Oct 11, 2015

175 páginas condensadas em anúncio no jornal Metro

o autor Paulo Coelho contratou directamente a Agência Paulista Loducca para criar uma campanha que celebrasse o facto de os seus romances estarem no ranking de "best sellers" do New York Times há sete anos consecutivos

com este briefing, a agência criou um unico anúncio impresso onde publicou o texto inteiro - sim o texto inteiro - do romance do autor 'O Alquimista'

175 páginas condensadas em página dupla no jornal Metro


a agência Loducca disse ao AdFreak que este anúncio de jornal foi impresso com tamanho de fonte 4,1. Existiu ainda uma versão outdoor, com o texto do romance colocado num só mupi (com tamanho de fonte 12...)


no copy das duas versões do anúncio ainda econtraram espaço para dizer: "O Alquimista" Sete anos entre os best-sellers do New York Times Graças à 70 milhões que leram o livro. Se você não é um deles, leia este anúncio."

estive a conter-me até agora, chega! a esta altura tenho mesmo, mas mesmo, de perguntar, O QUE É ISTO? como é que isto pode ser considerado um bom anúncio, com destaque na edição online da Adweek?

escrevi recentemente no post "everyone is a fu*$#ing critic..." sobre os principais pressupostos que a "boa" critica à criatividade deve usar. Esta peça - para mim - não passa em nenhum

qual é a ideia criativa? no limite "tenta ser engraçado", mas acaba a fazer os leitores de palhaços: "Sabias que os meus livros são best sellers? Não compraste nenhum livro meu? tenta ler este... se conseguires. Ahaha"

impacto? zero. No pior cenário, que descrevi em cima, ainda é negativo. Isto não vai dar a ninguém vontade de ler Paulo Coelho... Vai?

mensagem? upsss... mais valia terem escrito nas duas paginas a tamanho de letra 45 "o Paulo Coelho é um escritor premido, já leu alguma coisa dele?"

não havia necessidade... 

Oct 6, 2015

design, disrupção e gestão de marca

atualmente o fenómeno do design está aliado à tecnologia, e tornou-se rapidamente na maior ferramenta de linguagem dos negócios do século 21. O documentário “Design Disruptors”, desenvolvido pela InVision, pretende destacar a importância do design de produto e da experiência do utilizador em grandes empresas de topo, tais como a Airbnb, Coursera, Dropbox, Etsy, Eventbrite, Evernote, Facebook, Google Ventures, HubSpot, MailChimp, Netflix, Pinterest, Salesforce, Spotify, Twitter, Xero, Zendesk, e muitas mais

o filme tem estreia para início do ano de 2016, e é dirigido por Matt D’Aveila que promete explorar “as mentes mais criativas de uma geração em que o design mostra a sua ajuda no desenvolvimento das empresas e da sociedade". O documentário pretende tocar em vários aspectos da importância do design nas nossas vidas, desde o seu impacto na melhoria do modo de vida até à conexão que existe entre o design e os humanos




o design gráfico apresenta-se como uma das melhores ferramentas para a resolução de problemas: "Great designers don't see problems and solutions alone - they see stepping stones for a coherent, intencional journey" - Airbnb, head of experience design

o grande objectivo do filme é educar as pessoas e as empresas, através da apresentação dos melhores designers do momento, fazendo com que criem respectivamente experiências positivas na sociedade e transformações em novas empresas

qualquer projecto de inovação tecnológica precisa de engenheiros que criem um bom suporte informático, prático e funcional, e a relação da tecnologia com o design começa aqui: os designers pensam nas pessoas, nas suas emoções, perspectivas e as conexões que querem alcançar. O objetivo dos designers enquanto integrantes dos projectos passa pelo pensamento directo de como querem que as pessoas utilizem o produto / interface, e como é que isto se pode tornar numa experiência rápida, criativa e de impacto para o utilizador

o trailer refere a importância do design no desenvolvimento da base do projecto, pois se a estrutura do design não for bem consistente, todo o processo se pode tornar vulnerável. Este documentário é de elevada pertinência na geração actual, na qual o design cada vez vinga mais e se manifesta como um mecanismo de exploração e desenvolvimento



a interrogação que fica no final é inquietante para qualquer designer, gestor de desenvolvimento de marca ou de inovação: “A questão agora não é se podemos construir. Sim podemos construir qualquer coisa. A questão é que futuro queremos construir juntos? E isso é o poder do design”

Sara Magno. Estudante na área do design de comunicação. Adoro fotografia, publicidade, branding e packing design. Passo horas a escolher tipografias e a explorar soluções gráficas. “We (designers) transform what we touch.”

Oct 4, 2015

ser humano, storytelling e gestão de marca

hoje, olhamos para o Ser Humano como um “Homo Fabulus” – um contador de histórias – mais do que como um Cientista ou como um Investigador. Da procura pela verdade e dos factos, passamos para a procura de significado e de relevância

somos ouvintes e contadores de histórias desde que nascemos. É através do processo de contar histórias – o “Storytelling” – que comunicamos, nos relacionamos e damos significado a tudo o que acontece. As histórias fascinam. Os factos aborrecem.

apesar da importância dos factos, são as histórias que nos fazem importar, e quando nós nos importamos, nós respondemos. É este o desafio que atualmente, mais que nunca, se coloca às marcas: o de conseguir que o consumidor se importe, responda e se relacione com elas e com os seus produtos

podemos sem grande hesitação afirmar que vivemos atualmente num contexto cultural e tecnológico onde os consumidores sabem (quase) tudo sobre uma marca, desde a sua origem, até onde e como os seus produtos são fabricados e vendidos. Em consequência, as empresas são avaliadas pelos consumidores por muito mais do que apenas os seus produtos

os valores da marca, a forma como esta se posiciona perante questões sociais e as emoções que evoca (posicionamento) são atualmente elementos extremamente relevantes para os consumidores e, por isso, conteúdo de enorme potencial num contexto de Storytelling

é verdade que "most brand storytelling wouldn’t pass the bedtime story test. Yet there’s never been a greater time for brands that can tell a story well." [Tom Fishburne] 



Sep 27, 2015

new Serif in town, pela mão da Samsung

Ronan e Erwan Bouroullec são irmãos e formam ambos uma conceituada equipa de designer’s. Serif Tv by Samsung é o último projecto dos irmãos, que apresentam a televisão como uma peça de mobiliário sofisticada e totalmente preparada para integrar os espaços interiores





o desenvolvimento do perfil da tv é a forma de um I maiúsculo, por sua vez de uma fonte serifada. Porquê que isto agrada aos consumidores? Porque estão presentes os conceitos de tamanho e magreza que normalmente são vistos como qualidades desejadas.

a tv deixa de ser um aparelho de televisão com aspecto tecnológico e com uma tela plana preta, e passa a ter a sua personalidade sofisticada e cativante. A parte superior da tv serve como base para outros objetos, com a finalidade do proprietario colocar livros e outras peças decorativas que integrem o ambiente da sala. A parte de trás da televisão possui um painel em tecido que pretende ocultar todos os fios, sendo que esta pode ser movida para longe da parede, perdendo a sua localização habitual




“O motivo era fazer um objeto que pertence-se adequadamente ao mundo em que vivemos” referem os autores. Serif está em lançamento na London Design Festival até hoje dia 27 de setembro, e pretende entrar no mercado a 2 de novembro ainda deste ano. 

os tamanhos da tv também foram pensados, e existem respectivamente três: Serif de 40 polegadas, Serif Medium de 32 polegadas, e a Serif Mini de 24 polegadas. O interface foi desenvolvido pela Samsung, com a inovação do Curtain Mode que permite criar um cenário gráfico translúcido na tela da televisão sem que esta seja necessariamente desligada



de facto é um produto inovador, podemos alterar a sua perspectiva no espaço de uma casa e faze-lo integrar-se como uma peça de design. A sua função deixa de ser apenas prática para assistir a programas e novelas, e passa apresentar-se ao seu proprietário como objeto de exploração e decoração

Sara Magno. Estudante na área do design de comunicação. Adoro fotografia, publicidade, branding e packing design. Passo horas a escolher tipografias e a explorar soluções gráficas. “We (designers) transform what we touch.”

Sep 22, 2015

Ogilvy entrevistado por Crichton, 1977

o publicitário David Ogilvy foi entrevistado por John Crichton em 1977, num vídeo realizado pela Associação Americana de Agências de Publicidade

encontrei recentemente essa entrevista, tinha por isso de a partilhar aqui, claro!!! #Nerd

esta é a versão completa da entrevista:



sou um leitor inveterado de tudo que o Ogilvy escreveu; ouvi-lo marca ainda mais, e como isto é um blog sobre as marcas que ficam... é perfeito!

Sep 20, 2015

mercedes cria design que se adapta à velocidade

para o Frankfurt Motor Show, na Alemanha, a Mercedes-Benz apresentou, mais que uma nova tecnologia, um novo paradigma na construção de carros, elevando para um patamar superior o pressuposto no design de produto de que a forma segue a função: o Concept IAA ("Intelligent Aerodynamic Automobile")

porque neste caso é literalmente isso, o carro, em movimento, ajusta a sua forma para lidar melhor com a resistência do ar! essa mudança acontece quando o motorista pressiona um botão, ou então, de forma automática, assim que o carro atinge 80 km por hora


o Concept IAA não será vendido por enquanto. A empresa afirma que o modelo e as pesquisas relacionadas servirão como inspiração para gerações futuras de automóveis da marca. Numa palavra: INOVAÇÃO

vejam pf o vídeo com apresentação do conceito



e para o que realmente me importa, o batmobile nunca este tão perto!! yeeehaaa ;))

Aug 26, 2015

everyone is a fu*$#ing critic...

a frase é genial e infelizmente não sei o autor: "not everyone is an artist but everyone is a fucking critic"

a crítica ao trabalho criativo, neste caso das agências de publicidade, é um tema interessantíssimo e super presente no meu dia a dia "at the office"

por isso gosto de pensar sobre este processo (de critica à criatividade), até porque não existe muita literatura organizada (apenas algumas excelentes entrevistas a directores criativos onde o tema é muito bem tratado e que infelizmente não guardei nem fiz "bookmark"...)

re-encontrei este cartoon do Tom Fishburn, de quem sou adepto incondicional, pelos temas que escolhe e pela forma atenta e sagaz como os trata. Este cartoon acerta em cheio naquilo a que a critica criativa infelizmente se tornou... em má critica criativa!

então estes 8 tipos de "maus críticos" são TOP:

e porque é que é "má" critica criativa? isso é fácil, porque não usa os parâmetros ou pressupostos que a "boa" critica à criatividade deve usar ;)  E quais são? simplificando, organizo a coisa à volta de três questões:

1. briefing

antes de criticar qualquer trabalho, deve-se conhecer e dominar muito bem o briefing que o originou assim como os objectivos da marca. Ahhhh, nenhum mau briefing dá origem a uma boa campanha criativa!! (deixo o tema do que é um bom Vs mau briefing para depois). Assim, a primeira questão é: Cumpre ou não cumpre o briefing? (objectivos, target, mensagem, ...). Se cumpre avança, se não cumpre volta atrás

2. comunicação

um determinado trabalho pode ser esteticamente lindo, excelente em termos de design, pode ser uma verdadeira obra de arte... mas se não cumprir a sua função de comunicar algo, que o brief tem de definir de forma explicita, então esqueçam, no good...

por isso a segunda questão é: Comunica uma mensagem, de forma directa e simples? e aqui é importante que só comunique uma mensagem, e de preferência o benefício do produto/serviço para o cliente... não duas ou três ou quatro mensagens, mas sim uma!! coisa que os marketeers se tendem a esquecer... (sobre este tema aconselho mesmo o post "o segredo esta na massa! no molho! não está no benefício!")

3. impacto

se não fizer o cliente querer ver, ler ou ouvir a mensagem então... não serve. Porque a mensagem tem de ficar na cabeça do cliente para a partir daí influenciar o processo de compra/ de escolha do produto ou do serviço. Para a mensagem ficar na cabeça do cliente tem de o impactar!!! seja de que forma for (mais coisa menos coisa...). Por isso, a publicidade causa impacto (junto do target definido pelo briefing)?

muito, mas muito importante, a critica criativa como podem ver, não é uma questão de "gosto". Saber avaliar a qualidade de um trabalho é independentemente do gosto pessoal de quem avalia. Até porque a maior parte das vezes quem critica o trabalho está longe de fazer parte do target. As campanhas, as peças, a publicidade são para um determinado target, e é a esses que tem de impactar (sugiro que espreitem o post "uma questão de impacto")

last but not the least, uma boa critica criativa implica coragem, sim coragem. Coragem para aceitar e levar para a frente campanhas verdadeiramente originais e criativas

e depois de tudo isto, simplesmente não resisto a partilhar o outro lado da moeda ;)

ainda sobre criatividade, neste caso sobre criatividade e prazos, sugiro o post "criatividade, prazos e o "overnight test" #KeepReading

opiniões?

May 31, 2015

internet trends: 2015 e além

estamos naquela fase do ano que somos bombardeados com trends disto, trends daquilo, trends por tudo e por nada. O #asMarcasqueficam não podia deixar de alinhar no trend ;)

há já 20 anos que Mary Meeker, partner e analista da Kleiner Perkins Caufield & Byers, apresenta o seu documento anual sobre as principais tendências da Internet; esta quarta-feira, dia 27, voltou a fazê-lo durante na Code Conference, que teve lugar na Califórnia

o documento dá uma perspectiva global e exaustiva de como a Internet é usada por todo o mundo, como é ocupado o tempo online, qual a evolução da utilização dos equipamentos mobile, quais as plataformas ou apps mais utilizadas globalmente, entre outras

essencial para quem quer saber o que se passa no mundo digital e quais são as perspectivas de futuro

veja em baixo toda a apresentação de Mary Meeker


e aqui podem encontrar um artigo muito bom da TechCrunch com os principais destaques da apresentação deste ano

May 29, 2015

papel higiénico, diferenciação e dragon ball

o caso é por demais conhecido por todos! o sucesso da estratégia da Renova na diferenciação do seu produto é reconhecido, nacional e internacionalmente

já o que não pára de me surpreender (e ainda bem) é o poder do efeito WOW da diferenciação e de como ele ultrapassa até questões culturais

senão, vejam esta pérola! com som por favor, porque é o entusiasmo da voz off que faz toda a diferença:

The Sexiest WC on Earth by Renova, featured on a Japanese TV channel.
Posted by Renova Blackpaper on Wednesday, May 27, 2015


como sugeriu um amigo (obrigado Pedro Saraiva pela dica), parece que até imagino o Krilin e a Bulma do Dragon Ball a decorar a casa e a comprar Renova! demasiado bom, não acham?

May 13, 2015

se conseguimos isto com um só outdoor, imagine com a rede toda

a JCDecaux, com ajuda da BBDO Bélgica, criou recentemente mais uma daquelas acções para "provocar" os directores de marketing!


o objectivo? serem recebidos pelos directores de marketing para uma apresentação do research mais recente acerca da eficácia do meio OOH

o resultado? segundo os próprios, conseguiram com que todos os directores de marketing agendassem uma reunião com o grupo!

como? vejam o vídeo com o case, porque vale a pena!



gostei particularmente da parte, "se conseguimos isto com um só outdoor, imagine com a rede toda"

um MUITO bom exemplo de articulação entre a criatividade da comunicação e o meio. Boa publicidade é assim, a ideia criativa existe, e usa o meio para potenciar o seu alcance