no século 21, continua a ser uma excelente acção! a mim importa-me a capacidade para posicionar um produto tão bem, que os séculos se tornam indiferentes!

tudo, porque "é a imaginação que conta"

Nov 9, 2015

novas perspectivas de funcionalidade, criação e inovação

Oki Sato é um designer japonês, e fundador da empresa de design Nendo. Completamente viciado na constante concepção de novos produtos de design, Oki Sato afirma que através das suas criações pretende contribuir para pequenos momentos de satisfação e interesse no nosso quotidiano

a mais recente inovação de produto da Nendo partiu da seguinte questão: se as canecas e as panelas das nossas cozinhas têm alças / pegas, porque é que os pratos não têm?

desta forma a Nendo desenvolveu uma nova linha - Totte-Plates, que através de uma adição tão simples de uma alça ao prato do quotidiano permite, por exemplo, que seja mais fácil de o segurar quando está quente e assim de o transportar. Não só resulta na alteração de pegar no prato, como também lhe fornece uma nova sensação de segurança



esta é uma das muitas abordagens das potencialidades do design no nosso dia-a-dia, tornar pequenos detalhes de utensílios diários cada vez mais adaptados à nossa forma de vida; uma extensão positiva ao nosso quotidiano a preocupação da caracterização do prato não fica por aqui, e a alça permite também solucionar questões de armazenamento tendo em conta que os pratos são normalmente dos objetos de cozinha com maiores dimensões guardados nos armários

esta colocação automática dos pratos nas prateleiras é alterada e os pratos podem ser pendurados na parede. Os três tamanhos que existem encaixam perfeitamente no interior uns dos outros, para que possam ser empilhados ou pendurados simultaneamente 

a Nendo reforça a importância desta ideia de armazenamento, uma vez que os espaços de vida são cada vez mais compactados, e os próprios utensílios devem adaptar-se e ocupar o menos e o melhor espaço que conseguirem 


a busca de novas perspectivas de funcionalidade nos produtos é uma das áreas de expansão do design, e esta readaptação de um objeto tão simples e utilitário, é a confirmação de como os designers encontram sempre inovadoras respostas até às questões mais simples 

Sara Magno. Estudante na área do design de comunicação. Adoro fotografia, publicidade, branding e packing design. Passo horas a escolher tipografias e a explorar soluções gráficas. “We (designers) transform what we touch.”

Oct 26, 2015

Guiness, posicionamento e novos mercados

a Vans já nos tinha dado umas das melhores "aulas" de sempre sobre posicionamento, em 14 retratos impressionantes sobre a história de pessoas fora do mainstream, completamente contra a corrente da cultura moderna. 14 vídeos que narram histórias que captam na perfeição todas as expressões criativas da identidade da Vans (podem ver o post aqui)

agora é a vez da Guiness nos ensinar tudo o que sabe sobre posicionamento e a entrada em novos mercados, tão diferentes como o coreano e o africano. Sem nunca perder o norte

antes de mais, esqueçam tudo o que sabem!

já está?

primeiro, o vídeo #MadeofBlack (2014)



a Guinness é uma bebida preta, ok! mas lançar a cerveja em África com uma campanha cuja assinatura é "Made of Black" é uma jogada tão ousada e arriscada, como corajosa. Pelas mãos da BBDO Londres e BBDO Africa o anúncio de TV, dirigido por Sam Brown e a Rogue Films, conta com artistas e criativos africanos reconhecidos que nele encontram a sua forma de materializar a hitória e o que significa ser #madeofblack


a campanha declara que o "preto não é uma cor", o preto é uma "mentalidade", uma "atitude". Em comunicado, a marca vai mais longe e diz que o anúncio faz brilhar uma nova geração de africanos, um novo e progressista espirito em África. #vaibuscar

a música poderosa do Kanye West "Blkkk Skkkn Head" faz o resto

depois, a campanha #TasteofBlack (2015)


o anúncio, pela Iris Worldwide e a produtora The Sweet Shop, explora a percepção de um sabor excessivamente forte e desafiador, através da cor preta. Concentra-se em seis características distintivas da cerveja Guinness, especialmente adaptadas aos consumidores coreanos: suave, profunda, cremosa, corajosa, rica e surpreendente. A campanha convida as pessoas a criar a sua própria descrição do gosto ou sabor de Guinness e, em seguida, partilhar a sua experiência nas redes sociais




três dos maiores líderes de opinião da Coreia, que aparecem no filme (Daedoseogwan, Banzz e Korean Englishman) vão criar o seu próprio conteúdo no YouTube, com base na sua própria experiência #TasteofBlack

ambas as campanhas exploram o atibuto distintivo do produto e o tornam parte integrante do imaginário e do universo de valores de cada um dos países. E fá-lo de forma forte, corajosa e assumida, como sempre a Guiness o faz

#clapclap

Oct 22, 2015

postes eléctricos comuns são figuras humanas gigantes

The Land of Giants, é um projeto que transforma postes eléctricos comuns, em estátuas que integram a paisagem, neste caso na Islândia. Jin Choi e Shine Thomas são os arquitectos responsáveis por esta proposta em 2008, que ganhou o prémio ‘Recognition Award’ na ‘Icelandic High-Voltage Electrical Pylon International Design Competition’, e posteriormente tem sido um projeto reconhecido e divulgado por numerosos meios de comunicação

com pequenas alterações ao design da estrutura em aço das torres, os arquitectos criaram figuras icónicas que se complementam à beleza da paisagem, e assim ultrapassam a ideia de vermos uma torre meramente com um design funcional de necessidade, sem qualquer valor estético associado

os arquitectos afirmam que partem para a proposta do projeto com referência nas estátuas da Easter Island. As figuras criadas para inovar o aspecto das torres, são pensadas como transportadoras de eletricidade ao serviço da população: atravessam os terrenos de dia e noite, independentemente das condições meteorológicas. As posturas e os gestos são também associados à posição de uma pessoa a escalar montanhas. As pequenas alterações nas mãos ou na cabeça combinados com o reposicionamento do corpo das figuras, permitem maior variedade de expressões

as figuras podem também ser colocadas aos pares e andar na mesma direcção ou direcções opostas, olhando uns para os outros ou até curvados a observar a cidade, em plena sintonia uns com os outros

© 2008-2015 Choi+Shine Architects

video
The Land of Giants™ : RIBA Pylon Competition Entry

no fundo, o design inovador destas torres propõe uma humanização das mesmas, o que ajudaria a integrar a estrutura cinzenta e tecnológica num ambiente tão natural. A proposta da construção do projeto é apresentada detalhadamente, toda a estrutura funcionaria de forma sustentável e os postes de eletricidade não perderiam a sua função básica de serviço, mas ganhariam uma dimensão de complementariedade com o serviço da natureza

podem conhecer mais no website dos autores aqui 

Sara Magno. Estudante na área do design de comunicação. Adoro fotografia, publicidade, branding e packing design. Passo horas a escolher tipografias e a explorar soluções gráficas. “We (designers) transform what we touch.”

Oct 16, 2015

criatividade, prazos e o "overnight test"

na publicidade o tema é recorrente. Os clientes exigem a antrega em tempos cada vez mais curtos, as agências reclamam o seu tempo e espaço. Que relação existe entre tempo e criatividade? (sim porque entre criatividade e álcool já conhecemos...)


encontrei este vídeo, simplesmente genial, com um case TOP sobre a relação entre resultado criativo e as restrições de limite de tempo. A correlação é positiva: quanto mais tempo, mais criatividade - ou, quanto menos tempo, menos criatividade! a forma como o video o prova deixa qualquer um sem argumentos contrários



o vídeo lembrou-me imediatmente o artigo "A Short Lesson in Perspective" de Linds Redding, escritor que, infelizmente, já não se encontra entre nós. Nas palavras de Matthew Creamer (da Advertising Age) trata-se "the best piece of advertising writing you've never read" (ver aqui post no adage.com).

o artigo de Linds fala do "the overnight test" que a dupla Linds e Laurence usava como forma de avaliar se uma ideia era boa ou não! eu resumo o conceito: se no dia a seguir à ideia ter sido criada, ainda fosse tão boa ou melhor que lhes tinha parecido antes, então avançavam

mas...
But here’s the thing.
The Overnight Test only works if you can afford to wait overnight. To sleep on it. Time moved on, and during the nineties technology overran, and transformed the creative industry like it did most others. Exciting new tools. Endless new possibilities. Pressing new deadlines. With the new digital tools at our disposal we could romp over the creative landscape at full tilt. Have an idea, execute it and deliver it in a matter of a few short hours. Or at least a long night. At first it was a great luxury. We could cover so much more ground. Explore all the angles. And having exhausted all the available possibilities, craft a solution we could have complete faith in.
Or as the bean counters upstairs quickly realized, we could just do three times as many jobs in the same amount of time, and make them three times as much money. For the same reason that Jumbo Jets don’t have the grand pianos and palm-court cocktail bars we were originally promised in the brochures, the accountants naturally won the day.
Pretty soon, The Overnight Test became the Over Lunch Test. Then before we knew it, we were eating Pot-Noodles at our desks, and taking it in turns to go home and see our kids before they went to bed. As fast as we could pin an idea on the wall, some red-faced account manager in a bad suit would run away with it. Where we used to rely on taking a break and “stretching the eyes’ to allow us to see the wood from the trees (too many idioms and similes? Probably.) We now fell back on experience and gut-feel. It worked most of the time, but nobody is infallible. Some howlers and growlers definitely made it through, and generally standards plummeted.
The other consequence, with the benefit of hindsight, is that we became more conservative. Less likely to take creative risks and rely on the tried and trusted. The familiar is always going to research better than the truly novel. An research was the new god. The trick to being truly creative, I’ve always maintained, is to be completely unselfconscious. To resist the urge to self-censor. To not-give-a-shit what anybody thinks. That’s why children are so good at it.
desculpem a extensão das transcriçao ;) mas impunha-se para conseguir passar o ponto de vista! para terminar como comecei, e nas palavras de Creamer, "It'd be criminal to summarize the rest of the essay. Rest assured that it is insightful and melancholy and quite beautiful. It embraces both regret and failure and denies self-pity. Just read it."

Oct 11, 2015

175 páginas condensadas em anúncio no jornal Metro

o autor Paulo Coelho contratou directamente a Agência Paulista Loducca para criar uma campanha que celebrasse o facto de os seus romances estarem no ranking de "best sellers" do New York Times há sete anos consecutivos

com este briefing, a agência criou um unico anúncio impresso onde publicou o texto inteiro - sim o texto inteiro - do romance do autor 'O Alquimista'

175 páginas condensadas em página dupla no jornal Metro


a agência Loducca disse ao AdFreak que este anúncio de jornal foi impresso com tamanho de fonte 4,1. Existiu ainda uma versão outdoor, com o texto do romance colocado num só mupi (com tamanho de fonte 12...)


no copy das duas versões do anúncio ainda econtraram espaço para dizer: "O Alquimista" Sete anos entre os best-sellers do New York Times Graças à 70 milhões que leram o livro. Se você não é um deles, leia este anúncio."

estive a conter-me até agora, chega! a esta altura tenho mesmo, mas mesmo, de perguntar, O QUE É ISTO? como é que isto pode ser considerado um bom anúncio, com destaque na edição online da Adweek?

escrevi recentemente no post "everyone is a fu*$#ing critic..." sobre os principais pressupostos que a "boa" critica à criatividade deve usar. Esta peça - para mim - não passa em nenhum

qual é a ideia criativa? no limite "tenta ser engraçado", mas acaba a fazer os leitores de palhaços: "Sabias que os meus livros são best sellers? Não compraste nenhum livro meu? tenta ler este... se conseguires. Ahaha"

impacto? zero. No pior cenário, que descrevi em cima, ainda é negativo. Isto não vai dar a ninguém vontade de ler Paulo Coelho... Vai?

mensagem? upsss... mais valia terem escrito nas duas paginas a tamanho de letra 45 "o Paulo Coelho é um escritor premido, já leu alguma coisa dele?"

não havia necessidade... 

Oct 6, 2015

design, disrupção e gestão de marca

atualmente o fenómeno do design está aliado à tecnologia, e tornou-se rapidamente na maior ferramenta de linguagem dos negócios do século 21. O documentário “Design Disruptors”, desenvolvido pela InVision, pretende destacar a importância do design de produto e da experiência do utilizador em grandes empresas de topo, tais como a Airbnb, Coursera, Dropbox, Etsy, Eventbrite, Evernote, Facebook, Google Ventures, HubSpot, MailChimp, Netflix, Pinterest, Salesforce, Spotify, Twitter, Xero, Zendesk, e muitas mais

o filme tem estreia para início do ano de 2016, e é dirigido por Matt D’Aveila que promete explorar “as mentes mais criativas de uma geração em que o design mostra a sua ajuda no desenvolvimento das empresas e da sociedade". O documentário pretende tocar em vários aspectos da importância do design nas nossas vidas, desde o seu impacto na melhoria do modo de vida até à conexão que existe entre o design e os humanos




o design gráfico apresenta-se como uma das melhores ferramentas para a resolução de problemas: "Great designers don't see problems and solutions alone - they see stepping stones for a coherent, intencional journey" - Airbnb, head of experience design

o grande objectivo do filme é educar as pessoas e as empresas, através da apresentação dos melhores designers do momento, fazendo com que criem respectivamente experiências positivas na sociedade e transformações em novas empresas

qualquer projecto de inovação tecnológica precisa de engenheiros que criem um bom suporte informático, prático e funcional, e a relação da tecnologia com o design começa aqui: os designers pensam nas pessoas, nas suas emoções, perspectivas e as conexões que querem alcançar. O objetivo dos designers enquanto integrantes dos projectos passa pelo pensamento directo de como querem que as pessoas utilizem o produto / interface, e como é que isto se pode tornar numa experiência rápida, criativa e de impacto para o utilizador

o trailer refere a importância do design no desenvolvimento da base do projecto, pois se a estrutura do design não for bem consistente, todo o processo se pode tornar vulnerável. Este documentário é de elevada pertinência na geração actual, na qual o design cada vez vinga mais e se manifesta como um mecanismo de exploração e desenvolvimento



a interrogação que fica no final é inquietante para qualquer designer, gestor de desenvolvimento de marca ou de inovação: “A questão agora não é se podemos construir. Sim podemos construir qualquer coisa. A questão é que futuro queremos construir juntos? E isso é o poder do design”

Sara Magno. Estudante na área do design de comunicação. Adoro fotografia, publicidade, branding e packing design. Passo horas a escolher tipografias e a explorar soluções gráficas. “We (designers) transform what we touch.”

Oct 4, 2015

ser humano, storytelling e gestão de marca

hoje, olhamos para o Ser Humano como um “Homo Fabulus” – um contador de histórias – mais do que como um Cientista ou como um Investigador. Da procura pela verdade e dos factos, passamos para a procura de significado e de relevância

somos ouvintes e contadores de histórias desde que nascemos. É através do processo de contar histórias – o “Storytelling” – que comunicamos, nos relacionamos e damos significado a tudo o que acontece. As histórias fascinam. Os factos aborrecem.

apesar da importância dos factos, são as histórias que nos fazem importar, e quando nós nos importamos, nós respondemos. É este o desafio que atualmente, mais que nunca, se coloca às marcas: o de conseguir que o consumidor se importe, responda e se relacione com elas e com os seus produtos

podemos sem grande hesitação afirmar que vivemos atualmente num contexto cultural e tecnológico onde os consumidores sabem (quase) tudo sobre uma marca, desde a sua origem, até onde e como os seus produtos são fabricados e vendidos. Em consequência, as empresas são avaliadas pelos consumidores por muito mais do que apenas os seus produtos

os valores da marca, a forma como esta se posiciona perante questões sociais e as emoções que evoca (posicionamento) são atualmente elementos extremamente relevantes para os consumidores e, por isso, conteúdo de enorme potencial num contexto de Storytelling

é verdade que "most brand storytelling wouldn’t pass the bedtime story test. Yet there’s never been a greater time for brands that can tell a story well." [Tom Fishburne] 



Sep 27, 2015

new Serif in town, pela mão da Samsung

Ronan e Erwan Bouroullec são irmãos e formam ambos uma conceituada equipa de designer’s. Serif Tv by Samsung é o último projecto dos irmãos, que apresentam a televisão como uma peça de mobiliário sofisticada e totalmente preparada para integrar os espaços interiores





o desenvolvimento do perfil da tv é a forma de um I maiúsculo, por sua vez de uma fonte serifada. Porquê que isto agrada aos consumidores? Porque estão presentes os conceitos de tamanho e magreza que normalmente são vistos como qualidades desejadas.

a tv deixa de ser um aparelho de televisão com aspecto tecnológico e com uma tela plana preta, e passa a ter a sua personalidade sofisticada e cativante. A parte superior da tv serve como base para outros objetos, com a finalidade do proprietario colocar livros e outras peças decorativas que integrem o ambiente da sala. A parte de trás da televisão possui um painel em tecido que pretende ocultar todos os fios, sendo que esta pode ser movida para longe da parede, perdendo a sua localização habitual




“O motivo era fazer um objeto que pertence-se adequadamente ao mundo em que vivemos” referem os autores. Serif está em lançamento na London Design Festival até hoje dia 27 de setembro, e pretende entrar no mercado a 2 de novembro ainda deste ano. 

os tamanhos da tv também foram pensados, e existem respectivamente três: Serif de 40 polegadas, Serif Medium de 32 polegadas, e a Serif Mini de 24 polegadas. O interface foi desenvolvido pela Samsung, com a inovação do Curtain Mode que permite criar um cenário gráfico translúcido na tela da televisão sem que esta seja necessariamente desligada



de facto é um produto inovador, podemos alterar a sua perspectiva no espaço de uma casa e faze-lo integrar-se como uma peça de design. A sua função deixa de ser apenas prática para assistir a programas e novelas, e passa apresentar-se ao seu proprietário como objeto de exploração e decoração

Sara Magno. Estudante na área do design de comunicação. Adoro fotografia, publicidade, branding e packing design. Passo horas a escolher tipografias e a explorar soluções gráficas. “We (designers) transform what we touch.”

Sep 22, 2015

Ogilvy entrevistado por Crichton, 1977

o publicitário David Ogilvy foi entrevistado por John Crichton em 1977, num vídeo realizado pela Associação Americana de Agências de Publicidade

encontrei recentemente essa entrevista, tinha por isso de a partilhar aqui, claro!!! #Nerd

esta é a versão completa da entrevista:



sou um leitor inveterado de tudo que o Ogilvy escreveu; ouvi-lo marca ainda mais, e como isto é um blog sobre as marcas que ficam... é perfeito!

Sep 20, 2015

mercedes cria design que se adapta à velocidade

para o Frankfurt Motor Show, na Alemanha, a Mercedes-Benz apresentou, mais que uma nova tecnologia, um novo paradigma na construção de carros, elevando para um patamar superior o pressuposto no design de produto de que a forma segue a função: o Concept IAA ("Intelligent Aerodynamic Automobile")

porque neste caso é literalmente isso, o carro, em movimento, ajusta a sua forma para lidar melhor com a resistência do ar! essa mudança acontece quando o motorista pressiona um botão, ou então, de forma automática, assim que o carro atinge 80 km por hora


o Concept IAA não será vendido por enquanto. A empresa afirma que o modelo e as pesquisas relacionadas servirão como inspiração para gerações futuras de automóveis da marca. Numa palavra: INOVAÇÃO

vejam pf o vídeo com apresentação do conceito



e para o que realmente me importa, o batmobile nunca este tão perto!! yeeehaaa ;))

Aug 26, 2015

everyone is a fu*$#ing critic...

a frase é genial e infelizmente não sei o autor: "not everyone is an artist but everyone is a fucking critic"

a crítica ao trabalho criativo, neste caso das agências de publicidade, é um tema interessantíssimo e super presente no meu dia a dia "at the office"

por isso gosto de pensar sobre este processo (de critica à criatividade), até porque não existe muita literatura organizada (apenas algumas excelentes entrevistas a directores criativos onde o tema é muito bem tratado e que infelizmente não guardei nem fiz "bookmark"...)

re-encontrei este cartoon do Tom Fishburn, de quem sou adepto incondicional, pelos temas que escolhe e pela forma atenta e sagaz como os trata. Este cartoon acerta em cheio naquilo a que a critica criativa infelizmente se tornou... em má critica criativa!

então estes 8 tipos de "maus críticos" são TOP:

e porque é que é "má" critica criativa? isso é fácil, porque não usa os parâmetros ou pressupostos que a "boa" critica à criatividade deve usar ;)  E quais são? simplificando, organizo a coisa à volta de três questões:

1. briefing

antes de criticar qualquer trabalho, deve-se conhecer e dominar muito bem o briefing que o originou assim como os objectivos da marca. Ahhhh, nenhum mau briefing dá origem a uma boa campanha criativa!! (deixo o tema do que é um bom Vs mau briefing para depois). Assim, a primeira questão é: Cumpre ou não cumpre o briefing? (objectivos, target, mensagem, ...). Se cumpre avança, se não cumpre volta atrás

2. comunicação

um determinado trabalho pode ser esteticamente lindo, excelente em termos de design, pode ser uma verdadeira obra de arte... mas se não cumprir a sua função de comunicar algo, que o brief tem de definir de forma explicita, então esqueçam, no good...

por isso a segunda questão é: Comunica uma mensagem, de forma directa e simples? e aqui é importante que só comunique uma mensagem, e de preferência o benefício do produto/serviço para o cliente... não duas ou três ou quatro mensagens, mas sim uma!! coisa que os marketeers se tendem a esquecer... (sobre este tema aconselho mesmo o post "o segredo esta na massa! no molho! não está no benefício!")

3. impacto

se não fizer o cliente querer ver, ler ou ouvir a mensagem então... não serve. Porque a mensagem tem de ficar na cabeça do cliente para a partir daí influenciar o processo de compra/ de escolha do produto ou do serviço. Para a mensagem ficar na cabeça do cliente tem de o impactar!!! seja de que forma for (mais coisa menos coisa...). Por isso, a publicidade causa impacto (junto do target definido pelo briefing)?

muito, mas muito importante, a critica criativa como podem ver, não é uma questão de "gosto". Saber avaliar a qualidade de um trabalho é independentemente do gosto pessoal de quem avalia. Até porque a maior parte das vezes quem critica o trabalho está longe de fazer parte do target. As campanhas, as peças, a publicidade são para um determinado target, e é a esses que tem de impactar (sugiro que espreitem o post "uma questão de impacto")

last but not the least, uma boa critica criativa implica coragem, sim coragem. Coragem para aceitar e levar para a frente campanhas verdadeiramente originais e criativas

e depois de tudo isto, simplesmente não resisto a partilhar o outro lado da moeda ;)

ainda sobre criatividade, neste caso sobre criatividade e prazos, sugiro o post "criatividade, prazos e o "overnight test" #KeepReading

opiniões?

May 31, 2015

internet trends: 2015 e além

estamos naquela fase do ano que somos bombardeados com trends disto, trends daquilo, trends por tudo e por nada. O #asMarcasqueficam não podia deixar de alinhar no trend ;)

há já 20 anos que Mary Meeker, partner e analista da Kleiner Perkins Caufield & Byers, apresenta o seu documento anual sobre as principais tendências da Internet; esta quarta-feira, dia 27, voltou a fazê-lo durante na Code Conference, que teve lugar na Califórnia

o documento dá uma perspectiva global e exaustiva de como a Internet é usada por todo o mundo, como é ocupado o tempo online, qual a evolução da utilização dos equipamentos mobile, quais as plataformas ou apps mais utilizadas globalmente, entre outras

essencial para quem quer saber o que se passa no mundo digital e quais são as perspectivas de futuro

veja em baixo toda a apresentação de Mary Meeker


e aqui podem encontrar um artigo muito bom da TechCrunch com os principais destaques da apresentação deste ano

May 29, 2015

papel higiénico, diferenciação e dragon ball

o caso é por demais conhecido por todos! o sucesso da estratégia da Renova na diferenciação do seu produto é reconhecido, nacional e internacionalmente

já o que não pára de me surpreender (e ainda bem) é o poder do efeito WOW da diferenciação e de como ele ultrapassa até questões culturais

senão, vejam esta pérola! com som por favor, porque é o entusiasmo da voz off que faz toda a diferença:

The Sexiest WC on Earth by Renova, featured on a Japanese TV channel.
Posted by Renova Blackpaper on Wednesday, May 27, 2015


como sugeriu um amigo (obrigado Pedro Saraiva pela dica), parece que até imagino o Krilin e a Bulma do Dragon Ball a decorar a casa e a comprar Renova! demasiado bom, não acham?

May 13, 2015

se conseguimos isto com um só outdoor, imagine com a rede toda

a JCDecaux, com ajuda da BBDO Bélgica, criou recentemente mais uma daquelas acções para "provocar" os directores de marketing!


o objectivo? serem recebidos pelos directores de marketing para uma apresentação do research mais recente acerca da eficácia do meio OOH

o resultado? segundo os próprios, conseguiram com que todos os directores de marketing agendassem uma reunião com o grupo!

como? vejam o vídeo com o case, porque vale a pena!



gostei particularmente da parte, "se conseguimos isto com um só outdoor, imagine com a rede toda"

um MUITO bom exemplo de articulação entre a criatividade da comunicação e o meio. Boa publicidade é assim, a ideia criativa existe, e usa o meio para potenciar o seu alcance

Apr 26, 2015

asas de borboleta são a resposta para ecrãs à prova de brilho

por vezes perguntam-me porque comprei um Kindle em vez de um tablet... obviamente não o "Kindle Fire HDX 7" (que para mim já é mais um tablet do que um Kindle no sentido estrito), mas sim a versão original do e-reader o "Kindle Paperwhite". A razão é simples: porque é o que melhor cumpre o que eu procuro num e-reader, ou seja, tal como está na tagline do Kindle, "the perfect reading experience". E o que dá a este modelo do Kindle essa capacidadade? a completa ausência de brilho do ecrã ("reflexos"), independentemente da luz ambiente, o que torna a leitura muito mais agradável e muito mais próxima de um livro!

agora, e se essa "experiência" pudesse estar disponivel em TODOS os ecrãs?! pondo fim ao "estrabismo" que resulta de tentar ler e-mails num dia ensolarado?! segundo o artigo da Wired que li, a resposta parece estar... nas asas de uma borboleta ;)))

as asas de borboleta podem assim ser a solução para a criação de ecrãs à prova de brilho, sejam smartphones, laptops ou tablets! os investigadores acreditam que, recriando a estrutura das asas da borboleta "glasswing", podem ser capazes de conseguir desenvolver ecrãs completamente não reflectores

a borboleta em questão tem asas transparentes que quase não refletem qualquer luz. As asas são capazes de fazer isso porque "a estrutura da sua superfície é constituída por uma distribuição aparentemente aleatória de nanoestruturas de diferentes alturas separadas por distâncias variáveis" (fonte)​​

os investigadores do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, na Alemanha, que descobriram o fenómeno, referem que uma versão sintética desta estrutura pode perfeitamente ser desenvolvida para aplicação em todos os equipamentos com ecrãs.  Os resultados foram publicados na revista Nature Communications, que os mais nerds podem ler aqui

isto é inovação, como mandam as regras e o fora da caixa ;)) e é este tipo de inovação que diferencia um produto, e que o pode tornar (ou manter) lider! por isso é que, para mim, a gestão de inovação tem de fazer parte da natureza das marcas; é uma questão de sobrevivência da mais bem adaptada 

Apr 20, 2015

agir local - as unidades móveis | PEUGEOT Food Truck

a inovação nas unidades móveis parecia já só vir do lado da comida (os "food truck")... com excepções claro (como a unidade da Illy, mas que infelizmente de móvel tinha pouco). Fazia por isso tempo que não encontrava razão para tornar a escrever sobre o trend (todos os posts sobre unidades móveis aqui)

felizmente há marcas que percebem da importância da inovação para crescerem, liderarem e colocarem na nossa cara a expressão de espanto e com isso ganharem vantagem sobre a concorrência e notoriedade junto das pessoas. Desta forma, para comemorar a convergência entre carro e comida (o dito "trend"), o Peugeot Design Lab criou uma unidade móvel (de luxo) que é um restaurante em movimento, uma verdadeira "homage" às unidades móveis ;)



projectado para ambientes urbanos, a unidade é compacta o suficiente para se dirigir por ruas movimentadas e transforma-se "rapidamente" num ambiente de restaurante, a que chamaram "Le Bistro du Lion". Quando estacionada com as suas "asas" abertas, duplica a sua área, criando novos espaços para a preparação de alimentos, jantar, bebidas e uma cabine de DJ


a inovação é assim! faz avançar (neste caso literalmente). Gostei ;) e vocês o que acharam?