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Apr 28, 2019

os fundamentais da segmentação em 3 minutos

a campanha mais recente do canal Dinamarquês TV2 é um short course genial em "segmentação de mercado", vale a pena ver



colocamos as pessoas em caixas e isso é normal! é assim que pensamos e é o que temos feito no marketing desde sempre... olhamos para o que o consumidor pensa e faz como uma commodity a que lhe falta profundidade e detalhe

isto leva muitas vezes à criação de personas e de estudos de mercado que ficam pela superfície e que não vão mais longe que o identificar de acções e o descrever de pensamentos discretos, relativamente desligados do consumidor final

como resultado, normalmente, temos estudos que nos dão muita informação mas que levam a uma compreensão pouco complexa daquilo que os consumidores pensam, gostam e querem (precisam...)

por isso, talvez devessemos redefinir o que é mais importante para as nossas “caixas”, isto se queremos, enquanto marcas, ser interessantes para as pessoas (e não consumidores dentro de caixas)

temos mesmo de parar de interromper as pessoas enquanto elas fazem aquilo em que estão interessadas e passar a ser tão interessantes como todas essas coisas; o nosso desafio é fazer com que as pessoas queiram gastar o seu tempo com a marca! o tempo é a nova moeda

as marcas fortes são as marcas que se tornam parte do tempo das pessoas, pela relevância! como e onde encontrar essa relevância? simples, usando a relevância (significado, benefício, propósito...) como critério de segmentação! fica a deixa 

Apr 14, 2019

77% das marcas poderiam desaparecer e ninguém se importaria!

este é um dos principais resultados do estudo Global Meaningful Brands® de 2019 da Havas. O valor mais alto de sempre desde que a pesquisa "Meaningful Brands®" começou em 2008 e 3 pontos percentuais acima dos resultados de 2017


77% das marcas poderiam desaparecer e ninguém se importaria! 

quando falo deste número, a primeira reação é sempre de ceticismo, "não pode ser verdade"! ou "não pode ser tão alto"!! o ceticismo é desde logo uma reação defensiva... porque, a ser verdade, andamos (marketeers, publicitários, ...) efetivamente muito "distraídos" (para não dizer pior...)

mas é facil chegar a este número com um exercício simples:
  1. Lista todas as marcas que fazem parte da tua vida, de memória, e sem grande esforço (durante 1 minuto no máximo...);
  2. Dessa lista, sublinha as que têm alguma forma de impacto na tua vida, que estão presentes no teu dia a dia, e sem as quais nada seria o mesmo;
  3. Agora, das marcas sublinhadas, destaca as que não conseguias substituir em menos de duas semanas por outra marca qualquer, com alguma pesquisa e dedicação...
conseguiram chegar ao ponto 3? muitas vezes não... se sim, a quantas marcas chegaram no final? dividam pelo total de marcas que tinham no ponto 1. Qual é o valor? deixem pf na caixa de comentários

sem grandes dramas, estamos provavelmente perante o maior desafio de relevância de sempre na história das marcas!

por isso escrevi no passado o post "o que aconteceria se a sua marca deixasse de existir?" com o exercício de "escrever o obituário da marca" como uma forma de pensar o futuro e o estado atual da mesma (antes que desapareça de vez...) 

sugiro a leitura aqui, pelas razões óbvias

Mar 31, 2018

VW, FB e Neo

Mark Zuckerberg veio pedir desculpa pelo uso indevido de dados de milhões de utilizadores pela empresa norte-americana Cambridge Analytica, num anúncio publicado em vários jornais do Reino Unido
Temos a responsabilidade de proteger a sua informação. Se não podemos fazê-lo, não a merecemos

curiosidade 1: o facebook tem cerca de 2.13 biliões de utilizadores ativos mensais no mundo inteiro (e segundo a CNN, 83 milhões de perfis falsos), os jornais foram dados como mortos, o presidente dos EUA usa o Twitter para comunicados oficiais... mas, quando é a sério, mesmo a sério, tem de ir para os jornais?

(afinal) ainda há um ranking de capital de confiança entre o digital e o impresso?

o expresso aproveitou (muito bem) a ideia e deu inclusive um excelente anúncio de (auto)publicidade:


curiosidade 2: a empresa terá perdido mais de 40 milhões de euros do seu valor de mercado desde a divulgação do uso indevido dos dados! parece-me um valor residual para todos os efeitos, mas a questão crítica é: quantos utilizadores (clientes) perdeu? perante a gravidade, deveria ter perdido muitos, certo?... não me parece, nem há qualquer dado sobre isso. Façamos uma pequena "survey": algum dos leitores deste post deixou de usar o facebook por causa disso?

eu não deixei, e acredito que os leitores também não... E porquê?

o que me leva à curiosidade 3: o que há de comum no comportamento do consumidor (cliente, utilizador, o que preferirem), entre a divulgação dos dados sobre as emissões de carbono da VW e a divulgação do uso indevido de dados pessoais dos utilizadores do FB?

a resposta está na curiosidade 2... só queria mostrar um padrão: #TruthIsOverrated... Isto apresar do da importância que o NY Times lhe dá ;)


e de repente deu-me uma vontade enorme de voltar a ler Baudrillard... que não lia desde o lançamento do Matrix. By the way, e como estamos em época de Páscoa...



Dec 8, 2017

propósito, originalidade e valores

disclaimer: sim, sou Boavisteiro; mas não, isso não tem nada a ver com a razão deste post, tirando o facto do enorme orgulho que sinto por "ser" desta marca!


o Boavista anunciou a renovação de contrato com o atleta Edu Ferreira.  O jovem, de 19 anos, formado nas escolas dos axadrezados, viu o vínculo ser prolongado até 2018/19, numa altura em luta contra um cancro na perna direita, motivo pelo qual teve de interromper a carreira


e o que isto tem a ver com marcas? t u d o. Marcas fortes são marcas que fazem parte da vida das pessoas, têm um significado, fazem sentido na história (atual, passada ou futura) das mesmas, e por isso são relevantes. Esta é uma excelente iniciativa que materializa - na minha opinião - a "santíssima trindade" das marcas fortes! nas palavras de Joah Santos: "propósito, originalidade e valores"

sobre isto, e para quem quiser aprofundar mais o tema, aconselho seriamente a leitura dos artigos do Joah Santos 'BE SIGNIFICANT! - How iconic brands stand out in a crowded world' (link) e '3 stage engine to leadership' (link) e também a leitura do meu artigo 'O “storytelling” e a gestão de marcas' no jornal Observador (link)

o ROI desta iniciativa original ultrapassa em longe qualquer ação de simples compra de meios: constrói marca, cria goodwill e, por isso, reforça a ligação com os adeptos (leia-se, clientes)

sobre marketing (do bom, porque do mau ninguém quer) não me esqueço das palavras do Luis Reis nas aulas de marketing no MBA: "coragem, o marketing é tudo sobre ter coragem!" coragem de criar um posicionamento e defendê-lo, coragem de avançar com campanhas que - não sendo "mais do mesmo" - têm mais risco, mas um retorno gigante

Oct 5, 2017

comunicação do benefício da marca: Victan e o Debosh Destroyery

o nome diz tudo: Debosh Destroyery! o projecto onde se pode alugar um quarto... e destruir tudo o que está dentro dele! Sem dó nem piedade.

não vão faltar as ferramentas para nos ajudar a deixar a nossa marca!


localizado em Moscovo, este negócio incomum funciona como um hotel ou sala de karaoke. Pode-se, por exemplo, alugar um quarto por hora e libertar toda a raiva acumulada. Esta é a catarse no seu expoente máximo! Só de olhar para as fotos com todo o potencial de acção e já nos sentimos melhor (!?)

todos os danos capazes de infligir ao espaço estão incluidos. A pergunta nesta fase é: mas onde é que me inscrevo? quero já??! o site vem com uma ferramenta de "booking" para cada um dos quartos, sem stress ;) 




o conceito não é propriamente inovador, mas a execução é das melhores que já vi. Vale a pena ver o vídeo de apresentação:


e o vídeo deu-me a ideia: este projecto seria o cenário ideal para a próxima campanha do Victan!! um produto da Sanofi, dentro do grupo terapêutico dos ansiolíticos. Só do Victan? garantidamente não, mas fica a titulo de exemplo
 
os ansiolíticos em geral, e o Victan em particular, são recomendados para o tratamento de certas situações de ansiedade, ansiedade reaccional, ansiedade associada a uma afecção somática grave, ansiedade generalizada, etc...

benefício do Victan? de forma resumida: diminuir ou extinguir a ansiedade, sem prejudicar as funções psíquicas e motoras! ou, dito de outra forma, "... tinha visto na televisão que era a fase inicial de um enfarte e sentei-me à espera da pancada. Afinal sobrevivi e o Victan promete tornar-se o meu maior aliado para os próximos tempos."

e não é esta afinal a "promessa" do projecto Debosh Destroyery? o que os torna concorrentes no beneficio, torna-os parceiros ideais de comunicação! o briefing está feito, agora seria trabalho dos criativos 

Sep 26, 2017

o “storytelling” e a gestão de marcas

o meu primeiro artigo no jornal Observador: "O “storytelling” e a gestão de marcas"
"... As histórias não se limitam a descrever a realidade: são as próprias histórias que a criam. Neste contexto, o foco não está sobre as marcas, está sobre as pessoas e sobre o valor que elas ganham quando se envolvem com as marcas e quando as marcas se tornam parte da sua história."
 http://observador.pt/opiniao/o-storytelling-e-a-gestao-de-marcas/

podem ler artigo completo aqui

Feb 4, 2017

QSP Summit'17: "Understanding Consumer"

o QSP Summit afirma-se como uma das mais relevantes Conferências de Marketing e Gestão da Europa, e, uma vez mais, acolhe este ano os líderes globais que marcam tendências. Nesta edição, que se vai realizar no dia 23 de Março sob o tema “Understanding Consumer”, vão ser debatidas as profundas mudanças do consumidor e como estas se refletem nos comportamentos e locais de compra


serão abordados temas tão diversos como: ativação de marcas, design de produto, linguagem das marcas, proteção de dados, novas soluções tecnológicas, distribuição de conteúdos, consumidor dos mercados emergentes, inteligência artificial, marcas emocionais, digitalização da saúde, construção e gestão de equipas, cultura organizacional e planos de marketing disruptivos



a acompanhar o lançamento do programa oficial, "as Marcas que ficam" estiveram à conversa com o Rui Ribeiro, Managing Partner da QSP - Consultoria de Marketing e responsável pela organização do evento

"as Marcas que ficam": como nasceu a ideia para o tema deste ano? e como foi o processo de transformar a ideia num programa tão completo como o atual QSP Summit 2017?
RR: estamos a assistir a profundas mudanças do consumidor com reflexos nos comportamentos, locais e formas de compra. Nesse sentido é importante perceber quais as reacções a quais os estímulos a que o consumidor reage, bem como as mudanças que os players terão de operar para uma melhor ligação ou engagement com este. Perceber o consumidor é a chave para a criação de uma oferta de valor adequada as necessidades. Foi neste sentido que a QSP elegeu o tema “Understanding Consumer” e a partir dai procurou os melhores speakers mundiais que consideramos que respondem melhor aos conteúdos que queremos entender
"as Marcas que ficam": quais foram os principais desafios à realização da edição do QSP Summit este ano?
RR: o QSP Summit tem vindo a registar uma crescente procura fruto da relevância que os temas abordados merecem para as empresas e do reconhecimento do público da qualidade do evento. Desse incremento de procura resultou a decisão de aumentar a capacidade do auditório e das worklabs. E nesse sentido a QSP mantém o evento na Exponor mas vai erguer de raiz 5 auditórios nos pavilhões da Exponor exclusivos para o evento. A exigência da nossa audiência é muito elevada o que nos obriga a uma produção cuidada e ao nível das melhores da Europa
 "as Marcas que ficam": o que salientarias na organização do evento deste ano? Que novidades?
RR: para além da qualidade inegável dos oradores, e da novidade da passagem do evento para 2 pavilhões e meio da Exponor, teremos ainda algumas novidades em termos de produção áudio visual que guardaria para a dia e para os presentes. A área de exposição será bastante maior, as activações dos expositores serão muito divertidas e será um dia certamente memorável para todos
"as Marcas que ficam": que sugestões para os participantes do QSP Summit para tirarem melhor partido deste evento?
RR: em primeiro lugar inscreverem-se: na ultima edição e como é habito dos portugueses, muitos deixaram para a ultima hora e já não conseguiram participar. Este ano muito provavelmente acontecerá o mesmo apesar do aumento da capacidade. O evento deve esgotar e quem deixar para a ultima hora terá poucas hipóteses de poder participar. Por outro a leitura atenta do programa permitirá a cada profissional escolher as sessões que mais irão de encontro aos desafios que tem pela frente. Como já é habitual o evento arranca à hora prevista – 9h15 e os participantes devem providenciar forma de chegarem atempadamente por forma a poderem usufruir do evento na integra
"as Marcas que ficam": o que gostavas que fossem, para os participantes, os principais "key learnings" do evento?
RR: gostava e estou certo que as empresas e profissionais que participarem, chegarão ao final do dia com uma enorme mais-valia e uma visão completa do tema que lhes propusemos. Em regra o QSP Summit antecipa bastante os temas que preocupam os profissionais e gestores, e aponta tendências que se têm materializado. Será um dia recheado de contactos decisivos para a suas actividades e uma experiência única em termos de evento que é um dos melhores da Europa no sector
obrigado Rui pela entrevista! visitem o QSP Summit'17, eu vou lá estar ;) encontramo-nos entre sessões para um café Bogani e conversar sobre as conferências

Jan 21, 2016

sonhos patrocinados: o futuro da publicidade

já nos habituamos a ver anúncios em qualquer lugar... para o melhor e para o pior já se tornaram parte integrante da nossa vida

mas quanto mais as pessoas tentam evitar ver anúncios, mais as marcas e os anunciantes continuam a tentar encontrar novas maneiras de chegar às pessoas... 
"The real question is not: How many ads do we see? The real question is: What do we have to do to see no ads? And the answer is: go to sleep" (James B. Twitchell)
há um momento que parece ser completamente reservado à pessoa: o período em que dormimos. Os sonhos serão talvez o último lugar seguro e livre da inserção paga de publicidade... ou não?!

o que aconteceria se as anunciantes tivessem a possibilidade de entrar nos nossos sonhos? (de forma paga, porque muitos de nós sonhamos com algumas marcas ;) Será que o futuro da publicidade subliminar dos anos 60 são hoje os sonhos patrocinados?



com base nesta ideia o STUDIO SMACK desenvolveu um curta metragem de animação do que seria um sonho patrocinado por uma marca que todos nós conhecemos bem...



a ideia de sonhos patrocinados parece-me demasiado curiosa para resistir, confesso ;) seja como for, esta iniciativa do Studio Mack é excelente, seja porque serve de motivo para iniciar a discussão e porque, visualmente, o vídeo é simplesmente espectacular!

o que vos parece? 

Dec 8, 2015

estratégia do site Pornhub é uma verdadeira aula sobre gestão de marca

o Pornhub é o site nª1 de conteúdo para adultos, um "equivalente" ao Youtube com vídeos exclusivamente pornográficos, nas versões gratuita e premium, esta última com conteúdos exclusivos

desde meados de 2014 que o website optou (e bem) por um modelo gestão de marca assente num plano de comunicação com campanhas ‘safe for work’ (SFW) que não mostre conteúdo explícito e possa ser divulgada em outdoors, revistas e na web. Porque apesar de o site já chegar a mais de 35 milhões de pessoas o desafio é chegar a ainda mais milhões

a campanha criada para o kick off do projecto foi um processo de recrutamento muito particular: "queres ser o próximo diretor criativo do Pornhub?" O desafio? criar uma  campanha de exterior SFW. O responsável pela peça que ganhasse este concurso passaria a integrar e liderar a equipa de publicidade e marketing do sítio online

podem saber mais nos posts "queres ser o próximo diretor criativo do Pornhub?" e "[UPDATE] "queres ser o próximo diretor criativo do Pornhub?" que explicam como tudo decorreu e quem venceu o projecto

tal como "prometido" o vencedor foi contratado e viu a sua peça em outdoors nas cidades de New York e Los Angels; os dados estavam lançados

na sequência do seu novo director criativo a marca lança a sua primeira campanha online (a tentar o viral) com um novo produto: a "WankBand", uma pulseira que recarrega os nossos dispositivos electrónicos à força de pulso...

podem conhecer tudo no post "quanto mais pulso, mais electricidade". Uma acção que só no youtube deu origem a bem mais de 3 milhões de visualizações, fora toda a mediatização do "produto" no meio online que foi, gigante! eu diria, objectivo cumprido até aqui

agora, o passo seguinte, a televisão! e nada melhor que aproveitar a época natalicia para criar uma campanha que ajude a aumentar a notoriedade e alavancar o posicionamento irreverente da marca. Desafio: como fazer uma campanha de Natal para o Pornhub?  

a pornografia não é de certeza assunto entre um prato e outro na ceia de natal ou na entrega de presentes, ainda mais nesta data de grandes reuniões familiares, muitas vezes com três e quatro gerações reunidas. Ou será?

a assinatura diz tudo "This Christimas give the most touching gift";)) vejam o anúncio, que já vai com mais de 4 milhões de vizualizações só no Youtube:



o anúncio cumpre perfeitamente (ele é comletamente SFW, emocional, envolvente...) e ainda desafia o preconceito tradicional de quem visita ou não o site!

tentei trazer todo o percurso e trabalho da marca entre 2014 até hoje para demonstarar porque é que na minha opinião este é um case exemplar de gestão de marca e comunicação intergrada de marketing! com uma definição clara do posicionamento pretendido ("ser SFW"), que permitiu a declinação para excelentes campanhas OOH, Online e de TV. Todas elas com um trabalho de muito mérito das agências, que cumpriram na perfeição ao apresentarem acções com ideias criativas, diferenciadoras e impactantes

clap, clap

Oct 26, 2015

Guiness, posicionamento e novos mercados

a Vans já nos tinha dado umas das melhores "aulas" de sempre sobre posicionamento, em 14 retratos impressionantes sobre a história de pessoas fora do mainstream, completamente contra a corrente da cultura moderna. 14 vídeos que narram histórias que captam na perfeição todas as expressões criativas da identidade da Vans (podem ver o post aqui)

agora é a vez da Guiness nos ensinar tudo o que sabe sobre posicionamento e a entrada em novos mercados, tão diferentes como o coreano e o africano. Sem nunca perder o norte

antes de mais, esqueçam tudo o que sabem!

já está?

primeiro, o vídeo #MadeofBlack (2014)



a Guinness é uma bebida preta, ok! mas lançar a cerveja em África com uma campanha cuja assinatura é "Made of Black" é uma jogada tão ousada e arriscada, como corajosa. Pelas mãos da BBDO Londres e BBDO Africa o anúncio de TV, dirigido por Sam Brown e a Rogue Films, conta com artistas e criativos africanos reconhecidos que nele encontram a sua forma de materializar a hitória e o que significa ser #madeofblack


a campanha declara que o "preto não é uma cor", o preto é uma "mentalidade", uma "atitude". Em comunicado, a marca vai mais longe e diz que o anúncio faz brilhar uma nova geração de africanos, um novo e progressista espirito em África. #vaibuscar

a música poderosa do Kanye West "Blkkk Skkkn Head" faz o resto

depois, a campanha #TasteofBlack (2015)


o anúncio, pela Iris Worldwide e a produtora The Sweet Shop, explora a percepção de um sabor excessivamente forte e desafiador, através da cor preta. Concentra-se em seis características distintivas da cerveja Guinness, especialmente adaptadas aos consumidores coreanos: suave, profunda, cremosa, corajosa, rica e surpreendente. A campanha convida as pessoas a criar a sua própria descrição do gosto ou sabor de Guinness e, em seguida, partilhar a sua experiência nas redes sociais




três dos maiores líderes de opinião da Coreia, que aparecem no filme (Daedoseogwan, Banzz e Korean Englishman) vão criar o seu próprio conteúdo no YouTube, com base na sua própria experiência #TasteofBlack

ambas as campanhas exploram o atibuto distintivo do produto e o tornam parte integrante do imaginário e do universo de valores de cada um dos países. E fá-lo de forma forte, corajosa e assumida, como sempre a Guiness o faz

#clapclap

Oct 16, 2015

criatividade, prazos e o "overnight test"

na publicidade o tema é recorrente. Os clientes exigem a antrega em tempos cada vez mais curtos, as agências reclamam o seu tempo e espaço. Que relação existe entre tempo e criatividade? (sim porque entre criatividade e álcool já conhecemos...)


encontrei este vídeo, simplesmente genial, com um case TOP sobre a relação entre resultado criativo e as restrições de limite de tempo. A correlação é positiva: quanto mais tempo, mais criatividade - ou, quanto menos tempo, menos criatividade! a forma como o video o prova deixa qualquer um sem argumentos contrários



o vídeo lembrou-me imediatmente o artigo "A Short Lesson in Perspective" de Linds Redding, escritor que, infelizmente, já não se encontra entre nós. Nas palavras de Matthew Creamer (da Advertising Age) trata-se "the best piece of advertising writing you've never read" (ver aqui post no adage.com).

o artigo de Linds fala do "the overnight test" que a dupla Linds e Laurence usava como forma de avaliar se uma ideia era boa ou não! eu resumo o conceito: se no dia a seguir à ideia ter sido criada, ainda fosse tão boa ou melhor que lhes tinha parecido antes, então avançavam

mas...
But here’s the thing.
The Overnight Test only works if you can afford to wait overnight. To sleep on it. Time moved on, and during the nineties technology overran, and transformed the creative industry like it did most others. Exciting new tools. Endless new possibilities. Pressing new deadlines. With the new digital tools at our disposal we could romp over the creative landscape at full tilt. Have an idea, execute it and deliver it in a matter of a few short hours. Or at least a long night. At first it was a great luxury. We could cover so much more ground. Explore all the angles. And having exhausted all the available possibilities, craft a solution we could have complete faith in.
Or as the bean counters upstairs quickly realized, we could just do three times as many jobs in the same amount of time, and make them three times as much money. For the same reason that Jumbo Jets don’t have the grand pianos and palm-court cocktail bars we were originally promised in the brochures, the accountants naturally won the day.
Pretty soon, The Overnight Test became the Over Lunch Test. Then before we knew it, we were eating Pot-Noodles at our desks, and taking it in turns to go home and see our kids before they went to bed. As fast as we could pin an idea on the wall, some red-faced account manager in a bad suit would run away with it. Where we used to rely on taking a break and “stretching the eyes’ to allow us to see the wood from the trees (too many idioms and similes? Probably.) We now fell back on experience and gut-feel. It worked most of the time, but nobody is infallible. Some howlers and growlers definitely made it through, and generally standards plummeted.
The other consequence, with the benefit of hindsight, is that we became more conservative. Less likely to take creative risks and rely on the tried and trusted. The familiar is always going to research better than the truly novel. An research was the new god. The trick to being truly creative, I’ve always maintained, is to be completely unselfconscious. To resist the urge to self-censor. To not-give-a-shit what anybody thinks. That’s why children are so good at it.
desculpem a extensão das transcriçao ;) mas impunha-se para conseguir passar o ponto de vista! para terminar como comecei, e nas palavras de Creamer, "It'd be criminal to summarize the rest of the essay. Rest assured that it is insightful and melancholy and quite beautiful. It embraces both regret and failure and denies self-pity. Just read it."

Sep 22, 2015

Ogilvy entrevistado por Crichton, 1977

o publicitário David Ogilvy foi entrevistado por John Crichton em 1977, num vídeo realizado pela Associação Americana de Agências de Publicidade

encontrei recentemente essa entrevista, tinha por isso de a partilhar aqui, claro!!! #Nerd

esta é a versão completa da entrevista:



sou um leitor inveterado de tudo que o Ogilvy escreveu; ouvi-lo marca ainda mais, e como isto é um blog sobre as marcas que ficam... é perfeito!

May 31, 2015

internet trends: 2015 e além

estamos naquela fase do ano que somos bombardeados com trends disto, trends daquilo, trends por tudo e por nada. O #asMarcasqueficam não podia deixar de alinhar no trend ;)

há já 20 anos que Mary Meeker, partner e analista da Kleiner Perkins Caufield & Byers, apresenta o seu documento anual sobre as principais tendências da Internet; esta quarta-feira, dia 27, voltou a fazê-lo durante na Code Conference, que teve lugar na Califórnia

o documento dá uma perspectiva global e exaustiva de como a Internet é usada por todo o mundo, como é ocupado o tempo online, qual a evolução da utilização dos equipamentos mobile, quais as plataformas ou apps mais utilizadas globalmente, entre outras

essencial para quem quer saber o que se passa no mundo digital e quais são as perspectivas de futuro

veja em baixo toda a apresentação de Mary Meeker


e aqui podem encontrar um artigo muito bom da TechCrunch com os principais destaques da apresentação deste ano

Apr 26, 2015

asas de borboleta são a resposta para ecrãs à prova de brilho

por vezes perguntam-me porque comprei um Kindle em vez de um tablet... obviamente não o "Kindle Fire HDX 7" (que para mim já é mais um tablet do que um Kindle no sentido estrito), mas sim a versão original do e-reader o "Kindle Paperwhite". A razão é simples: porque é o que melhor cumpre o que eu procuro num e-reader, ou seja, tal como está na tagline do Kindle, "the perfect reading experience". E o que dá a este modelo do Kindle essa capacidadade? a completa ausência de brilho do ecrã ("reflexos"), independentemente da luz ambiente, o que torna a leitura muito mais agradável e muito mais próxima de um livro!

agora, e se essa "experiência" pudesse estar disponivel em TODOS os ecrãs?! pondo fim ao "estrabismo" que resulta de tentar ler e-mails num dia ensolarado?! segundo o artigo da Wired que li, a resposta parece estar... nas asas de uma borboleta ;)))

as asas de borboleta podem assim ser a solução para a criação de ecrãs à prova de brilho, sejam smartphones, laptops ou tablets! os investigadores acreditam que, recriando a estrutura das asas da borboleta "glasswing", podem ser capazes de conseguir desenvolver ecrãs completamente não reflectores

a borboleta em questão tem asas transparentes que quase não refletem qualquer luz. As asas são capazes de fazer isso porque "a estrutura da sua superfície é constituída por uma distribuição aparentemente aleatória de nanoestruturas de diferentes alturas separadas por distâncias variáveis" (fonte)​​

os investigadores do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, na Alemanha, que descobriram o fenómeno, referem que uma versão sintética desta estrutura pode perfeitamente ser desenvolvida para aplicação em todos os equipamentos com ecrãs.  Os resultados foram publicados na revista Nature Communications, que os mais nerds podem ler aqui

isto é inovação, como mandam as regras e o fora da caixa ;)) e é este tipo de inovação que diferencia um produto, e que o pode tornar (ou manter) lider! por isso é que, para mim, a gestão de inovação tem de fazer parte da natureza das marcas; é uma questão de sobrevivência da mais bem adaptada 

Dec 8, 2014

nem tudo o que reluz é ouro (2)

o post "nem tudo o que reluz é ouro" (ver aqui) era dedicado à conclusão de que: o tráfego humano na web representa apenas 40% do tráfego total na rede; os restantes 60% são "causados" por boots sejam eles bons ou maus

os resultados do estudo mais recente da Google - "The Importance of Being Seen" - vêm atirar mais uma pedra ao charco do digital: 56,1% da publicidade que é apresentada nas plataformas da Google não é na realidade vista pelos utilizadores, basicamente porque aparecem fora da janela do navegador (ver estudo completo aqui)

e a conclusão é que o posicionamento e o formato do anúncio numa página Web fazem toda a diferença (claaaaro!!!)

assim sendo a Google aproveitou para deixar algumas dicas importantes, ainda que algumas delas já sejam do conhecimento de quem trabalha na área: a posição do anúncio na página faz muita diferença, com destaque para os banners que aparecem no último ponto visível da página, antes do scroll; o formato e tamanho utilizado também influênciam aa visibilidade do anúncio, sendo os formatos verticais os que apresentam melhor taxa de visualização; e o tipo de publicação em que o anúncio aparece, com os sites de comunidades online e os sites de jogos online com as melhores taxas de visualização



obrigado Google por seres tão amiga dos anunciantes [sarcasmo -.-''''] que forma tão top de concentrar o interesse dos anunciantes numa posição(ões), e com isto aumentar drasticamente o valor dessa(s) posição(ões)...

Nov 28, 2014

a verdade, só a verdade, e nada mais do que a verdade

a primeira vez que escrevi sobre este vídeo foi em 2009, num blog que mantinha na altura. Dei novamente com ele no meu research sobre o storytelling


é um vídeo que conta a história do processo de criação de uma campanha de marketing, entre briefings e debriefings. Com uma pequena grande diferença: as pessoas dizem o que pensam e não aquilo que deveriam dizer! não deixa nunca de me fazer rir :))

e como acho que às vezes (poucas) também nos devemos rir de nós próprios, aqui fica ele:



disclaimer: o problema não está nas pessoas dizerem o que pensam, está em não pensarem no que dizem! #DixIt

Nov 2, 2014

a arte de contar uma história e a construção de marca

a Skype sabe que é muito mais do que uma plataforma para as pessoas conversarem de forma rápida e simples. Entende que o valor real da sua tecnologia está nas relações humanas, ao juntar as pessoas


este insight é poderoso e a chave para o sucesso da nova campanha, que dá um passo de gigante na comunicação da marca

e para entenderem porque é que é um salto de gigante, primeiro têm mesmo de ler este artigo do Marcelo Lourenço, director criativo da Fuel Lisboa: "Cannes 2014 resumido em duas palavras: “technology” e “storytelling”"

tradicionalmente a Skype tem optado por campanhas com anúncios "explicativos"/"informativos" (a explicar funcionalidades da plataforma, fundamental quando se apresenta uma tecnologia nova) ou com anúncios "divertidos", com base no "humor" para mostrar como a tecnologia é divertida e fácil

ao aplicar o conceito de "Storytelling" à sua nova campanha a Skype pode finalmente materializar este insight, falar do que realmente importa, e construir marca. À lista de campanhas do artigo do Marcelo, juntava claramente esta

vejam o case:



como tive a oportunidade de ouvir esta semana numa apresentação pela Ogilvy, a forma perfeita de "market the brand and integrate the product" =D o que acharam?

Sep 11, 2014

rebranding e a mesma história de sempre

estava a ler o artigo "When to rebrand: Malaysia Airlines Casestudy" (link) e achei que tinha tudo a ver com o cartoon mais recente do Tom Fishburne (aka "the marketoonist):



como tudo na vida, o rebranding ou o remodeling não é bom ou mau "à cabeça". É bom quando serve para reforçar a alteração do posicionamento da marca, é bom quando serve para apresentar uma alteração importante no produto ou serviço, é bom quando acompanha uma inovação de ruptura... É mau, sempre que serve de fachada para a "mesma história de sempre"

a história de uma marca (e consequente envolvimento emocional do cliente com ela) constrói-se na cabeça do consumidor, "day by day". O rebranding não constrói uma história por si só, tal como o logo, assinatura ou tag line não são a marca

nas palavras do autor do cartoon:
"A company doesn’t own a brand. It’s consumers do. Giving a brand a new coat of paint (or dressing it in sheep’s clothing) won’t change consumers feelings and expectations of a brand." (Marketoonist)
sugiro mesmo a leitura do post que acompanha o cartoon, aqui 

Jun 25, 2014

[UPDATE] "queres ser o próximo diretor criativo do Pornhub?"

no post inicial "queres ser o próximo diretor criativo do Pornhub?" (ver aqui) dava conta não só da campanha, mas também dos 15 finalistas

agora, o vencedor anunciado =D a peça chama-se “All You Need Is Hand” e o criativo que lhe deu origem Nuri Gulver, de 24 anos, originário de Istanbul, Turquia

nas palavras de Corey Price, vice president do PornHub
“We received an overwhelming amount of responses, which made it incredibly difficult to pick a winner (...) In choosing a winner, we were keen on picking an idea that was catchy and could be rolled out as a full multi-media campaign. We found Nuri’s ‘All You Need is Hand’ idea to be just that. The concept is smart, relatable and it has potential to work across all advertisement platforms. We’re thrilled to announce Nuri as the winner and are looking forward to working with him to roll out the industry’s first mainstream ad campaign.”
























a empresa selecionou ainda dois "vice" e uma menção honrosa a partir dos quinze finalistas, umas das quais a que eu escolhi (ver aqui)

vice 1: “The World’s Biggest Archive of Nothing” — de Marcin S. and Piotr C.  





















vice 2: “America’s Largest Do-It-Yourself Website” — de Paul Livornese 





















menção honrosa: “All You Need is a Connection” — de Max Sherman



o que acharam da selecção de vencedores?

Jun 21, 2014

a Custo, vai ao Lidl

toda a gente conhece a Custo Barcelona, certo?




















e toda a gente conhece o Lidl, verdade?




















e agora pergunto, o que é que estas duas marcas têm de comum?

eu diria que rigorosamente nada...

mas, afinal, têm uma coleção de roupa: a "Growing by Custo" desenvolvida exclusivamente para o Lidl

OMFG.




































este movimento, para mim, é surpreendente (e não no bom sentido)!! o universo do Lidl não tem nada a ver com o da Custo: as marcas oferecem produtos diferentes, têm estratégias de pricing diferentes, dão experiências de consumo diferentes, têm valores e associações diferentes e estão em indústrias completamente diferentes

mas não é mau de todo... esta estratégia de co-branding, aos meus olhos, só não faz sentido do lado da Custo. Eu entendo a perspectiva do Lidl e de como a marca está a tentar oferecer roupas de qualidade, tais como as da Custo, a preços mais baixos. Faz sentido

mas não o contrário. A Custo está a tentar chegar a um leque mais amplo de consumidores, mas são consumidores que dificilmente vão trazer valor acrescentado à marca... As roupas criadas para o Lidl são mesmo muito mais baratas do que as roupas normais nas lojas da marca. Um vestido Custo no Lidl custa 17,99 €, enquanto um vestido Custo Dalmau pode custar entre os 65 € e os 250 €. O que é que a marca e o consumidor padrão da Custo ganham?

aqui entre nós, só vejo que a Custo ganhe numa espécie de negócio entre departamento de compras... com a coleção vendida à cabeça ao Lidl, estando do lado do Lidl o "esforço" de escoar a coleção; é dinheiro em caixa para a Custo, à conta de um arranhão (bem grande) na marca...

a Custo deveria ter procurado uma marca com a qual partilhasse um universo semelhante e com a qual fosse possivel criar associações mais relevantes. O Lidl sai melhor da figura que a Custo, digo eu. O que acham?