Aug 2, 2019

a ação que a Benetton queria ter feito: baloiços cor-de-rosa néon unem fronteira México/EUA

os baloiços foram instalados entre das ripas de aço numa secção do muro da fronteira, no Sunland Park, pelos arquitetos californianos Ronald Rael e Virginia San Fratello, com o apoio do Colectivo Chopeke da Ciudad Juarez, noMéxico



a ideia original foi concebida por Rael e Fratello em 2009 (ver aqui) quando estavam a ser desnvolvidos conceitos alternativos ao muro para delimitar a fronteira, projectos que dessem visibilidade aos desafios humanísticos, culturais e ambientais inerentes à construção do muro

nos vídeos e fotos partilhados por Rael, podemos ver adultos e crianças que se juntam à diversão. Como diz no tweet de um dos autores,
quando penso em marcas e ativismo / intervenção social a United Colors of Benetton está claramente no meu top of mind, daí a "provocação" no titulo. Imaginei também um baloiço feito de peças de legos e a ação ser promovida pela marca dinamarquesa, teria sido excelente também

quando a criatividade e o ativismo social inspiram as marcas. Devemos estar bem atentos à forma como a sociedade comunica e as mensagens que previligia. É de lá que deve vir inspiração e os principais insights acerca do consumidor, das gerações X, Y, Z, de tudo

o que vos parece a ideia? que outras marcas?

Apr 28, 2019

os fundamentais da segmentação em 3 minutos

a campanha mais recente do canal Dinamarquês TV2 é um short course genial em "segmentação de mercado", vale a pena ver



colocamos as pessoas em caixas e isso é normal! é assim que pensamos e é o que temos feito no marketing desde sempre... olhamos para o que o consumidor pensa e faz como uma commodity a que lhe falta profundidade e detalhe

isto leva muitas vezes à criação de personas e de estudos de mercado que ficam pela superfície e que não vão mais longe que o identificar de acções e o descrever de pensamentos discretos, relativamente desligados do consumidor final

como resultado, normalmente, temos estudos que nos dão muita informação mas que levam a uma compreensão pouco complexa daquilo que os consumidores pensam, gostam e querem (precisam...)

por isso, talvez devessemos redefinir o que é mais importante para as nossas “caixas”, isto se queremos, enquanto marcas, ser interessantes para as pessoas (e não consumidores dentro de caixas)

temos mesmo de parar de interromper as pessoas enquanto elas fazem aquilo em que estão interessadas e passar a ser tão interessantes como todas essas coisas; o nosso desafio é fazer com que as pessoas queiram gastar o seu tempo com a marca! o tempo é a nova moeda

as marcas fortes são as marcas que se tornam parte do tempo das pessoas, pela relevância! como e onde encontrar essa relevância? simples, usando a relevância (significado, benefício, propósito...) como critério de segmentação! fica a deixa 

Apr 14, 2019

77% das marcas poderiam desaparecer e ninguém se importaria!

este é um dos principais resultados do estudo Global Meaningful Brands® de 2019 da Havas. O valor mais alto de sempre desde que a pesquisa "Meaningful Brands®" começou em 2008 e 3 pontos percentuais acima dos resultados de 2017


77% das marcas poderiam desaparecer e ninguém se importaria! 

quando falo deste número, a primeira reação é sempre de ceticismo, "não pode ser verdade"! ou "não pode ser tão alto"!! o ceticismo é desde logo uma reação defensiva... porque, a ser verdade, andamos (marketeers, publicitários, ...) efetivamente muito "distraídos" (para não dizer pior...)

mas é facil chegar a este número com um exercício simples:
  1. Lista todas as marcas que fazem parte da tua vida, de memória, e sem grande esforço (durante 1 minuto no máximo...);
  2. Dessa lista, sublinha as que têm alguma forma de impacto na tua vida, que estão presentes no teu dia a dia, e sem as quais nada seria o mesmo;
  3. Agora, das marcas sublinhadas, destaca as que não conseguias substituir em menos de duas semanas por outra marca qualquer, com alguma pesquisa e dedicação...
conseguiram chegar ao ponto 3? muitas vezes não... se sim, a quantas marcas chegaram no final? dividam pelo total de marcas que tinham no ponto 1. Qual é o valor? deixem pf na caixa de comentários

sem grandes dramas, estamos provavelmente perante o maior desafio de relevância de sempre na história das marcas!

por isso escrevi no passado o post "o que aconteceria se a sua marca deixasse de existir?" com o exercício de "escrever o obituário da marca" como uma forma de pensar o futuro e o estado atual da mesma (antes que desapareça de vez...) 

sugiro a leitura aqui, pelas razões óbvias

Mar 31, 2019

a informação pertinente é aquela que vem dos clientes e a eles retorna

a McDonald’s anunciou a aquisição da Dynamic Yield, uma start-up tecnológica na área da inteligência artificial, personalização e melhoria da experiência do consumidor

de acordo com o comunicado de imprensa, a McDonald’s utilizará esta tecnologia para oferecer uma experiência ainda mais personalizada ao cliente, por exemplo, variando as opções dos menus digitais nos Drive Thru com base na hora do dia, clima, tráfego atual do restaurante e produtos mais procurados

ok. Até aqui nada que eu já não tenha visto, nomeadamente no sector do retalho, da banca online... Onde é que eu acho que está "a notícia"? na atitude da marca em querer criar conhecimento acerca do comportamento de consumo

quando se servem 68 milhões de clientes todos os dias, a nossa capacidade para aprender com os seus comportamentos e traduzir isso em tecnologia é imbatível”, disse o presidente executivo do McDonald's, Steve Easterbrook, em comunicado

a intenção é conseguir compreender os hábitos de consumo dos seus clientes e usar essa informação para tornar mais eficiente e personalizada a sua cadeia de abastecimento. Em entrevista à Wired, Steve Easterbrook, cita o processo como uma “transição do marketing em massa para a personalização em massa"



Guy Ausloos - psicólogo e terapeuta familiar - no livro "A Competência das Famílias", apresenta o que ele chama de Postulado da Informação Pertinente. De forma simples, refere que “a informação pertinente é aquela que vem da família e a ela retorna” (para a informar do seu próprio funcionamento)”. Para o caso, teria a ousadia de o adaptar: “a informação pertinente é aquela que vem dos clientes e a eles retorna”. Isto é ser customer-centric, um passo de gigante para colocar o cliente no centro da vida do negócio

Dec 29, 2018

não compre este carro. Subscreva-o!

em 2017 era anunciado que, pela primeira vez em meio século, a Volvo estava ausente no topo da lista dos carros mais vendidos na Suécia, destronada pela marca Volkswagen através do modelo Golf. O célebre compacto alemão tinha conquistado 5,9% do mercado de carros novos em 2016, à frente de três modelos da Volvo, o V70, o S90 e o V90 (que, reagrupados numa só categoria, representaram 5,7% das vendas)
“Há 54 anos que outra marca que não fosse Volvo liderava a classificação. A última vez, em 1962, também foi a Volkswagen que liderou as vendas, com o Fusca”, comemorou a Volkswagen Suécia em comunicado
e a Volvo poderia perfeitamente "ignorar" mais este alerta, cheia de si mesma, do seu sucesso e de como nada pode acontecer a quem é "grande" (como já tantas marcas o fizeram)... felizmente não!

no início de 2018, a Volvo não leva qualquer carro ao Salão de Los Angeles! "This is not a car" ou "Isto não é um carro" era a única coisa que aparecia com destaque no espaço da marca sueca. O objetivo? debater e redefinir o papel dos automóveis no futuro. Para a feira, reservou apenas o anúncio de parcerias nesse sentido com startups e empresas como Amazon e Google

a indústria está mudar.  Por isso, "em vez de apenas construir e vender carros, o que nós realmente disponibilizamos aos nossos clientes é a liberdade de agir de maneira pessoal, sustentável e segura", referiu Håkan Samuelsson, diretor executivo da Volvo Cars


e em finais de 2018, o golpe "direto de direita" na categoria: Não compre este carro. Subscreva-o. 

foi com esta mensagem que a Volvo começou a promover em Outubro o programa Care by Volvo na Alemanha. A marca quer colocar os carros que produz directamente na mão do cliente, que paga um valor mensal fixo (a “subscrição”) em vez de comprar o veículo. O pagamento mensal cobre uma série de despesas, num modelo de negócio em tudo semelhante ao que praticam empresas de outros sectores como o Netflix ou Spotify


nos anos 80 dávamos protagonismo às características e atributos tangíveis dos carros, como velocidade, cavalos, etc. (chamamos-lhes no marketing os benefícios funcionais)... Nas décadas seguintes, apostava-se nos valores da marca e de como estes se alinhavam com determinados estilos de vida (os benefícios emocionais). Até que chega 2018, com uma nova abordagem: "se gosta deste carro, não o compre. Subscreva-o" (a dar significado à utilização do carro, para além da forma como nos faz sentir)

um case merecedor de destaque na implmentação de uma estratégia customer centric! e não preciso de me alongar mais para se perceber porquê. Vale a pena guardar esta sequência de ações, resultados, consequências e (re)ações como um case de boas práticas de estratégia e marketing. Vamos aguardar pelos proximos movimentos e resultados. Farei updates ao post assim que se justificar

quem quiser aprofundar mais vale mesmo a pena ler com atenção a notícia do jornal Público "Não compre este carro" – a nova abordagem da indústria automóvel aqui. Até porque fala de outras marcas, outras iniciativas e se este não será um "renting revisitado". Para os mais interessados, fica a sugestão também da notícia  "Ser dono de um carro vai deixar de fazer sentido" aqui, também do jornal Público   

Oct 6, 2018

campanha da Vans é uma verdadeira aula sobre posicionamento | parte 2

a campanha "This Is Off The Wall" apresenta a essência de “Off The Wall” através de um conjunto diversificado de histórias, iluminando as várias formas de criatividade com que a Vans se identifica, defende e sempre apoiou

através desta campanha abrangente, de conteúdo de vídeo e de imensas plataformas de ativação local, a Vans mantêm-se perto as comunidades criativas do mundo, que valorizam o desporto, arte, música e cultura de rua, convidando todos a participar

escrevi em 2014 o post "campanha da Vans é uma verdadeira aula sobre posicionamento" que resume bem o sucesso e a forma espetacular como o fazem (ver aqui)

entretanto a Vans "brindou-nos" com o próximo o capítulo da sua campanha global,"This Is Off The Wall", com a apresentação da “Girls Skate India”, e por isso impõem-se a segunda parte do post

no âmbito da celebração do Dia Internacional da Mulher deste ano, a Vans criou mais de 100 workshops de skate nas principais cidades do mundo. Ok, até aqui, "business as usual"

mas, numa dessas iniciativas, a marca uniu-se  à 'Girls Skate India' para promover a igualdade de género e a afimação das mulheres através do skate. Atita Verghese juntou-se à skatista profissional Lizzie Armanto para mostrar às meninas locais como o skate pode ser mais do que apenas um "exercicio" ou desporto - pode ensiná-las que escolher é um direito seu, escolher o que querem para si, e a lutar por isso 

“Girls Skate India” captures the power that skate culture can have on a community. In living by its ethos of enabling creative expression and to share the philosophy of “Girls Skate India”, Vans will mobilize around the world to teach women and girls how to skateboard through a series of global skate clinics beginning March 8, 2018, International Women’s Day. Vans will host more than 100 skateboarding clinics in major cities, ... inviting women to learn something new alongside their peers and together inspire a new wave of women’s skateboarding progression (fonte



uma iniciativa de branding que mostra o que a marca representa, o que defende, e como se apresenta! Quem se identifica, direta ou indiretamente com esse estilo de vida e com estes valores, não vai ficar, garantidamente, indiferente! e isso sim, é posicionar uma marca dentro da cabeça das pessoas (de forma consistente e ao logo do tempo)!

Sep 6, 2018

lápis de cor & legos: posicionamento 101

a marca GIOTTO lançou recentemente uma variedade de doze lápis para colorir com os tons de pele mais encontrados nas pessoas

não é a primeira marca a fazê-lo, existem outras, como por exemplo a Faber-Castell ou a Lyra, também com colecções mais ou menos semelhantes, de lápis para colorir com os diferentes tons de pele

quis no entanto aproveitar o momento para deixar aqui este exemplo de como trabalhar o posicionamento de uma marca com o lançamento de novos produtos. Com isto, a Giotto está a construir uma imagem de "responsabilidade social", "cidadania" e de "proximidade" com o seu produto de sempre: lápis!



isto, sem orçamento significativo de média é verdade, podiam ter aproveitado mais... mas para todos os efeitos com conteúdo relevante e que as pessoas vão querer partilhar nas redes sociais, aliás onde eu próprio descobri este novo produto! e quem cair na tentação de dizer que lápis de cor são "commodities"... desengane-se! e leia este post todos os dias de manhã até ter aprendido ;) 

por sua vez, a fabricante dinamarquesa de brinquedos LEGO tem em curso uma "mega" transformação dos blocos coloridos mais famosos do mundo! Mas ainda pode demorar 15 anos e, se tudo correr como a empresa quer, ninguém vai notar a diferença na experiência de utilização

a marca está a procurar alternativas de base biológica para o plástico derivado do petróleo usado há décadas para produzir os "legos"! 


o processo deverá ser lento, estendendo-se até 2030, porque nenhuma das alternativas aos plásticos existentes hoje, como os produzidos com matérias-primas derivadas de plantas, atendeu as exigências da empresa para dar aos blocos da Lego a sua aparência e tacto característicos. A marca já utiliza polietileno produzido através de cana-de-açúcar para as peças flexíveis como as asas de dragão, palmeiras, etc., mas o material é muito mole para os blocos

a Lego em "tempo real", a trabalhar sustentabilidade social, a mostrar-se atenta ao problema do plástico, e a colocar-se ao lado da solução! espectacular como sempre, os media "adoram" e é noticia atrás de noticia! aliás quem quiser aprofundar mais o tema, sugiro a leitura do artigo do NY Times dedicado ao tema aqui



são dois exemplos iniciativas de posicionamento muito bem conseguidas, mais palavras para quê. Aula sobre posicionamento excelente, dada por quem sabe: as marcas que ficam ;)

Aug 14, 2018

E-mart na Korea cria pack "uma-banana-por-dia"

pack de "uma-banana-por-dia" com bananas em diferente fase de maturação para se poder comer durante durante vários dias? embalagens de plástico à parte, tem tudo para ser brilhante


também estão cansadas/os de deitar bananas fora porque amadureceram e não deu tempo de as comer?

a rede de supermercados sul-coreanos E-Mart tem a solução: bananas embaladas, cada uma com vários níveis de maturação!

em baixo o tweet que parece ter dado origem ao boom de visibilidade da iniciativa, pelo @AskAKorean


e também algums dos tweets que se lhe seguiram, de clientes com o produto na loja 



um pacote de seis bananas custa 2.980 won sul-coreanos no site da E-Mart, o equivalente a aproximadamente 2.32€'s (o que não faço ideia se é caro ou barato na Korea...)

já a antecipar a dica dos mais cépticos: dá fazer isto sozinho na mercearia!! verdade, mas não é a nada a mesma coisa... e não convém esquecer que "mercearia" não é um conceito com implementação global ;)

seja como for, não se fala de outra coisa na "Internet of Things", logo já cumpriu um objectivo importante: comunicação

o que eu gostei mais na ideia? o facto de acrescentar um beneficio real a quem compra, e por isso ser uma iniciativa a pensar no cliente! um pequeno - mas excelente - exemplo da diferença entre modelos de desenvolvimento "product centric" Vs "customer centric"

Jul 30, 2018

o que aconteceria se a sua marca deixasse de existir?

alguém lamentaria a morte da sua marca?


os jornalistas escreveriam capas de jornais a anunciar as suas conquistas? ou simplesmente adicionariam o facto a uma lista de histórias passadas remetidas para ultima página? os analistas expressariam o seu desapontamento e a perda para o mercado? ou salientariam os indicadores que tornavam a morte previsível? será que os colaboradores se perguntariam como foi possivel uma morte tão abrupta? ou saberiam perfeitamente que isso era inevitável? os clientes lamentariam a sua falta? ou já nem tinha clientes...

uma das principais conclusões do estudo "Meaningful Brands" do Havas Media Group (2017) - wake up call - refere que os portugueses não sentiriam a falta de 74% das marcas com que interagem todos os dias, se estas desaparecessem amanhã! um número que, de resto, é exactamente igual ao resultado global do mesmo estudo que foi realizado através do inquérito a 300 mil pessoas, de 34 mercados, 12 sectores diferentes e tendo em consideração mais de mil marcas... #ups! (fonte)


centenas de marcas desaparecem todos os anos sem deixar grandes vestígios da sua existência, para além de uma memória vaga de terem feito parte da nossa vida. Marcas lideres, daquelas que aparentemente seriam lideres "para sempre", foram facilmente substituídas e esquecidas. Só a titulo de exemplo, nos telémóveis a Nokia e a Motorola, na fotografia a Kodak e a Polaroid... poderia continuar...

mas também outras centenas de marcas ficam! daí o nome deste blog, dedicado a elas. Marcas que permanecem relevantes, "independentemente" da geração (X, Y, Z, L...). Marcas que se actualizam, marcas que mantêm significado para os clientes e que continuam por isso a ser preferidas

um exercício que me tem ajudado a ajudar a pensar o estado actual de uma marca é precisamente forçar a resposta à pergunta: o que aconteceria se a marca deixasse de existir? é inspirado no excelente trabalho de Denise Lee Yohn e consiste em desafiar as pessoas (colaboradores, clientes, ...) a escrever o obituário da marca
‘um obituário é um registro necrológico veiculado nos meios de comunicação social. É um formato jornalístico do género utilitário, informando da morte de um indivíduo em particular. Em caso de pessoas famosas, normalmente traz um resumo das suas realizações em vida, com destaque para os episódios que as tornaram notáveis.’ (fonte)
não é o pensamento mais agradável, é verdade! mas ajuda ao processo de imaginar como seria se a marca com que interagimos todos os dias deixasse de existir. Neste exercício ajuda pensar a marca como se fosse uma pessoa, na sua totalidade, e tudo o que ela envolve – nos seus melhores dias, e quando executada com excelência.

é simples, "finja que é um repórter de um jornal local que tem de escrever o obituário para essa pessoa (a marca X), que acabou de falecer hoje." Este cenário inventado vai ajudar a olhar de frente para a essência da marca. Algumas questões que segundo a autora ajudam:
.Qual foi a maior conquista? Da qual será lembrada?
.Quem é que a marca deixa para trás? O que ficou por cumprir?
.Quem é que vai chorar por ter perdido a marca? e por quê?
.Que lições podem ser aprendidas com a vida da marca?
.O que pode ser aprendido na sequência da sua morte?
.Agora que a marca se foi, o que ocupará seu lugar?
depois de completar o texto, deve-se escrever um titulo que capture tudo o que é dito no obituário; esse título, a maior parte das vezes, captura em toda a plenitude o estado actual da própria marca

por norma costumo pedir para escreverem os obituários individualmente, mas depois partilhá-los com o grupo. Como são partilhados em voz alta, geralmente há algum desconforto (falar sobre o fim da marca não é compreensivelmente uma actividade desejável), mas há sempre, sempre, momentos de revelação, ou pelo menos momentos de externalização de informação pertinente

é recorrente surgirem temas comuns dentro da mesma marca e que a caracterizam perfeitamente e com grande clareza, para o melhor (por exemplo, conquistas, marcos históricos, quem sentirá a sua falta) e para o pior (por exemplo, causas da morte...)

é um exercício poderoso, mas que não deixa de ser um passo de diagnóstico! o trabalho ainda está todo por fazer ;) construir em cima do que se sabe e para conseguir o que se quer, uma marca relevante

May 31, 2018

perspective is the new truth

deixo um exemplo curioso que serve para compreender o que a empresa 'cambridge analytica' fez com os dados pessoais que 'recolheu'. De acordo com os "likes" e não "likes", uns recebiam mensagem de conteudo "A",  outros de conteudo "B"... porque, tal como a beleza, também a verdade 'is in the eye of the beholder'

as imagens em baixo dizem respeito ao exacto mesmo momento:



daí o titulo, 'perspective is the new truth'. Mas talvez tenha sido sempre assim, só que hoje é mais evidente do que nunca, uma vez que cada mão traz um telefone (leia-se câmara) com potencial de aceder e criar conteúdo (bom ou mau) e de o divulgar para o mundo inteiro em (milésimos de) segundos

as marcas que conseguirem alavancar (pela positiva) esta forma de gerar conteúdo – do ponto de vista do cliente, para o cliente – vão certamente conseguir ser mais relevantes

como?

Guy Ausloos (1996) no livro "A Competência das Famílias – Tempo, caos, processo", a partir da Teoria Ecossistémica da Comunicação, apresenta-nos um postulado particularmente interessante e que me parece que nos pode ajudar aqui: o postulado da informação pertinente. De forma simples, refere que “a informação pertinente é aquela que vem da família e a ela retorna”. Para o caso, teria a ousadia de o adaptar: “a informação pertinente é aquela que vem dos clientes e a eles retorna”. Fica o desafio