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a nova vending machine desta fintech é aula de estratégia phygital

num setor onde a inovação raramente ultrapassa os limites do ecrã, a fintech Revolut puxou dos galões e decidiu sair da caixa — ou melhor, colocar-se dentro de uma. A marca lançou uma máquina de vending que entrega, em tempo real, cartões de débito físicos (gratuitos), imediatamente após a abertura de conta online. Testada no campus da Universidade Nacional de Singapura (NUS) e já vista em Portugal, esta ideia transforma um processo tradicionalmente lento e impessoal numa experiência instantânea, física e memorável. E, ao fazê-lo, reforça a sua ligação com uma geração que valoriza tanto a rapidez do digital como o impacto do real 



num mundo onde o digital domina, a Revolut demonstra uma compreensão (rara) da importância de integrar o físico com o digital — aquilo a que se chama hoje uma verdadeira estratégia phygital. O processo é fluido: o consumidor usa um QR code para aceder, abre a conta na app em poucos minutos e retira o cartão ali mesmo, no local. Esta combinação de conveniência digital com uma presença física imediata é mais do que uma ação de marketing inteligente; é uma redefinição de experiência no setor financeiro;

@viajarcomtripical As máquinas gratuitas do Revolut chegaram finalmente ao Aeroporto do Porto! Já sabiam disto? 😍 @Revolut #revolut #aeroporto #porto #aeroportodoporto #aeroportofranciscosacarneiro ♬ Si Antes Te Hubiera Conocido - KAROL G

num universo bancário tradicionalmente avesso à mudança, ainda fortemente marcado por processos morosos, burocráticos e pouco centrados no utilizador, esta abordagem da Revolut é profundamente transformadora. Rompe com o modelo convencional de onboarding bancário — que ainda envolve impressões em alguns casos, envios por correio e por vezes dias de espera — e propõe uma nova relação com os serviços financeiros: mais rápida, mais visual, mais humana

a entrega física imediata do cartão liga o momento da adesão à experiência da marca de forma tangível e emocional, criando um vínculo instantâneo com o utilizador. Além disso, a presença da máquina em espaços de grande circulação como universidades aproxima a marca de públicos jovens, digitais e exigentes, que valorizam tanto a eficiência como a experiência   

neste cenário saturado de soluções financeiras digitais, a Revolut prova que a inovação não passa apenas por desenvolver tecnologia, mas por saber aplicá-la de forma criativa e relevante no mundo real. Como referi no artigo “O futuro é phygital”, publicado na Marketeer, as marcas mais visionárias serão aquelas capazes de combinar o melhor dos dois mundos — e quando uma fintech consegue ocupar o espaço físico com a leveza de quem nasceu no digital, estamos perante algo verdadeiramente disruptivo

Ceci n'est pas une brand: "Trefoil" & "3-Stripes"

no primeiro capítulo do livro Building Strong Brands, David Aaker alerta-nos para o que chama "brand identity traps", onde fala sobre "imprecisões" e "erros" no processo de definição e conceptualização de marca. O primeiro erro - 'A brand is (not) a logo' - é sobre confundir e reduzir a marca ao seu logotipo. Para Aaker, uma marca é um universo complexo de significados, associações e emoções que vão muito além deste elemento visual (apesar da sua importância)
 
senão vejamos:
 
as duas as imagens que se seguem são da segunda mão dos quartos de final da Nations League, Março de 2025, onde a Alemanha recebeu e empatou 3-3 com a Itália
 
foco: nos logotipos nas camisolas!
 



 

as duas imagens que se seguem são da Final de 1993 da UEFA Champions League, entre as equipas do Olympique Marseille e o AC Milan no Olympic Stadium
 
foco: nos logotipos nas camisolas! 


 

e esta, hein? mais de 30 anos separam estes dois blocos de imagens. A consistência mantém-se, e a convicção da marca Adidas também! ainda bem; a Adidias usa os dois logótipos para contar histórias distintas, o "Trefoil" grita nostalgia, o "3-Stripes" desempenho; 

e se eu dissesse que era possivel uma marca ter 2 logotipos diferentes – ao mesmo tempo — no início deste post? alguém acreditaria?

não és tú... é o Janeiro!

a marca Equinox suspendeu todas as novas adesões realizadas no primeiro dia do ano, enviando uma mensagem clara: mudanças reais exigem um esforço consistente e não dependem de um 'momento' qualquer no calendário 

a campanha "We Don’t Speak January" da Equinox destacou-se pela abordagem criativa com que desafiou as tradicionais "resoluções de Ano Novo" e a mentalidade de "começar do zero" tão comum em janeiro! Lançada no dia 1 de Janeiro de 2023, a iniciativa rejeita a ideia de mudanças sazonais superficiais e incentiva um compromisso sério e contínuo com o bem-estar e o fitness


a intenção era comunicar a filosofia da marca junto dos (potenciais) clientes, reforçando a mensagem que estes devem estar dispostos a adotar um estilo de vida comprometido, em vez de procurar soluções "mágicas", imediatistas e temporárias

a campanha utilizou um tom provocador e sofisticado, consistente com a imagem da marca. Ao desafiar as normas culturais e subverter a ideia de resoluções de Ano Novo, a Equinox criou uma narrativa forte e polarizadora, atraindo tanto a atenção de todos, dos clientes fiéis aos haters ('there will be haters'...) 

  
a mensagem “We Don’t Speak January” simboliza a rejeição de todas promessas efémeras e a valorização de práticas consistentes e autênticas de autocuidado. Este tem sido desde sempre o posicionamento da Equinox e com o qual se tornou um líder cultural no setor do fitness! uma iniciativa que fortalece a sua identidade de marca e que a aproxima de todos aqueles que levam o bem-estar físico e mental a sério, durante todo o ano 
 
sim, é verdade que a iniciativa é de 2023, mas Janeiro será sempre Janeiro, e as resoluções "de novo ano" serão para sempre as mesmas ;) por isso a marca renovou a campanha em 2024: 'We remain committed to not accepting new memberships on January 1st. Because commitment doesn't wait.' 
 

 

um luxo!

a Lego e como usar o modelo STP à mestre

dados da agência de branding DLMDD e do YouGov, divulgados recentemente pela revista Marketeer, referem que a “identidade sonora pode ser particularmente relevante para os jovens adultos: a Geração Z apresenta uma probabilidade duas vezes superior de comprar um produto de uma marca que tenha uma identidade sonora face à população em geral” 

com o mesmo espírito, no artigo “Listen and Learn” da edição “Entrepreneurs” da Monocle Magazine encontramos o seguinte destaque: “It’s about unsderstanding the emotions that diferent sounds evoke and connecting them with a brand’s attibutes (…)”, sendo que “most companies don’t have brand guidelines when it comes to sound

e, sem serem precisas mais palavras ou explicações, percebe-se perfeitamente porque é que a Lego fez isto (já em 2020, em "plena" pandemia por COVID-19):

nas palavras da marca:

LEGO® White Noise, a new playlist designed to help listeners find a moment of relaxation in their busy lives. The playlist is composed of a series of audio tracks created using nothing but the iconic sounds that the LEGO brick makes, sounds that are recognised by generations all over the world

deixo-vos com a playlist, enjoy:

mas tudo isto tem um "twist" de mestre! esta iniciativa enquadra-se no âmbito de uma campanha mais alargada dirigida a adultos (não, não se trata de nenhum tipo de conteúdo NSFW) onde se inclui o lançamento de novos produtos como o "LEGO Flower Bouquet" ou o "LEGO Bonsai Tree" 

The new LEGO Botanical Collection includes the LEGO Flower Bouquet and the LEGO Bonsai Tree that are designed to offer adults an immersive building experiences to help them express their creativity and destress as they build a beautiful model that can be proudly displayed when completed

e assim se dá uma verdadeira "aula" sobre como usar um ativo de diferenciação da marca (neste caso o "som") para se comunicar a um novo target da marca (os "adultos") toda uma nova gama de produtos ("flores de legos", "bonsais de legos"...). No marketing chamamos-lhe STP: segmentação - targeting - posicionamento, aqui feito com uma mestria genial

levantem-se, e façam vénia! parabéns Lego

vestido pintado na passerelle

é o momento mais falado da Paris Fashion Week 22/23 até agora. Na noite de sexta-feira (30) Bella Hadid fechou o desfile Primavera-Verão 2023 da francesa Coperni com um vestido que foi pura e simplesmente “pintado” na frente de uma plateia ao vivo

 

o desfile aconteceu na Salle des Textiles do Musée des Arts et Métiers de Paris e o tema do evento era a evolução da alfaiataria feminina na história! nem de propósito ;)  
 
o material usado para criar o vestido "spray-on" foi desenvolvido pela empresa de tecnologia de tecidos Fabrican Ltd, fundada em 2003, pelas mãos do cientista e designer de moda espanhol Manel Torres

engane-se (e muito) quem diz que vivemos num mundo onde já se inventou tudo. Não poderiam estar mais enganados. Há ainda tanta coisa por criar ;) e a tecnologia vai ser sem dúvida a alavanca principal para a realização dessas ideias incríveis! Vamos a isso?

go, fresh e com style!

desde que abriu (e fechou) a sua primeira livraria "física" em Seattle em 2015, a Amazon testou e trouxe para o retalho uma série de novas ideias: as famosas lojas de conveniência sem caixas, as "mercearias de frescos" (através da compra da Whole Foods) e as super sexy "pop-up stores" (já fechadas entretanto), onde era possível comprar no local produtos avaliados com mais de 4 estrelas pelos clientes da loja online


a Amazon sempre mostrou a ambição de mais clientes em mais lugares, levando o toque de midas do online para o mundo real. As livrarias fecham (porque efetivamente o online funciona melhor) mas o retalho alimentar parece (reforço, parece) aguentar-se com a Amazon Go e a Amazon Fresh (até porque as pessoas precisam sempre de comer), e de repente...

tchaaaran, a Amazon abre a sua primeira loja de moda, a Amazon Style (e desta vez julgo que não teve de comprar ninguém...)
 
 
está lá tudo, como não seria de esperar outra coisa (alienação inclusive!). E hoje já temos:

uns dirão que estamos a "testar" e por isso estes movimentos são perfeitamente normais, chama-se inovação ;) outros dirão que estamos a destruir valor no processo, investimentos altos sem tração, que não deixam lastro... o que vos parece?  está a Amazon a fazer um bom ou mau trabalho pelos consumidores? e pela "marca"?
 
[UPDATE, Nov 23]
 
"Amazon Style is already out of fashion." [Geek Wire]
“After careful consideration, we’ve decided to close our two Amazon Style physical retail stores and focus on our online fashion shopping experience,” Kristen Kish, an Amazon spokesperson, said in an emailed statement to GeekWire. “Physical retail remains an important part of our business, and we’re continuing to invest in growing our grocery stores business.” (link)
 [UPDATE, Jan 24]
 
"Amazon closes its last Fresh Pickup site" [Retail Dive]
"The shuttering of the second drive-up location marks the end of this concept for the retail giant as it proceeds with its grocery business revamp." (link)

e.Commerce como braço armado do I&D

usar a loja online como braço armado do I&D é extraordinário! tudo com uma pitada de sustentabilidade, porque são litros que não são desperdiçados! bem pelo contrário, são litros de oportunidades únicas para surpreender o verdadeiro apreciador, entusiasta ou curioso 


 

são litros de oportunidades para encontrar produtos diferenciadores com potencial de mercado! é elevar o MPV ('Minimum Viable Product') a um patamar superior, ao usa-lo como ponta de lança para reforçar o posicionamento de especialista

uma acção verdadeiramente autêntica, fora da caixa,  e relevante para quem gosta de cerveja, seja heavy user da Super Bock ou não

periodicamente a ideia da Super Bock Casa da Cerveja é lançar mais Lotes Experimentais, mantendo a acção bem fresca


 

e o consumidor agradece, claro! devolvendo com conteúdo original que cria e partilha nas redes sociais, alavancando ainda mais o impacto


 

marketing relevante é assim, acrescenta valor, para a marca e para os consumidores

encantado!

como construir uma marca forte

se colocarem a pergunta "como construir uma marca forte?" no google (em pt) vão receber uma lista de mais de 18 milhões de entradas

a resposta é fácil, e poupo-vos a consulta a uns bons milhões de páginas: através de um posicionamento e um propósito relevante e bem definido, comunicado de forma contínua e consistente. Parece difícil? mas não é. Como tudo na vida, e ao contrário da expressão tradicional, "não basta parecer é preciso ser" 

como parte do manual de instruções das caixas dos blocos mais famosos de sempre, foi descoberta uma carta da LEGO aos pais, datada do início dos anos 1970. Nessa carta, a empresa insta os seus clientes adultos a dar às crianças a liberdade criativa que elas precisam para construir o que quiserem, independentemente do seu sexo, afirmando que "é a imaginação que conta", a marca apresenta uma posição clara contra os estereótipos de género 

vale a pena dar um salto ao post que escrevi em 2015 "lego, criatividade e estereótipos de género" e rever a carta. Vão ler pf, mas voltem cá, o melhor ainda está para vir (aqui)

esta semana mais de 50 anos depois dessa carta a Lego anunciou o lançamento do novo set de mini figuras "Everyone is Awesome", o primeiro conjunto de peças de temática LGBTQ+. O conjunto tem todas as cores do arco-íris para simbolizar as cores da bandeira "Pride" e mais algumas para representar a inclusão da comunidade transgénero e pessoas de cor

o designer do conjunto, Matthew Ashton, comentou com o The Guardian que nenhuma das figuras tem um género específico atribuído para "expressar individualidade, mantendo ambiguidade"

"ao crescer como um miúdo LGBTQ+, diziam-me com o que deveria brincar, como deveria andar, como deveria falar, o que deveria vestir - a mensagem que recebi foi sempre que havia algo de errado comigo. Tentar ser alguém que não era foi esgotante. Quem me dera que, como criança, tivesse olhado para o mundo e pensasse: "Vai ficar tudo bem, existe um lugar para mim". Desejo que tivesse visto uma afirmação de inclusão que dissesse toda a gente é espectacular"
o vídeo em baixo, em discurso directo

o set "Everyone is Awesome" estará à venda a partir de 1 de Junho, que marca o início do mês dedicado ao debate sobre o tema da diversidade e inclusão

ser capaz de incluir no desenvolvimento de produto e na comunicação da marca, durante mais de 50 anos, este posicionamento, esta atitude de querer tornar o mundo melhor, seja o tema "polémico" ou não, faz da Lego o sucesso que é. Vêem como é fácil :)

#ElasTambémJogam

Havas evidencia - de forma genial - a falta de visibilidade de atletas do sexo feminino na imprensa da especialidade

um dia depois de ser comemorado o Dia Internacional da Mulher, todas as notícias publicadas nos três principais jornais desportivos portugueses foram transformados num infográfico, dividido em duas cores: uma representando os artigos sobre os homens e outra para as mulheres desportistas

 

para realizar a ação, foi montada uma verdadeira estrutura de guerrilha. A equipa teve acesso aos jornais de madrugada, digitalizou todas as páginas e transformou-as num infográfico, imprimiu e entregou a vários jornalistas, "influenciadores" e atletas, ainda nessa terça-feira (leia-se dia 9).  

as marcas dos jornais foram cobertas por um autocolante, que convida o público (e os jornalistas) a pensar na vida: "Quando não mostramos as mulheres no desporto, é como se elas não existissem. Não as deixe fora de jogo. #ElasTambémJogam" 

“As marcas dos jornais foram tapadas por um autocolante que nos convoca a partilhar notícias de atletas femininas, através do hashtag da campanha”, explica ainda a agência em comunicado, deixando claro que o objectivo é promover o debate sobre o assunto

segundo Marta Faria, fundadora do Raparigas da Bola, «mais visibilidade gera mais interesse do público, que desperta interesses de marcas, que gera investimentos e consequentemente volta a gerar visibilidade»

mais explícito não dá: 




 

os vídeos da campanha para os mais "nerds" da pub:


 
e claro, o vídeo com o case da ação, para a candidatura a Cannes :)


a ideia criativa, a execução, tudo irrepreensível. Isto é publicidade (e marketing) para o impacto social! Temos muito trabalho pela frente, muito. Mas isso só nos dá mais alento  
 
#ElasTambémJogam

purpose-led brands: linha de vestuário para pessoas com deficiência by Tommy

em 2016 a Tommy Hilfiger já se tinha associado à "Runway of Dreams", uma organização sem fins lucrativos fundada por Mindy Scheier, uma mãe de uma criança com distrofia muscular, para criar uma linha de vestuário mais inclusiva para crianças com deficiência

agora, a marca decidiu expandir a iniciativa para incluir uma colecção para adultos, esforçando-se por garantir a todas as pessoas com deficiência ainda mais opções de vestuário, mais adaptado às suas necessidades - chama-se "Tommy Adaptive" [link]

"Tommy Adaptive's mission is to be inclusive and empower people of all abilities to express themselves through fashion" refere o press release da marca

 

a linha inclui as peças essenciais como camisas, calças, calções, vestidos e casacos - sendo que as roupas Tommy Adaptive são mais fáceis de vestir. Modificações como bainhas ajustáveis, fechos de correr com uma só mão, aberturas laterais, sistemas de fecho de cordão, cintura ajustável, botões magnéticos e velcro, tudo ao serviço de tornar a roupa muito mais acessível às pessoas com deficiência. Algumas camisas são mesmo feitas com decotes de fácil abertura e aberturas de costas alargadas. Todos os modelos podem sem comprados na loja online da marca


 
de acordo com a revista Elle, este projecto resulta da articulação directa com a comunidade de pessoas com deficiência motora, para ter a certeza que eram introduzidas melhorias significativas desde os primeiros modelos lançados

em 2017 a Target também já tinha lançado a coleção Cat & Jack para crianças com deficiência motora; a própria Target também expandiu a sua linha de vestuário para mulher - Universal Thread - por forma a ser mais inclusiva

a revista "Mashable" incluiu esta iniciativa na sua categoria "Social Good", o que me parece acertadissímo! o post anterior - "you can talk the talk, can you walk the talk?" - falava precisamente sobre este tema: já não basta parecer, é preciso ser! Chamamos-lhe hoje "Purpose-led Brands"! são as marcas que vamos querer que façam parte do nosso futuro, porque são relevantes, porque acrescentam valor, porque têm um propósito e por isso fazem sentido para a nossa vida (que também tem e deve ter um propósito)

'the obsession with progress is what this place is about'

estou neste momento a ler o livro "The art of branded entertainment", um livro surpreendente por mil e uma razões, mas principalmente porque traz  luz ao fundo do túnel (bem escuro) em que as marcas e a publicidade se encontram, e nos ilumina um caminho a seguir - bem interessante

uma das iniciativas recorrentes ao longo do livro é a ação "The Farm" pela marca Adidas (já de 2017...). Em Greenpoint, Brooklyn, num armazém muito pouco pretensioso, mesmo em frente a um fornecedor de pedra, a Adidas tenta construir o (seu, o nosso) futuro

foi aqui que a empresa construiu a sua "Creator Farm", um local muito pouco secreto onde a Adidas acolhe equipas de "designers" de estúdios de todo o mundo


 


"the creator farm" não é o estúdio de design típico, e mantém esse nome porque a marca queria que o espaço fosse "earthy and real" e um lugar "where you can get your hands dirty"; nas palavras do director criativo:

"it's meant to be a little provocative, It's where we cultivate talent. [...] "It's more about exploration, the obsession with progress is what this place is about — not the obsession with results."

"people don't buy sports products ... just because they need a new pair of shoes, they want a new pair of shoes. You need to be able to blend those cultural insights and desires with the purpose of the product, the functional needs. That's the kind of thing we explore here."

(só uma curiosidade para os "nerds" do "branded content": o vídeo da marca tem 19.480 visualizações, o da Karlie Kloss tem 201.119, e a diferença de datas de publicação por si só nao chega para justificar a diferença de impacto)

para o que nos interessa - "the creator farm" - é uma parte importante da estratégia da Adidas para se aproximar e se manter em sintonia com as necessidades e vontades dos consumidores (actuais e futuros). E para isso criou o espaço que o permite, não ficou à espera de acontecer! Brilhante. 

só na industria do gamimg é que tenho assistido a iniciativas como esta, de envolvimento com as pessoas (consumidores ou outros profissionais) no desenvolvimento de produto, na inovação e na construção da própria (cultura da) marca - isto sim é construir de marca, é procurar relevância, propósito

ou, nas palavras dos próprios à pergunta "qual é a principal função do espaço?" — "criar cultura", respondeu Marc Dolce, VP e director criativo da Adidas! gosto

a ação de guerrilha que a Balenciaga queria ter feito

na passada terça-feira, Chang Wan-ji, 83 anos e a sua esposa Hsu Hsiu-e, 84, celebraram ter alcançado 50.000 seguidores no Instagram, com a sua 18ª publicação! No sábado (dia 24), o seu 19º post marcou a duplicação desse número. À data de hoje - apenas uma semana depois - já estão a acotovelar mais de meio milhão de seguidores



os proprietários da Lavandaria Wansho, no centro de Taiwan, tem vindo a lavar anonimamente a roupa dos habitantes locais nos últimos 70 anos. Aconteceu então a pandemia e o "confinamento". Para os manter entretidos, o seu neto, Reef Chang, convenceu-os a vestir roupas não reclamadas que os seus clientes tinham abandonado há anos. Para surpresa de todos, a conta resultante, @WantShowAsYoung, tornou-se um enorme sucesso, aparecendo nas páginas de "style" do New York Times e na BBC News

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6/27-7/27,讓萬吉和秀娥多麼驚奇一個月! 秀娥:「不要覺得自己老就想每天休息,因為這樣,只會讓你越來越老!」 一個月前的今天,姑且一試的發了照片,沒想到讓萬吉秀娥從不知道Instagram 的老人,變成了會看留言的年紀大的人! 👴🏼萬吉(身長160) 針織衫:至少5-10年未取針織衫 上衣:萬吉私服T-SHIRT 短褲:萬吉私服工作褲 👵🏼秀娥(身長155) 上衣:至少3-5年長版落肩T-shirt 裙子:秀娥30年以上私服 💡溫馨提醒|洗衣服請記得拿❤️ From 6/27 to 7/27, what a surprising month for Wan-Ji and Sho-Er! Sho-Er said, “Don’t just keep resting every day because you think you’re old. This will only make you older!” One month ago, I’d posted some photos and unexpectedly turned Wan-Ji and Sho-Er from old peoples that didn’t even know Instagram to someone that read through comments! 👴🏼Wan-Ji(160 cm) Sweater: unclaimed for 5-10 years Top: Wan-Ji’s own T-shirt Bottom: Wan-Ji’s own working pants 👵🏼Sho-Er(155 cm) Top: Long, oversize T-shirt, unclaimed for 3-5 years Dress: Sho-Er’s own dress, worn for at least 30 years 💡Remember to pick up your clothes ❤️ #萬秀洗衣店 #萬秀的洗衣店 #wantshowasyoung #grandparents - - _ #mixandmatch #clothes #ootd #instafashion #style #fashion #couple #夫婦 #80代 #grandma #grandpa #femmefuture #classyvision #vintage #古着 #コーディネート #love #laundry #outfits

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"Eles não tinham nada para fazer", disse Chang ao New York Times, que se tornou o estilista não oficial do perfil no insta. "Vi como eles estavam aborrecidos e queriam alegrar as suas vidas". Confrontados com a impossibilidade de abrir a loja, e compreensivelmente cautelosos em sair, os proprietários octogenários da Lavandaria Wansho moveram-se alegremente na direcção oposta . "O meu neto é muito criativo", disse a Sra. Hsu ao New York Times, "a sua criatividade faz-nos felizes e às outras pessoas também"

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一樣的衣服換一件裙子、一樣的褲子換一件衣服,再加上秀娥一個新的態度,就成了不同的萬吉👴🏼和秀娥👵🏼 萬吉很謝謝大家關心!藏起來的右手努力康復中! 👴🏼萬吉(身長160) 襯衫:至少6年未取花襯衫 內衣:萬吉日常白內衣 褲子:萬吉私服工作短褲 👵🏼秀娥(身長155) 上衣:8年未取紀念T(已找到新主人) 領巾:再度由被遺棄的手帕擔綱 裙子:再度由秀娥30年私服擔綱 💡溫馨提醒|洗衣服請記得拿、認同請分享❤️ These old clothes have been abandoned by customers at the laundry for years. Owners of the laundry store, Wanji and Sho-Er who are over 80 years old. Grandson just can't bear to see them overwhelmed with bore everyday. So, ask them to reinterpret fashion, hoping to let everyone know that age is not a barrier to have fun in fashion and even old clothings can transformed into trendy outfits! 💡A friendly reminder|Don’t forget to pick up your laundry. #萬秀洗衣店 #Wantshow #wantshowasyoung #grandparents - #mixandmatch #clothes #craftsman #しょくにん #ootd #wiw #instafashion #style #fashion #couple #夫婦 #80代 #budapest #grandma #grandpa #dappei @dappei_tw #juksyootd @mixfitmag_snap #cool_ootd #plainme_snap #plainme_life #femmefuture #culturecartel @nataliadornellas #classyvision #vintage #古着 #コーディネート

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60多年如一日的攜手,每天早上8點,萬吉秀娥依然準時開店! 好像有個結論,萬吉只要遮起⋯禿⋯頭,就變年輕⋯然後,秀娥目前沒有hold不住的穿搭啊! 👴🏼萬吉(身長160) 外搭:5年以上未取短袖襯衫 上衣:10年以上未取花襯衫 褲子:阿公私服洗衣工作短褲 👵🏼秀娥(身長155) 上衣:10年以上未取花襯衫 裙子:30年以上秀娥私服 💡溫馨提醒|洗衣服請記得拿、認同請分享❤️ These old clothes have been abandoned by customers at the laundry for years. Owners of the laundry store, Wanji and Sho-Er who are over 80 years old. Grandson just can't bear to see them overwhelmed with bore everyday. So, ask them to reinterpret fashion, hoping to let everyone know that age is not a barrier to have fun in fashion and even old clothings can transformed into trendy outfits! 💡A friendly reminder|Don’t forget to pick up your laundry. #萬秀洗衣店 #Wantshow #wantshowasyoung #grandparents #mixandmatch #clothes #craftsman #しょくにん #ootd #wiw #instafashion #style #fashion #couple #夫婦 #80代 #budapest #grandma #grandpa #dappei @dappei_tw #juksyootd @mixfitmag_snap #converse @converse #cool_ootd #plainme_snap #plainme_life #femmefuture #culturecartel @nataliadornellas #classyvision #vintage #古着

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a maior parte das publicações diz a época aproximada em que cada peça foi deixada no estabelecimento — algumas delas já parte do “acervo” de achados e perdidos há quase dez anos (!); os posts trazem ainda um lembrete amigável aos clientes: “Não se esqueça das suas roupas na lavanderia.”

escrevi este post ao som da musica dos Monty Python "Always Look On The Bright Side Of Life", achei a banda sonora mais adequada. Deixo-vos com um excerto, que é na verdade a razão de ser do sucesso deste casal e da iniciativa: "Keep 'em laughin' as you go"

"Life's a piece of shit
When you look at it
Life's a laugh and death's a joke, it's true
You'll see it's all a show
Keep 'em laughin' as you go
Just remember that the last laugh is on you
And
Always look on the bright side of life
Always look on the bright side of life

sendo este um blog sobre marcas, eu diria que esta é sem duvida a ação de guerrilha que a Off-White™ ou a Balenciaga gostariam de ter feito! pela irreverência, pelo "despropósito", pelo facto de fazerem do status quo o seu "punching bag" (e bem!)

a sociedade civil a servir de inspiração às marcas! gosto disso

a t-shirt phygital da Carlings

a marca de roupa escandinava Carlings criou uma T-shirt que é – ao mesmo tempo – física e digital, o que a torna um dos melhores exemplos de um produto da nova "Era Phygital”


phygiquê?

phygital é um termo resultante da contração de Physical (físico em inglês) com Digital, que propõe a união de experiências de átomos e bits, analógica e digital. Compreende que os mundos real e o virtual estão cada vez mais próximos, que esses mundos colidiram e já não existem barreiras que os separem

fala-se inclusive de "phygital marketing" como uma estratégia para as marcas que procuram interagir com os consumidores neste novo território, onde as fronteiras entre físico e digital desapareceram, ou estão cada vez mais diluídas

o que nos traz de volta à Carlings

a marca escandinava Carlings, conhecida por criar a primeira colecção de vestuário digital de sempre, está a revolucionar uma vez mais a indústria da moda. Desta vez, é com "The Last Statement T-shirt", que a marca afirma ser o primeiro "tee" do mundo a integrar realidade aumentada

a marca tinha como objetivo conseguir colocar-se ao lado da geração "nativa digital" no protesto a favor da sustentabilidade, nomeadamente no esforço para reduzir o impacto ambiental do chamado “fast fashion”

para ajudar a resolver o conflito entre querer comprar mais roupa mas não quer contribuir mais para a crise climática, a t-shirt "The Last Statement" oferece aos utilizadores uma nova opção: permite mudar a mensagem na t-shirt sem a danificar ou ter de comprar uma nova - o "santo gral" para qualquer instragramar

as pessoas compram a T-shirt - que é branca à parte de um logotipo gráfico no topo - no website da Carlings por 39,90 euros. A T-shirt é então enviada directamente para o cliente; após a entrega do artigo, os clientes podem visitar a conta Instagram dedicada da Carlings, seleccionar o ícone de filtro e escolher entre uma variedade de desenhos; depois é só apontar a câmara para o logótipo gráfico da T-shirt. Isto irá sobrepor digitalmente o desenho seleccionado à T-shirt

todos os desenhos e animações incluem mensagens ambientalmente conscientes, tais como "Parem de negar que o nosso planeta está a morrer" e "Tenho a certeza que os dinossauros pensaram que também tinham tempo"

novas mensagens irão aparecer regularmente na conta Instagram da marca "para que todos os dias a t-shirt possa exibir um novo desenho de declaração animada para amplificar a tua mensagem", de acordo com o site da Carlings

depois de revelar a iniciativa no nosso evento anual da marca em Londres, a Carlings disponibilizou as T-shirts para compra no seu website sendo que 25% de cada compra será doada à instituição de caridade WaterAid


o projecto foi criado pela Virtue Nordic, a agência criativa da Vice Media com sede em Copenhaga
[One Shirt – 100’s of Designs] The Last Statement T-shirt takes a classic pillar of youth rebellion and reinvents it for the digital age. Through a custom version of Instagram/Facebook filters, you can digitally change its design. So every day, the shirt can display a new animated statement design to amplify your message. Without ever having to buy another t-shirt.  


façam por favor uma vénia à Carlings e à Virtue Noridic

primeiro, a ação da Carlings vai directa ao cerne do problema que as marcas enfrentam na procura de um equilíbrio entre o ganho comercial e o facto de ser mais sustentável. Cada vez mais pessoas reconhecem que precisamos de desperdiçar menos para proteger o nosso planeta, mas a pressão das marcas sobre as pessoas é para comprarem mais. Este é o enigma no centro da crise do consumo, e que me tem levado a pensar que teremos de evoluir, não para consumir menos ou consumir mais, mas para consumir melhor!

segundo, porque é só o melhor exemplo à data de uma iniciativa verdadeiramente Phygital para a geração nativa digital e eco consciente, mas de longe!

o que acharam?

marcas à beira do abismo?

a revista The Economist preparou uma apresentação extremamente interessante (e tendenciosa quanto baste, tal como mandam as regras) das implicações de simplesmente cortar no investimento em publicidade durante um periodo de crise ou recessão 

deixo-vos na evidência dos números, nas palavras dos gurus e nas sábias citações:


dizem que devemos aprender com o que a história nos ensina. Este trabalho do The Economist é de 2012

fui ao livro "Ogilvy on Advertising"de 1983 encontrar a seguinte referência ao mesmo tema, neste caso sobre os (não) investimentos das marcas nos EUA durante o periodo da grande recessão:
"the companies that did not cut their advertising budgets did better in every year. By 1977 their sales had more than doubled, while sales had barely gone up 50% for companies that cur their advertising. 1975 sales were down for the companies that cut their advertising, but up for those that didn't"
como diria o Yoda, "Difficult to see. Always in motion is the future…"

a teoria do consumidor para totós

a teoria do consumidor, ou teoria da escolha, é uma teoria da microeconomica, que tenta descrever como os consumidores tomam decisões de compra e como eles enfrentam os diferentes tradeoffs e as mudanças no seu ambiente

para esta teoria, as pessoas escolhem um bem em detrimento de outro em virtude da utilidade que ele lhe proporciona; sendo que as coisas não têm valor em absoluto em separado das pessoas e das circunstâncias, tendo a mesma coisa diferentes valores para pessoas e situações diferentes

um dos pressupostos - valor e escassez - diz que a escassez é o que gera o valor! Antes da lei económica da oferta e da procura explicar as variações dos preços em função da quantidade disponível dos bem em causa, já há muito o dia a dia dos homens havia feito da escassez o critério objectivado mais básico para a aferição do valor das coisas

mas tudo começa a perder interesse (utilidade?!) com a matematização da realidade...

"em  termos  matemáticos,  este  princípio  geral  traduz  que  a  função  valor  é  côncava  crescente.  A  função  ser  côncava crescente traduz que a sua derivada é positiva e que a sua segunda derivada é negativa (que o valor marginal é decrescente)"

vamos por isso ao que interessa! este é um screenshot do website e loja e-Commerce da marca "Anti Social Social Club" [link]

se uma imagem vale mais do que mil palavras, esta então vale todo um manual de microeconomia e um manual de teoria do consumidor juntos

TODOS, mas literalmente todos os produtos da marca são apresentados na loja online com o rótulo de "SOLD OUT", estando por isso em rutura e por isso impossíveis de comprar...

https://www.antisocialsocialclub.com/

não vou perder-me em explicações ;) iniciativa online muito bem conseguida, completamente fora da caixa, como a própria marca 

procura e oferta, valor e negociação, posicionamento, ... está cá tudo! 

se for tema de interesse, sugiro a leitura do artigo no Observador  "O storytelling e a gestão de marcas"

campanha da Vans é uma verdadeira aula sobre posicionamento | parte 2

a campanha "This Is Off The Wall" apresenta a essência de “Off The Wall” através de um conjunto diversificado de histórias, iluminando as várias formas de criatividade com que a Vans se identifica, defende e sempre apoiou

através desta campanha abrangente, de conteúdo de vídeo e de imensas plataformas de ativação local, a Vans mantêm-se perto as comunidades criativas do mundo, que valorizam o desporto, arte, música e cultura de rua, convidando todos a participar

escrevi em 2014 o post "campanha da Vans é uma verdadeira aula sobre posicionamento" que resume bem o sucesso e a forma espetacular como o fazem (ver aqui)

entretanto a Vans "brindou-nos" com o próximo o capítulo da sua campanha global,"This Is Off The Wall", com a apresentação da “Girls Skate India”, e por isso impõem-se a segunda parte do post

no âmbito da celebração do Dia Internacional da Mulher deste ano, a Vans criou mais de 100 workshops de skate nas principais cidades do mundo. Ok, até aqui, "business as usual"

mas, numa dessas iniciativas, a marca uniu-se  à 'Girls Skate India' para promover a igualdade de género e a afimação das mulheres através do skate. Atita Verghese juntou-se à skatista profissional Lizzie Armanto para mostrar às meninas locais como o skate pode ser mais do que apenas um "exercicio" ou desporto - pode ensiná-las que escolher é um direito seu, escolher o que querem para si, e a lutar por isso 

“Girls Skate India” captures the power that skate culture can have on a community. In living by its ethos of enabling creative expression and to share the philosophy of “Girls Skate India”, Vans will mobilize around the world to teach women and girls how to skateboard through a series of global skate clinics beginning March 8, 2018, International Women’s Day. Vans will host more than 100 skateboarding clinics in major cities, ... inviting women to learn something new alongside their peers and together inspire a new wave of women’s skateboarding progression (fonte



uma iniciativa de branding que mostra o que a marca representa, o que defende, e como se apresenta! Quem se identifica, direta ou indiretamente com esse estilo de vida e com estes valores, não vai ficar, garantidamente, indiferente! e isso sim, é posicionar uma marca dentro da cabeça das pessoas (de forma consistente e ao logo do tempo)!

a inteligência artificial e o existencialismo pelas mãos de Silicon Valley

actualmente os robôs conseguem fazer (literalmente qualquer) tarefa! e se não o fazem hoje, vão poder fazer amanhã... sempre com o pressuposto de que as máquinas são "ferramentas" que estão ao nosso serviço

no entanto, com o desenvolvimento de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, encontramos hoje máquinas autónomas que estão "capacitadas" para aprender, fundamentar, criar e tomar decisões

neste mundo cada vez mais distópico, pós-emprego, parece que tudo o que a humanidade pode fazer é vaguear pelas praias questionando-se acerca da cruel reviravolta que teremos infligido sobre nós próprios

mas... espera! Parece que os robôs agora também podem fazer isso por nós!

Yuxi Liu criou, para a sua tese de mestrado em "Design Informatics", um projeto chamado "Poet on the Shore", que assume a forma de um robô que segue pela areia imprimindo poesia... a idéia é que o robô use a sua envolvente para gerar e escrever poesia, como qualquer humano o pode fazer. Com isso em mente, está equipado com vários sensores inteligentes para medir condições externas, como temperatura externa e a velocidade do vento


Liu refere que o protótipo atual ainda não está funcionar plenamente no sentido de "gerar" poesia autónomamente, mas pretende tornar isso possível com resurso à inteligência artificial
“I’m trying to work with TensorFlow and ConceptNet for the next step. What it can do in its current state is to automatically write out programmed poems, using an in-built device similar to a drawing machine.” (fonte)
claramente há mais a fazer, mas o trabalho toca um ponto de interesse real: sobre se uma máquina pode ou não ser criativa. Como Liu escreve na sua tese (link),
“‘Poet on the Shore’ is an attempt to challenge the anthropocentric assumption regarding machines by demonstrating the machine’s poetic sensitivity. The robot intervenes in the world. These interventions, expressed through the kinetic and poetic gestures, reveal its non-utilitarian existence: the verse it writes will eventually be washed away by the waves or winds.”


obviamente que a "criatividade" tem tudo a ver com marcas, publicidade, design... Por isso também nós profissionais da área devemos procurar contribuir ativamente para a reflexão no tema, de que papel queremos para inteligência articial no mundo das marcas. Fica o desafio!

entretanto esperamos pelo próximo passo do projeto, a acreditar no potencial que pode trazer para reflexão um poeta robô torturado que escreve poemas como se fossem mensagens Snapchat: o existencialismo pelas mãos de Silicon Valley no seu melhor