Feb 21, 2018

dos ecrãs tácteis às interacções sem toque

o Projeto Soli da Google está a desenvolver um novo sensor de interação humano/máquina, e as mãos são - literalmente - o único interface necessário!


com tecnologia utilizada atualmente em radares, o sensor pode rastrear movimentos de sub-milímetros a alta velocidade e com enorme precisão. O sensor, que se encaixa num chip, pode ser incorporado em pequenos dispositivos ou objetos do quotidiano e produzido em larga escala

o vídeo do projecto:



para detalhes de como funciona, vale a pena visitar o site. O chip Soli pode (e deve) ser incorporado em portáteis, telefones, computadores, carros… you name it

não possui peças móveis e consome pouca energia. Também não é afetado por questões de luminosidade (que poderiam interferir na interacção) e funciona através da maioria dos materiais existentes. É claramente merecedor do hashtag #thenextbigthing

é so Imaginar as (inúmeras) possibilidades... Vamos ver qual é a primeira marca de telemóveis a incorporar a tecnologia! Aceitam-se sugestões...

Feb 18, 2018

IA é a nova IA

o debate filosófico entre inteligência artificial (IA) e inteligência aumentada (IA) é recente, com apenas meio século de existência

de um lado, o campo da IA - inteligência artificial - acredita que o futuro da computação é a existência de um sistema autónomo que pode ser ensinado a imitar/substituir funções humanas (máquinas inteligentes); um exemplo recente é o carro autónomo da Google, onde a máquina substitui completamente a intervenção e a interação humana

por outro lado, a IA - inteligência aumentada* - ​​acredita que a tecnologia da informação (hardware e software) pode complementar e aumentar a capacidade - motora e/ou cognitiva - do ser humano, mas deixando sempre o ser humano no centro da interação humano-computador

parece-me muito bem que a indústria abrace a inteligência artificial, mas não tenho qualquer dúvida que a "interação humano <> tecnologia" terá aplicações bem mais criativas e poderosas que a "substituição do humano por teconologia"

nas palavras de Tim Brown (autor de "Change By Design" e CEO da @IDEO) num artigo que encontrei recentemente "Design for Augmented Intelligence: Bringing a human-centered approach to big data and smart machines":  
"Data by itself is inert — dumb raw material. Making things smart will mean designing with data in a way that reflects and responds to human behavior,
(...) designing with data in a way that reflects and responds to human behavior. That means making it dynamic. Flexible. Evolutionary. It will have to exist in relationships. And relationships, as we all know, are complicated. Moreover, we now have relationships not just with each other, but also with our phones and networks and bodies and cars."
gostei particularmente da noção de "design evolucionário", que me levou a este vídeo de Michelle Thaller, atrónoma: "Augmented evolution: Why the definition of “human” is about to change". Uma abordagem extremamente interessante:
 

do vídeo, é particularmente curiosa a afirmação: "he always reminds me that what technology did for him was make him more connected, more emotional". E esta, hein?

quer acreditarmos em Jean-Jacques Rousseau ou não, não serão as máquinas o nosso maior desafio! Seremos nós, como sempre fomos:
"Trabalhos como o “Erro de Descartes” – pela mão de António Damásio – ou o livro “Predictably Irrational” – de Dan Ariely – vieram marcar um ponto de viragem. Mostram como é inquestionável que o que torna os Seres Humanos únicos – diferentes dos restantes animais ou dos computadores – são as emoções e a forma como estas influenciam o que sabemos ou pensamos. As emoções orientam o processo de tomada de decisão, a construção da experiência e a relação das pessoas entre si e com tudo o que as rodeia." (fonte: "O “storytelling” e a gestão de marcas")
*em inglês "Augmented Intelligence" ou "Intelligence Amplification"

Dec 27, 2017

tu és único, tu és diferente, tu és especial

como é que as marcas podem chegar aos millenials? agora é mais fácil que nunca

"This Is a Generic Millenial Ad" é um anúncio à geração "milénio", perturbadoramente perfeito, feito exclusivamente de imagens e de vídeos de banco de imagem (stock footage)


o vídeo começa com a voz off a ditar o repto principal "Tu és único. Tu és diferente. Tu é especial" à  medida que vão sendo "lançadas", uma atrás da outra e de forma implacável, cenas que são clichés visuais perfeitos desta geração

só falta a mensagem "insert logo here"



o vídeo foi desenvolvido em parceria entre a equipa da Dissolve, um site dedicado de stock footage, e da agência de design And/Or. Outros vídeos da série, que recomendo vivamente, incluem "This Is A Generic Brand Video" e o "This Is A Generic Presidential Campaign Ad"

este "meta-anúncio" é um alerta à navegação para as marcas e agências, chama a atenção para o perigo de olhar para o target de uma forma "one size fits all", uma tentação em que as marcas e as agências podem cair quando falta tudo, nomeadamente uma compreensão clara do seu target (de comunicação e de consumo)

Dec 8, 2017

propósito, originalidade e valores

disclaimer: sim, sou Boavisteiro; mas não, isso não tem nada a ver com a razão deste post, tirando o facto do enorme orgulho que sinto por "ser" desta marca!


o Boavista anunciou a renovação de contrato com o atleta Edu Ferreira.  O jovem, de 19 anos, formado nas escolas dos axadrezados, viu o vínculo ser prolongado até 2018/19, numa altura em luta contra um cancro na perna direita, motivo pelo qual teve de interromper a carreira


e o que isto tem a ver com marcas? t u d o. Marcas fortes são marcas que fazem parte da vida das pessoas, têm um significado, fazem sentido na história (atual, passada ou futura) das mesmas, e por isso são relevantes. Esta é uma excelente iniciativa que materializa - na minha opinião - a "santíssima trindade" das marcas fortes! nas palavras de Joah Santos: "propósito, originalidade e valores"

sobre isto, e para quem quiser aprofundar mais o tema, aconselho seriamente a leitura dos artigos do Joah Santos 'BE SIGNIFICANT! - How iconic brands stand out in a crowded world' (link) e '3 stage engine to leadership' (link) e também a leitura do meu artigo 'O “storytelling” e a gestão de marcas' no jornal Observador (link)

o ROI desta iniciativa original ultrapassa em longe qualquer ação de simples compra de meios: constrói marca, cria goodwill e, por isso, reforça a ligação com os adeptos (leia-se, clientes)

sobre marketing (do bom, porque do mau ninguém quer) não me esqueço das palavras do Luis Reis nas aulas de marketing no MBA: "coragem, o marketing é tudo sobre ter coragem!" coragem de criar um posicionamento e defendê-lo, coragem de avançar com campanhas que - não sendo "mais do mesmo" - têm mais risco, mas um retorno gigante

Nov 26, 2017

comportamento do consumidor, Black Friday e Nietzsche

"um blog sobre marcas tem de falar sobre o black friday"... inspirado nesse desafio, aqui fica o meu contributo

"Previsivelmente Irracional" é um livro de Dan Ariely publicado nos Estados Unidos pela primeira vez em 2008, no qual se "desmontam" alguns dos principais pressupostos em relação ao processo de tomada de decisão do ser Humano com base em critérios puramente racionais. Como o próprio Ariely refere: "o meu objectivo, no final deste livro, é ajudá-lo a repensar profundamente sobre o que faz mover as pessoas que o rodeiam"

a "boa noticia" do livro é a conclusão de que o ser humano - apesar de irracional - é previsível (para o melhor e para o pior). E é aqui que entra a "black friday", porque ilustra na perfeição o argumento da irracionalidade e da previsibilidade (neste caso para o pior...):




em 1883, Nietzsche publicou um dos seus livros mais famosos, o "Also Sprach Zarathustra". Central ao livro está a noção de que os seres humanos são uma forma transicional entre os macacos e o que Nietzsche chamou de Übermensch, literalmente "além-do-homem", normalmente traduzido como "super-homem"

e é aqui que a black friday entra novamente. Se Nietzsche tivesse que "descrever" as imagens anteriores, imagino a citação:
“You have evolved from worm to man, but much within you is still worm. Once you were apes, yet even now man is more of an ape than any of the apes.” (Also Sprach Zarathustra, Ein Buch für Alle und Keinen, 1883-85). 
a "boa notícia" (do livro) é que caminhamos para nos superarmos (Übermensch). Ainda bem!

Oct 28, 2017

ação de co-branding que faz juz ao nome

a ação é de 2014, mas só agora os nossos caminhos se cruzaram e ainda bem! a marca de bebidas Johnnie Walker e a fabricante de sapatos de luxo Oliver Sweeney juntaram-se para criar uma peça engenhosa de artesanato que materializa na perfeição o conceito de co-branding

um sapato único, de couro, fabricado à mão em Itália, com os logotipos de ambas as marcas bordado e, no tacão por baixo do calcanhar, um compartimento secreto para uma pequena indulgência líquida, uma miniatura de Johnnie Walker Red Label  




em baixo, o video com apresentação da ação pela voz do criador


eu sou um adepto incondicional do co-branding e a razão é esta! estamos pertante uma peça que tem todo o potecial de se tornar numa ação de direct marketing cheia de impacto, ou não fosse o mantra da JW "Keep Walking"

Oct 5, 2017

comunicação do benefício da marca: Victan e o Debosh Destroyery

o nome diz tudo: Debosh Destroyery! o projecto onde se pode alugar um quarto... e destruir tudo o que está dentro dele! Sem dó nem piedade.

não vão faltar as ferramentas para nos ajudar a deixar a nossa marca!


localizado em Moscovo, este negócio incomum funciona como um hotel ou sala de karaoke. Pode-se, por exemplo, alugar um quarto por hora e libertar toda a raiva acumulada. Esta é a catarse no seu expoente máximo! Só de olhar para as fotos com todo o potencial de acção e já nos sentimos melhor (!?)

todos os danos capazes de infligir ao espaço estão incluidos. A pergunta nesta fase é: mas onde é que me inscrevo? quero já??! o site vem com uma ferramenta de "booking" para cada um dos quartos, sem stress ;) 




o conceito não é propriamente inovador, mas a execução é das melhores que já vi. Vale a pena ver o vídeo de apresentação:


e o vídeo deu-me a ideia: este projecto seria o cenário ideal para a próxima campanha do Victan!! um produto da Sanofi, dentro do grupo terapêutico dos ansiolíticos. Só do Victan? garantidamente não, mas fica a titulo de exemplo
 
os ansiolíticos em geral, e o Victan em particular, são recomendados para o tratamento de certas situações de ansiedade, ansiedade reaccional, ansiedade associada a uma afecção somática grave, ansiedade generalizada, etc...

benefício do Victan? de forma resumida: diminuir ou extinguir a ansiedade, sem prejudicar as funções psíquicas e motoras! ou, dito de outra forma, "... tinha visto na televisão que era a fase inicial de um enfarte e sentei-me à espera da pancada. Afinal sobrevivi e o Victan promete tornar-se o meu maior aliado para os próximos tempos."

e não é esta afinal a "promessa" do projecto Debosh Destroyery? o que os torna concorrentes no beneficio, torna-os parceiros ideais de comunicação! o briefing está feito, agora seria trabalho dos criativos 

Sep 26, 2017

o “storytelling” e a gestão de marcas

o meu primeiro artigo no jornal Observador: "O “storytelling” e a gestão de marcas"
"... As histórias não se limitam a descrever a realidade: são as próprias histórias que a criam. Neste contexto, o foco não está sobre as marcas, está sobre as pessoas e sobre o valor que elas ganham quando se envolvem com as marcas e quando as marcas se tornam parte da sua história."
 http://observador.pt/opiniao/o-storytelling-e-a-gestao-de-marcas/

podem ler artigo completo aqui

Sep 19, 2017

notas sobre posicionamento

o mercado não é definitivamente o das "bebidas (quentes) não alcoólicas", mas sim o da longevidade!!  


Sep 14, 2017

a pasta de dentes do fabricante de armas sueco

a lasanha da Colgate, a Coca-Cola com café, o ketchup verde, as Pringles sem gordura ou a assustadora "Rejuvenique Electric Facial Mask"são alguns exemplos de produtos que foram lançados no mercado, verdadeiros falhanços comerciais, e que fazem agora parte do Museum of Failure, inaugurado em Junho na Suécia

 

muitos dos produtos exibidos foram a tentativa das empresas conseguirem diversificar o seu negócio, e a intenção deste projecto é, segundo o fundador Samuel West, fazer passar a mensagem de que se pode aprender muito com os insucessos. Completamente de acordo

actualmente o "museu" conta, com cerca de 51 produtos, que incluem entre outros o perfume da Harley Davidson ou a Coke II, que foi lançada em 1985 para substituir a receita original de Coca-Cola, que perdia terreno para a Pepsi

acho este particularmente interessante: pasta de dentes do fabricante de armas sueco Bofors. Eles queriam diversificar sua produção depois da guerra...

para quem quiser conhecer mais aconselho a entrevista da

é sem sombra de dúvida uma iniciativa que devemos visitar sempre que começarmos a trabalhar o tema da diversificação ou extensão de gama