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good bots, bad bots, and... humans

de repente o "marketing" como o conhecemos está morto! e deve ser, urgentemente, substituído pelo "growth hacker"! Silicon Valley - e o COVID-19 - assim o ordenam. E o que é um growth hacker? nas palavras de Andrew Chen, no artigo "Growth Hacker is the new VP Marketing"

"Growth hackers are a hybrid of marketer and coder, one who looks at the traditional question of “How do I get customers for my product?” and answers with A/B tests, landing pages, viral factor, email deliverability, and Open Graph. On top of this, they layer the discipline of direct marketing, with its emphasis on quantitative measurement, scenario modeling via spreadsheets, and a lot of database queries. If a startup is pre-product/market fit, growth hackers can make sure virality is embedded at the core of a product."

e o "direct marketing" aparece novamente como o futuro do marketing ;) só que hoje são "cliques", em vez de cupões de jornais! de repente o digital parece ser a única salvação do marketing, e o growth hacker o seu messias! nas palavras de Ryan Holiday,
"Growth hacking threw out the playbook of traditional marketing and replaced it with only what is testable, trackable, and scalable. Its tools are emails, pay-per-click ads, blogs, and platform APIs instead of commercials, publicity, and money. While traditional marketing chases vague notions like “branding” and “mind share,” growth hackers relentlessly pursue users and growth — and when they do it right, those users beget more users, who beget more users. They are the inventors, operators, and mechanics of their own self-sustaining and self-propagating growth machine that can take a start-up from nothing to something”
por mim tudo bem... mas não sem antes perceber que quase metade do tráfego da Internet vem de bots - aplicações de software que executam tarefas automatizadas para quase tudo o que se possa imaginar na Internet... o que nao acontecia com os cupões dos jornais...

em 2019, segundo dados do recente "Bad Bot Report - Bad Bots Strike Back (2020)" da Imperva (link),  o tráfego de "bad bots" atingiu o valor mais elevado de sempre, representando 24,1% de todo o tráfego na Internet. Se acrescentarmos a atividade dos "good bots", percebemos que 37,2% do tráfego na Internet não é humano. Por sua vez, o tráfego humano na Internet aumentou em 1,1%,  para 62,8% do total



a boa noticia, é que em 2014 só pouco mais de 40% do tráfego na Internet era Humano, hoje ultrapassa os 60%. A má noticia é que, quase 40%, ainda são bots...


eu não estou por isso preparado para deixar a minha profissão nas mãos de bots, bons ou maus ;)

até porque os "good bots" podem enviesar os analytics da web, fazendo com que algumas páginas pareçam mais populares do que realmente são. Por exemplo, se fizer publicidade do seu website, os "good bots" podem gerar uma impressão, mas esse clique no anúncio nunca se converte no funil de vendas, porque não é uma pessoa

contas "por alto", para um CTC de 1 eur, se tivermos 100 cliques, 60€ do investimento foram efetivos, 40€ foram diretamente para a plataforma anunciante (provocada por bots, mas que o anunciador paga e a plataforma cobra)... por isso na verdade a campanha não chegou a 100 pessoas, chegou a 60 e o CTC real foi de 1,67€

se os analytics do website estiverem poluídos com bots, qualquer decisão baseada na origem desse tráfego está potencialmente "viciada". Ser capaz de separar inteligentemente o tráfego gerado por utilizadores humanos legítimos, "good bot", "bad bots" é essencial para a tomada de decisões comerciais informadas

por isso, como diria Yoda "So certain were you. Go back and closer you must look"

175 páginas condensadas em anúncio no jornal Metro

o autor Paulo Coelho contratou directamente a Agência Paulista Loducca para criar uma campanha que celebrasse o facto de os seus romances estarem no ranking de "best sellers" do New York Times há sete anos consecutivos

com este briefing, a agência criou um unico anúncio impresso onde publicou o texto inteiro - sim o texto inteiro - do romance do autor 'O Alquimista'

175 páginas condensadas em página dupla no jornal Metro


a agência Loducca disse ao AdFreak que este anúncio de jornal foi impresso com tamanho de fonte 4,1. Existiu ainda uma versão outdoor, com o texto do romance colocado num só mupi (com tamanho de fonte 12...)


no copy das duas versões do anúncio ainda econtraram espaço para dizer: "O Alquimista" Sete anos entre os best-sellers do New York Times Graças à 70 milhões que leram o livro. Se você não é um deles, leia este anúncio."

estive a conter-me até agora, chega! a esta altura tenho mesmo, mas mesmo, de perguntar, O QUE É ISTO? como é que isto pode ser considerado um bom anúncio, com destaque na edição online da Adweek?

escrevi recentemente no post "everyone is a fu*$#ing critic..." sobre os principais pressupostos que a "boa" critica à criatividade deve usar. Esta peça - para mim - não passa em nenhum

qual é a ideia criativa? no limite "tenta ser engraçado", mas acaba a fazer os leitores de palhaços: "Sabias que os meus livros são best sellers? Não compraste nenhum livro meu? tenta ler este... se conseguires. Ahaha"

impacto? zero. No pior cenário, que descrevi em cima, ainda é negativo. Isto não vai dar a ninguém vontade de ler Paulo Coelho... Vai?

mensagem? upsss... mais valia terem escrito nas duas paginas a tamanho de letra 45 "o Paulo Coelho é um escritor premido, já leu alguma coisa dele?"

não havia necessidade... 

nem tudo o que reluz é ouro (2)

o post "nem tudo o que reluz é ouro" (ver aqui) era dedicado à conclusão de que: o tráfego humano na web representa apenas 40% do tráfego total na rede; os restantes 60% são "causados" por boots sejam eles bons ou maus

os resultados do estudo mais recente da Google - "The Importance of Being Seen" - vêm atirar mais uma pedra ao charco do digital: 56,1% da publicidade que é apresentada nas plataformas da Google não é na realidade vista pelos utilizadores, basicamente porque aparecem fora da janela do navegador (ver estudo completo aqui)

e a conclusão é que o posicionamento e o formato do anúncio numa página Web fazem toda a diferença (claaaaro!!!)

assim sendo a Google aproveitou para deixar algumas dicas importantes, ainda que algumas delas já sejam do conhecimento de quem trabalha na área: a posição do anúncio na página faz muita diferença, com destaque para os banners que aparecem no último ponto visível da página, antes do scroll; o formato e tamanho utilizado também influênciam aa visibilidade do anúncio, sendo os formatos verticais os que apresentam melhor taxa de visualização; e o tipo de publicação em que o anúncio aparece, com os sites de comunidades online e os sites de jogos online com as melhores taxas de visualização



obrigado Google por seres tão amiga dos anunciantes [sarcasmo -.-''''] que forma tão top de concentrar o interesse dos anunciantes numa posição(ões), e com isto aumentar drasticamente o valor dessa(s) posição(ões)...

a Custo, vai ao Lidl

toda a gente conhece a Custo Barcelona, certo?




















e toda a gente conhece o Lidl, verdade?




















e agora pergunto, o que é que estas duas marcas têm de comum?

eu diria que rigorosamente nada...

mas, afinal, têm uma coleção de roupa: a "Growing by Custo" desenvolvida exclusivamente para o Lidl

OMFG.




































este movimento, para mim, é surpreendente (e não no bom sentido)!! o universo do Lidl não tem nada a ver com o da Custo: as marcas oferecem produtos diferentes, têm estratégias de pricing diferentes, dão experiências de consumo diferentes, têm valores e associações diferentes e estão em indústrias completamente diferentes

mas não é mau de todo... esta estratégia de co-branding, aos meus olhos, só não faz sentido do lado da Custo. Eu entendo a perspectiva do Lidl e de como a marca está a tentar oferecer roupas de qualidade, tais como as da Custo, a preços mais baixos. Faz sentido

mas não o contrário. A Custo está a tentar chegar a um leque mais amplo de consumidores, mas são consumidores que dificilmente vão trazer valor acrescentado à marca... As roupas criadas para o Lidl são mesmo muito mais baratas do que as roupas normais nas lojas da marca. Um vestido Custo no Lidl custa 17,99 €, enquanto um vestido Custo Dalmau pode custar entre os 65 € e os 250 €. O que é que a marca e o consumidor padrão da Custo ganham?

aqui entre nós, só vejo que a Custo ganhe numa espécie de negócio entre departamento de compras... com a coleção vendida à cabeça ao Lidl, estando do lado do Lidl o "esforço" de escoar a coleção; é dinheiro em caixa para a Custo, à conta de um arranhão (bem grande) na marca...

a Custo deveria ter procurado uma marca com a qual partilhasse um universo semelhante e com a qual fosse possivel criar associações mais relevantes. O Lidl sai melhor da figura que a Custo, digo eu. O que acham?

premium low cost e alhos com bugalhos

faz tempo que foi lançada pela Best Travel uma campanha que introduz um posicionamento verdadeiramente inovador: o "premium low cost"

























e é tão inovador... como mau! mau porque não comunica verdadeiramente nada, afinal o que é uma coisa "premium mas barata"? e mau porque atira pedras a ambos os posicionamentos "premium" e "low cost", ao confundir tudo, nomeadamente a cabeça dos clientes

e lembrei-me de falar disto, porque a Seat acabou de fazer exactamente a mesma asneira, apesar de não usar o termo... mas mais valia. Numa campanha recente, e com bastante visibilidade exterior, lançaram o modelo Seat Ibiza FR, por apenas 15.600eur, chave na mão

























para quem não sabe, o "FR" é o modelo de topo da gama Ibiza! é como o Cupra para a gama Léon. Com todos os luxos e um motor que faz efectivamente as delícias dentro do segmento. Diria eu, o modelo premium da gama Ibiza. E o que é este "FR por 15 600 euros"? é o premium low cost =DDD ora, por fora é igual ao original, por dentro tem um "motorzeco" de 85 cavalos #LOL

agora digam-me, quem tem um verdadeiro "FR" como vai ficar ao ver isto? mais uma pedrada no "premium". Eu agora nunca compraria o original sabendo que andam para ai "FR's aldrabados". E por isso o titulo de "alhos com bugalhos"... que confusão

agora, a genialidade da Seat pode estar precisamente noutro lado, ao criar um modelo para um target que gosto de caracterizar como "quem quer mas não pode", e que em portugal deve ser significativo! já estou a ver "olhem para mim com um modelo TOP, olhem é um FR =D"... só não puxem é muito por ele na estrada =DD

comparando, era a mesma coisa que a LV a lançar um modelo de mala barato, uma coisa tipo premium low cost, para fazer concorrência às imitações chinesas #LOL estão a ver o que ia acontecer a quem realmente paga milhares de euros por uma LV não estão?

como já dizia o Diácono Remédios "não havia necessidade", não havia mesmo necessidade de andar a destruir posicionamentos, para em troca deixar esta confusão. Se fosse baralhar para dar de novo, mas com sentido? tudo bem! agora assim?

nem tudo o que reluz é ouro

de repente o marketing está morto! e deve ser, urgentemente, substituído pelo "growth hacker"! Silicon Valley ordena =D e o que é um growth hacker? nas palavras de Andrew Chen, no artigo "Growth Hacker is the new VP Marketing"
"Growth hackers are a hybrid of marketer and coder, one who looks at the traditional question of “How do I get customers for my product?” and answers with A/B tests, landing pages, viral factor, email deliverability, and Open Graph. On top of this, they layer the discipline of direct marketing, with its emphasis on quantitative measurement, scenario modeling via spreadsheets, and a lot of database queries. If a startup is pre-product/market fit, growth hackers can make sure virality is embedded at the core of a product."
e lá vem outra vez o "direct marketing" ser o futuro do marketing =DDD sim, digo outra vez porque já algures pelos anos 40 ou 50 do século passado David Ogilvy dizia exactamente o mesmo, só que na altura não eram "cliques", eram cupões de jornais. A obsessão por medir leva a estes radicalismos... nada contra o medir, bem pelo contrário! mas medir o quê?! no caso do "growth hacker" a resposta, segundo Ryan Holiday, é
"Its tools are emails, pay-per-click ads, blogs, and platform APIs instead of commercials, publicity, and money."
ao Andrew Chen e ao Ryan Holiday, deixo a seguinte dado: o tráfego humano na web representa apenas 40% do tráfego total  na rede. Os restantes 60% são causados por "boots" sejam eles bons ou maus



















e esta, hein? eu ainda não estou preparado para deixar a minha profissão nas mãos de boots =D mas só estou a deitar mais lenha para a fogueira. O que acham?

nós só fomos ali e não demoramos nada

"nós só fomos ali e não demoramos nada"!!!! copy espetacular para a acção de guerrilha:
"os lisboetas que hoje de manhã (11 de Novembro) tentaram estacionar o automóvel no parque ao ar livre do Saldanha, em Lisboa, depararam-se com os lugares ocupados por cadeiras de rodas, iniciativa que pretendeu alertar para a utilização indevida dos espaços reservados a deficientes

as cadeiras de rodas, algumas com os seus ocupantes, outras não, apresentavam recados escritos com mensagens como "volto já", "demoro só um bocadinho" ou "vou só beber um café", as justificações habituais para quem, não tendo qualquer tipo de limitação física, estaciona o seu automóvel nos lugares reservados a pessoas com deficiência

a ação cívica "Ocupe o seu lugar" foi organizada pela Associação Salvador, em parceria com o grupo Lisboa (in)acessível e com a EMEL, e trata-se de "uma forma de protesto por todos os cidadãos que não respeitam os lugares das pessoas com mobilidade reduzida", disse à agência Lusa o presidente da associação" 
tudo isto pode ser lido no Expresso (via). E a acção parecia-me familar! já sei!! a 23 de Setembro (de 2013):
"um protesto diferente marcou o último sábado (21), em Boa Vista. As vagas de estacionamento do comércio da Avenida Jaime Brasil estavam ocupadas por 16 cadeiras de rodas. A iniciativa surgiu de um grupo local para conscientizar a população sobre o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.
a vereadora Mayara Ferreira (PMDB), defensora da causa, enfatizou que o ato é para sensibilizar a população. “A ação serve para as pessoas sentirem na pele o que passamos e também a dificuldade de procurar uma vaga e não ter”, desabafou."
tudo isto pode ser lido no Portal Amazonia (via). E mesmo assim... continuava a parecer-me familiar:
"no dia 30 de abril (2013), numa iniciativa organizada pelos alunos de Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade Humanas, da UTAD (Vila Real, Portugal), os vários lugares de estacionamento, numa das ruas mais movimentadas da cidade, foram ocupadas por cadeiras de rodas.

o objetivo principal desta iniciativa foi sensibilizar os cidadãos, nomeadamente os automobilistas, para o respeito pelo espaço público, de modo a evitar a ocupação abusiva dos lugares destinados a deficientes. 

um outro propósito foi perceber como a sociedade reage e qual o contributo que os alunos de Engenharia de Reabilitação podem dar na mudança das mentalidades."














 
tudo isto pode ser lido no blog Bica (via)

uffffff... parei!

a acção é excelente!!! seja onde for e quando for. E podem repetir 500 vezes, que eu vou estar lá estar a apoiar. Mas quis aproveitar para mostrar a dificuldade que muitas vezes a originalidade enfrenta na área da comunicação. Que acharam?

agência coloca publicidade nas pernas de mulheres

a acção não é recente, mas tanta gente me disse que tinha de pôr no blog que eu obedeci [lol]! e na verdade é fora da caixa o suficiente para merecer o destaque

a agência japonesa "Absolute Territory" lançou uma campanha em que usa as pernas das jovens japonesas como meio de comunicação. A banda de música "Green Day" abriu as hostilidades



















elas devem dar visibilidade à marca, na forma de tatuagem removível, no mínimo durante oito horas por dia! e claro, usar mini saias e, segundo a agência, preferencialmente com meias compridas :D :D parte do contrato está também a "obrigado" de divulgarem fotos suas (onde se veja a publicidade) nas redes sociais, como o Facebook, Twitter e outras. As duas condições básicas para concorrer ao trabalho? ter uma presença nas redes sociais minimamente activa e ser maior de 18 anos.





vejam o vídeo com a acção:



na verdade... acho que deram um passo maior que as pernas :p Que acham?

ganha as miúdas

faz-me lembrar a expressão, "mais uma fichinha, mais uma voltinha! criança não paga... mas também não anda"! a AXE ainda não deixou "morrer" o Astronauta e já está ao ataque novamente















a receita é (sempre) a mesma, por isso mais palavra para quê?! trata-se do lançamento do novo produto, um shampoo anti-caspa, com o vídeo "perde a caspa, ganha as miúdas". A receita pode (e em muitos casos até deve) ser a mesma. Mas de todos os vídeos que me lembro da AXE este não é de todos o melhor... falta-lhe a ideia criativa, por exemplo, dos anjos a cair do céu da ultima campanha... que vos parece?

o vinho e a escrita nem sempre são bons amigos

as histórias de negócio de sucesso não são apenas escritos a tinta, são também, muitas vezes, acompanhadas por um copo de bom vinho.  















a Casa Mariol decidiu juntar os dois conceitos, da escrita e do vinho, e criou uma caneta que escreve com vinho em vez de tinta. Para o efeito trabalhou e adaptou uma selecção especial de Cabernet Sauvignon para que pudesse ser utilizada como tinta. Cada uma destas canetas foi depois enviada para potenciais parceiros de negócio e clientes mais importantes. 
 
à primeira impressão, ficamos quase tentados a achar que é uma boa ideia! mas 3 segundos depois percebemos que é tão desadequada como uma nódoa de vinho na nossa camisa preferida num jantar de cerimónia. Ou a caneta é uma Montblanc, ou tudo é um desperdício. Desperdício de vinho e de dinheiro. É desadequada pela sensação de estranheza! O que tem de interessante escrever a vinho? Porque é que eu vou encomendar vinho com base nisso? Tentaram inovar e bateram contra a parede! Acontece aos melhores.

por isso, este post inaugura o label "nem tudo o que reluz é ouro" ;) mas deixo-vos com o vídeo do case e fico à espera da vossa opinião.