no primeiro capítulo do livro Building Strong Brands, David Aaker alerta-nos para o que chama "brand identity traps", onde fala sobre "imprecisões" e "erros" no processo de definição e conceptualização de marca. O primeiro erro - 'A brand is (not) a logo' - é sobre confundir e reduzir a marca ao seu logotipo. Para Aaker, uma marca é um universo complexo de significados, associações e emoções que vão muito além deste elemento visual (apesar da sua importância)
senão vejamos:
as duas as imagens que se seguem são da segunda mão dos quartos de final da Nations League, Março de 2025, onde a Alemanha recebeu e empatou 3-3 com a Itália
foco: nos logotipos nas camisolas!
as duas imagens que se seguem são da Final de 1993 da UEFA Champions League, entre as equipas do Olympique Marseille e o AC Milan no Olympic Stadium
foco: nos logotipos nas camisolas!
e esta, hein? mais de 30 anos separam estes dois blocos de imagens. A consistência mantém-se, e a convicção da marca Adidas também! ainda bem; a Adidias usa os dois logótipos para contar histórias distintas, o "Trefoil" grita nostalgia, o "3-Stripes" desempenho;
e se eu dissesse que era possivel uma marca ter 2 logotipos diferentes – ao mesmo tempo — no início deste post? alguém acreditaria?
o que acontece quando uma marca decide desafiar o óbvio? Quando, em vez de se limitar às regras do mercado, escolhe olhar para o que as pessoas realmente precisam? A resposta pode estar num campo de futebol – ou melhor, em vários campos de futebol, que não são, curiosamente, rectangulares
em Banguecoque, um dos maiores desafios urbanos é a falta de espaços públicos para lazer e desporto. Os bairros são apertados, cada metro quadrado tem um preço elevado, e as crianças crescem sem um lugar onde possam simplesmente jogar à bola! resultado, juntam-se a gangs
a solução tradicional seria construir um campo de futebol. Mas onde? Em áreas densamente povoadas, um campo convencional não cabia. Foi aqui que a AP Thailand (com a ajuda da agência CJ Worx) fez aquilo que diferencia as marcas visionárias: olhou para o problema de outra forma. Em vez de se prender ao formato tradicional, decidiu usar os espaços disponíveis – fossem eles triangulares, trapezoidais ou com formas irregulares – e transformá-los em campos de futebol funcionais. Nasciam assim os primeiros campos de futebol não rectangulares do mundo
o impacto foi imediato. De um dia para o outro, jovens que antes não tinham onde jogar passaram a ter campos adaptados às suas comunidades. Mais do que um espaço de lazer, estes campos tornaram-se símbolos de criatividade e inclusão. E a AP Thailand? Conquistou algo que muitas marcas perseguem incessantemente: relevância autêntica
esta iniciativa ensina-nos lições valiosas sobre construção de marca. Primeiro, que as marcas mais fortes não vendem produtos – entregam soluções. O imobiliário não se trata apenas de edifícios, mas de criar espaços onde as pessoas possam viver melhor. Segundo, que a inovação acontece quando se desafia o convencional. Ao repensar algo tão simples como um campo de futebol, a AP Thailand mostrou que até os conceitos mais estabelecidos podem ser reinventados. Por fim, que as marcas devem ser catalisadoras de mudança. Quando uma empresa resolve problemas reais, não precisa de grandes campanhas para gerar impacto – a sua acção fala por si
a cultura desempenha aqui um papel central. O futebol não é apenas um desporto – é um fenómeno cultural carregado de significados simbólicos. É pertença, identidade, paixão. Ao transformar espaços urbanos negligenciados em campos de futebol, a AP Thailand não só respondeu a uma necessidade prática, mas também fortaleceu o tecido cultural da comunidade. Mais do que criar um impacto isolado, ajudou a reforçar a ligação entre marca e cultura, mostrando como ambas se influenciam mutuamente. As marcas não existem no vazio – fazem parte da história, dos valores e das emoções das pessoas. Quanto mais se inserem nesse fluxo cultural, mais significado ganham na vida dos consumidores
ao adaptar os espaços urbanos às formas irregulares e às realidades locais, a AP Thailand não inovou apenas na infraestrutura, mas também "elevou" a experiência do consumidor. A experiência criada vai além do físico: ela reforça a relação emocional entre a comunidade. Ao colocar-se no lugar do consumidor, a AP Thailand não só melhora a qualidade de vida das pessoas, como cria um vínculo duradouro e relevante
a grande questão para qualquer gestor de marca é: estamos a criar produtos ou a resolver problemas? Estamos a seguir fórmulas ou a reimaginar possibilidades? No fim do dia, as marcas que (realmente) ficam são aquelas que ousam
olhar o mundo com "olhos de ver" e compreendem que o seu impacto vai
além do funcional – está profundamente enraizado na cultura, numa
relação de construção mútua que molda tanto a marca como a sociedade
num esforço para incentivar a reciclagem, a nova campanha da Coca-Cola retrata o logótipo da marca literalmente esmagado e (dis)torcido, imitando a forma como apareceria numa lata de alumínio amassada e pronta para reciclar
segundo a marca estes logotipos não terão sido feitos deixando "simplesmente" um designer ir à loucura com a ferramenta warp do Photoshop.A equipa criativa esmagou literalmente as latas para conseguir capturar as distorções
reais ao logotipo. Tudo isto dá ao resultado final uma verdadeira "autenticidade analógica" e um reconhecimento visual impressionante
a campanha 'Recycle Me' foi desenvolvida pela WPP Open X, liderada pela Ogilvy New York com o suporte da Ogilvy PR. O vídeo em baixo retrata bem a ideia criativa e a importância da "autenticidade analógica"
é certo que a Coca-Cola não está a dizer nada de muito radical aqui: há
pelo menos 40 anos que comunicam a importância de reciclar. Só que neste
caso em particular e de interesse para o blog e para o branding, mais do que o que a Coca-Cola está a dizer, trata-se da forma "como" o está dizer
trata-se da forma como a marca - sem medo - questiona e ultrapassa a ditadura do logo estático e de que "no logotipo não se mexe"! Mexe-se sim, desde que se saiba o que se está a fazer
os
novos modelos de identidade dinâmica da marca já pressupõem toda uma
vida e elasticidade aos elementos visuais da marca (do qual o logotipo
faz parte); nestes modelos, estes temas já nem se colocam, o que é refrescante. Sobre estes modelos recomendo claramente a leitura do livro "Dynamic Identities: How to create a living brand" da autora Irene van Nes
é o momento mais falado da Paris Fashion Week 22/23 até agora. Na noite de sexta-feira (30) Bella Hadid fechou o desfile Primavera-Verão 2023 da francesa Coperni com um vestido que foi pura e simplesmente “pintado” na frente de uma plateia ao vivo
o desfile aconteceu na Salle des Textiles do Musée des Arts et Métiers de Paris e o tema do evento era a evolução da alfaiataria feminina na história! nem de propósito ;)
o material usado para criar o vestido "spray-on" foi desenvolvido pela
empresa de tecnologia de tecidos Fabrican Ltd, fundada em 2003, pelas
mãos do cientista e designer de moda espanhol Manel Torres
engane-se (e muito) quem diz que vivemos num mundo onde já se inventou tudo. Não poderiam estar mais enganados. Há ainda tanta coisa por criar ;) e a tecnologia vai ser sem dúvida a alavanca principal para a realização dessas ideias incríveis! Vamos a isso?
em 2016 a Tommy Hilfiger já se tinha associado à "Runway of Dreams", uma organização sem fins lucrativos fundada por Mindy Scheier, uma mãe de uma criança com distrofia muscular, para criar uma linha de vestuário mais inclusiva para crianças com deficiência
agora, a marca decidiu expandir a iniciativa para incluir uma colecção para adultos, esforçando-se por garantir a todas as pessoas com deficiência ainda mais opções de vestuário, mais adaptado às suas necessidades - chama-se "Tommy Adaptive" [link]
"Tommy Adaptive's mission is to be inclusive and empower people of all abilities to express themselves through fashion" refere o press release da marca
a linha inclui as peças essenciais como camisas, calças, calções, vestidos e casacos - sendo que as roupas Tommy Adaptive são mais fáceis de vestir. Modificações como bainhas ajustáveis, fechos de correr com uma só mão, aberturas laterais, sistemas de fecho de cordão, cintura ajustável, botões magnéticos e velcro, tudo ao serviço de tornar a roupa muito mais acessível às pessoas com deficiência. Algumas camisas são mesmo feitas com decotes de fácil abertura e aberturas de costas alargadas. Todos os modelos podem sem comprados na loja online da marca
de acordo com a revista Elle, este projecto resulta da articulação directa com a comunidade de pessoas com deficiência motora, para ter a certeza que eram introduzidas melhorias significativas desde os primeiros modelos lançados
em 2017 a Target também já tinha lançado a coleção Cat & Jack para crianças com deficiência motora; a própria Target também expandiu a sua linha de vestuário para mulher - Universal Thread - por forma a ser mais inclusiva
a revista "Mashable" incluiu esta iniciativa na sua categoria "Social Good", o que me parece acertadissímo! o post anterior - "you can talk the talk, can you walk the talk?" - falava precisamente sobre este tema: já não basta parecer, é preciso ser! Chamamos-lhe hoje
"Purpose-led Brands"! são as marcas que vamos querer que façam parte do
nosso futuro, porque são relevantes, porque acrescentam valor, porque
têm um propósito e por isso fazem sentido para a nossa vida (que também
tem e deve ter um propósito)
estou neste momento a ler o livro "The art of branded entertainment", um livro surpreendente por mil e uma razões, mas principalmente porque traz luz ao fundo do túnel (bem escuro) em que as marcas e a publicidade se encontram, e nos ilumina um caminho a seguir - bem interessante
uma das iniciativas recorrentes ao longo do livro é a ação "The Farm" pela marca Adidas (já de 2017...). Em Greenpoint, Brooklyn, num armazém muito pouco pretensioso, mesmo em
frente a um fornecedor de pedra, a Adidas tenta construir o (seu, o nosso) futuro
foi aqui que a empresa construiu a sua "Creator Farm", um local muito
pouco secreto onde a Adidas acolhe equipas de "designers" de estúdios de
todo o mundo
"the creator farm" não é o estúdio de design típico, e mantém esse nome porque
a marca queria que o espaço fosse "earthy and real" e um lugar "where you can get your hands dirty"; nas palavras do director criativo:
"it's meant to be a little provocative, It's where we cultivate talent. [...] "It's more about exploration, the obsession with progress is what this place is about — not the obsession with results."
"people
don't buy sports products ... just because they need a new pair of
shoes, they want a new pair of shoes. You need to be able to blend those
cultural insights and desires with the purpose of the product, the
functional needs. That's the kind of thing we explore here."
(só uma curiosidade para os "nerds" do "branded content": o vídeo da marca tem 19.480 visualizações, o da Karlie Kloss tem 201.119, e a diferença de datas de publicação por si só nao chega para justificar a diferença de impacto)
para o que nos interessa - "the creator farm" - é uma parte importante da estratégia da Adidas para se aproximar e se manter em sintonia com as necessidades e vontades dos consumidores (actuais e futuros). E para isso criou o espaço que o permite, não ficou à espera de acontecer! Brilhante.
só na industria do gamimg é que tenho assistido a iniciativas como esta, de envolvimento com as pessoas (consumidores ou outros profissionais) no desenvolvimento de produto, na inovação e na construção da própria (cultura da) marca - isto sim é construir de marca, é procurar relevância, propósito
a marca de roupa escandinava Carlings criou uma T-shirt que é – ao mesmo tempo – física e digital, o que a torna um dos melhores exemplos de um produto da nova "Era Phygital”
phygiquê?
phygital é um termo resultante da contração de Physical (físico em inglês) com Digital, que propõe a união de experiências de átomos e bits, analógica e digital. Compreende que os mundos real e o virtual estão cada vez mais próximos, que esses mundos colidiram e já não existem barreiras que os separem
fala-se inclusive de "phygital marketing" como uma estratégia para as marcas que procuram interagir com os consumidores neste novo território, onde as fronteiras entre físico e digital desapareceram, ou estão cada vez mais diluídas
o que nos traz de volta à Carlings
a marca escandinava Carlings, conhecida por criar a primeira colecção de vestuário digital de sempre, está a revolucionar uma vez mais a indústria da moda. Desta vez, é com "The Last Statement T-shirt", que a marca afirma ser o primeiro "tee" do mundo a integrar realidade aumentada
a marca tinha como objetivo conseguir colocar-se ao lado da geração "nativa digital" no protesto a favor da sustentabilidade, nomeadamente no esforço para reduzir o impacto ambiental do chamado “fast fashion”
para ajudar a resolver o conflito entre querer comprar mais roupa mas não quer contribuir mais para a crise climática, a t-shirt "The Last Statement" oferece aos utilizadores uma nova opção: permite mudar a mensagem na t-shirt sem a danificar ou ter de comprar uma nova - o "santo gral" para qualquer instragramar
as pessoas compram a T-shirt - que é branca à parte de um logotipo gráfico no topo - no website da Carlings por 39,90 euros. A T-shirt é então enviada directamente para o cliente; após a entrega do artigo, os clientes podem visitar a conta Instagram dedicada da Carlings, seleccionar o ícone de filtro e escolher entre uma variedade de desenhos; depois é só apontar a câmara para o logótipo gráfico da T-shirt. Isto irá sobrepor digitalmente o desenho seleccionado à T-shirt
todos os desenhos e animações incluem mensagens ambientalmente conscientes, tais como "Parem de negar que o nosso planeta está a morrer" e "Tenho a certeza que os dinossauros pensaram que também tinham tempo"
novas mensagens irão aparecer regularmente na conta Instagram da marca "para que todos os dias a t-shirt possa exibir um novo desenho de declaração animada para amplificar a tua mensagem", de acordo com o site da Carlings
depois de revelar a iniciativa no nosso evento anual da marca em
Londres, a Carlings disponibilizou as T-shirts para compra no seu
website sendo que 25% de cada compra será doada à instituição de caridade
WaterAid
o projecto foi criado pela Virtue Nordic, a agência criativa da Vice Media com sede em Copenhaga
[One Shirt – 100’s of Designs] The Last Statement T-shirt takes a
classic pillar of youth rebellion and reinvents it for the digital
age.
Through a custom version of Instagram/Facebook filters, you can
digitally change its design. So every day, the shirt can display a new
animated statement design to amplify your message.
Without ever having
to buy another t-shirt.
façam por favor uma vénia à Carlings e à Virtue Noridic
primeiro, a ação da Carlings vai directa ao cerne do problema que as marcas enfrentam na procura de um equilíbrio entre o ganho comercial e o facto de ser mais sustentável. Cada vez mais pessoas reconhecem que precisamos de desperdiçar menos para proteger o nosso planeta, mas a pressão das marcas sobre as pessoas é para comprarem mais. Este é o enigma no centro da crise do consumo, e que me tem levado a pensar que teremos de evoluir, não para consumir menos ou consumir mais, mas para consumir melhor!
segundo, porque é só o melhor exemplo à data de uma iniciativa verdadeiramente Phygital para a geração nativa digital e eco consciente, mas de longe!
Ooho! é um projecto para a criação de uma "garrafa de água comestível" que espera substituir os milhões de garrafas de plástico produzidas e deitadas fora todos os anos
a bola de água, chamada "Ooho!" É uma membrana biodegradável e natural que pode ser totalmente engolida e digerida. Feita de um extrato de algas marinhas é completamente incolor e insípida, embora sabores podem ser adicionados
a empresa responsável pelo desenvolvimento do produto, a Skipping Rocks Lab, foi fundada por três estudantes de design com o apoio do Imperial College London, e pretende apresentar uma série de projectos "sustentáveis", dos quais Ooho! é o primeiro
em baixo vídeo com apresentação do conceito. Apesar de só agora se estar a tornar "viral", o conceito já anda por cá desde 2014
o projecto tem em plano testar o uso destas bolas apresentando-o em grandes eventos como maratonas e festivais de música
a Skipping Rocks Lab diz que o material é mais barato do que produzir uma garrafa de água de plástico. Para criar as bolas, um bloco de gelo é mergulhado numa solução de cloreto de cálcio e algas marinhas, que ganham a forma de uma membrana em torno do bloco. Esta membrana pode ser descascada para manter o exterior limpo para consumo.
segundo o jornal Telegraph a mais recente campanha no crowdfunding no site CrowdCube angariou £582.000, sendo que mais de 500 pessoas investiram no projeto
produto impressionante! design, inovação e sustentabilidade no seu melhor. GOSTO.
fundada em 1921, a empresa italiana Alessi sempre se destacou pela alta qualidade dos seus produtos no mercado. A empresa evoluiu gradualmente tornando-se uma das grandes fábricas de design italiano, mantendo sempre como referência as tradições culturais dos próprios objetos
a empresa continua a responder às necessidades do mercado através do avanço cultural e estético aliado ao design de produto. Pulcina é uma máquina de café expresso projetada por Michele de Lucchi, um dos designers da Alessi
o produto partiu de uma intensa pesquisa sobre a otimização da forma tradicional de uma cafeteira, com a finalidade de melhorar e aumentar as propriedades químicas do café. Graças à sua tecnologia a Pulcina pára automaticamente de filtrar o café no momento certo, e esta interrupção permite eliminar a fase de erupção, que pode gerar café amargo ou queimado, garantindo sempre a melhor qualidade do café
para além da melhoria técnica para saborear o café de uma cafeteira tradicional, o impacto está na forma do produto:
Pulcina é cercada por anéis de metal horizontais que permitem criar um perfil dinâmico em forma de degraus. Para Alessi, a importância de criar os seus produtos é mantê-los sempre com referência à sua história cultural, neste caso, a exploração da cafeteira não fica só pelo melhoramento da concepção do café, mas alcança a vertente do design O movimento e agitação que o exterior da Pulcina nos transmite, está diretamente relacionado com os conceitos energéticos do seu conteúdo
em baixo, vídeo com alguns detalhes de todo o processo e que vale a pena ver. Podem conhecer mais no website dos autores no link
este é o alcance da exploração do design, fazer com que um produto
tradicional e utilitário na vida da sociedade, acompanhe o
desenvolvimento da mesma, tornando-o mais contemporâneo, futurista e
conceptual.
A true design work must move people, convey emotions, bring back memories, surprise, and go against - Alberto Alessi
Sara Magno. Estudante na área do design de comunicação. Adoro fotografia, publicidade, branding e packing design. Passo horas a escolher tipografias e a explorar soluções gráficas. “We (designers) transform what we touch.”
Oki Sato é um designer japonês, e fundador da empresa de design Nendo. Completamente viciado na constante concepção de novos produtos de design, Oki Sato afirma que através das suas criações pretende contribuir para pequenos momentos de satisfação e interesse no nosso quotidiano
a mais recente inovação de produto da Nendo partiu da seguinte questão: se as canecas e as panelas das nossas cozinhas têm alças / pegas, porque é que os pratos não têm?
desta forma a Nendo desenvolveu uma nova linha - Totte-Plates, que através de uma adição tão simples de uma alça ao prato do quotidiano permite, por exemplo, que seja mais fácil de o segurar quando está quente e assim de o transportar. Não só resulta na alteração de pegar no prato, como também lhe fornece uma nova sensação de segurança
esta é uma das muitas abordagens das potencialidades do design no nosso dia-a-dia, tornar pequenos detalhes de utensílios diários cada vez mais adaptados à nossa forma de vida; uma extensão positiva ao nosso quotidiano
a preocupação da caracterização do prato não fica por aqui, e a alça permite também solucionar questões de armazenamento tendo em conta que os pratos são normalmente dos objetos de cozinha com maiores dimensões guardados nos armários
esta colocação automática dos pratos nas prateleiras é alterada e os pratos podem ser pendurados na parede. Os três tamanhos que existem encaixam perfeitamente no interior uns dos outros, para que possam ser empilhados ou pendurados simultaneamente
a Nendo reforça a importância desta ideia de armazenamento, uma vez que os espaços de vida são cada vez mais compactados, e os próprios utensílios devem adaptar-se e ocupar o menos e o melhor espaço que conseguirem
a busca de novas perspectivas de funcionalidade nos produtos é uma das áreas de expansão do design, e esta readaptação de um objeto tão simples e utilitário, é a confirmação de como os designers encontram sempre inovadoras respostas até às questões mais simples
Sara Magno. Estudante na área do design de comunicação. Adoro fotografia, publicidade, branding e packing design. Passo horas a escolher tipografias e a explorar soluções gráficas. “We (designers) transform what we touch.”
The Land of Giants, é um projeto que transforma postes eléctricos comuns, em estátuas que integram a paisagem, neste caso na Islândia. Jin Choi e Shine Thomas são os arquitectos responsáveis por esta proposta em 2008, que ganhou o prémio ‘Recognition Award’ na ‘Icelandic High-Voltage Electrical Pylon International Design Competition’, e posteriormente tem sido um projeto reconhecido e divulgado por numerosos meios de comunicação
com pequenas alterações ao design da estrutura em aço das torres, os arquitectos criaram figuras icónicas que se complementam à beleza da paisagem, e assim ultrapassam a ideia de vermos uma torre meramente com um design funcional de necessidade, sem qualquer valor estético associado
os arquitectos afirmam que partem para a proposta do projeto com referência nas estátuas da Easter Island. As figuras criadas para inovar o aspecto das torres, são pensadas como transportadoras de eletricidade ao serviço da população: atravessam os terrenos de dia e noite, independentemente das condições meteorológicas. As posturas e os gestos são também associados à posição de uma pessoa a escalar montanhas. As pequenas alterações nas mãos ou na cabeça combinados com o reposicionamento do corpo das figuras, permitem maior variedade de expressões
as figuras podem também ser colocadas aos pares e andar na mesma direcção ou direcções opostas, olhando uns para os outros ou até curvados a observar a cidade, em plena sintonia uns com os outros
The Land of Giants™ : RIBA Pylon Competition Entry
no fundo, o design inovador destas torres propõe uma humanização das mesmas, o que ajudaria a integrar a estrutura cinzenta e tecnológica num ambiente tão natural.
A proposta da construção do projeto é apresentada detalhadamente, toda a estrutura funcionaria de forma sustentável e os postes de eletricidade não perderiam a sua função básica de serviço, mas ganhariam uma dimensão de complementariedade com o serviço da natureza
Sara Magno. Estudante na área do design de comunicação. Adoro fotografia, publicidade, branding e packing design. Passo horas a escolher tipografias e a explorar soluções gráficas. “We (designers) transform what we touch.”
atualmente o fenómeno do design está aliado à tecnologia, e tornou-se rapidamente na maior ferramenta de linguagem dos negócios do século 21. O documentário “Design Disruptors”, desenvolvido pela InVision, pretende destacar a importância do design de produto e da experiência do utilizador em grandes empresas de topo, tais como a Airbnb, Coursera, Dropbox, Etsy, Eventbrite, Evernote, Facebook, Google Ventures, HubSpot, MailChimp, Netflix, Pinterest, Salesforce, Spotify, Twitter, Xero, Zendesk, e muitas mais
o filme tem estreia para início do ano de 2016, e é dirigido por Matt D’Aveila que promete explorar “as mentes mais criativas de uma geração em que o design mostra a sua ajuda no desenvolvimento das empresas e da sociedade".
O documentário pretende tocar em vários aspectos da importância do design nas nossas vidas, desde o seu impacto na melhoria do modo de vida até à conexão que existe entre o design e os humanos
o design gráfico apresenta-se como uma das melhores ferramentas para a resolução de problemas: "Great designers don't see problems and solutions alone - they see stepping stones for a coherent, intencional journey" - Airbnb, head of experience design
o grande objectivo do filme é educar as pessoas e as empresas, através da apresentação dos melhores designers do momento, fazendo com que criem respectivamente experiências positivas na sociedade e transformações em novas empresas
qualquer projecto de inovação tecnológica precisa de engenheiros que criem um bom suporte informático, prático e funcional, e a relação da tecnologia com o design começa aqui: os designers pensam nas pessoas, nas suas emoções, perspectivas e as conexões que querem alcançar. O objetivo dos designers enquanto integrantes dos projectos passa pelo pensamento directo de como querem que as pessoas utilizem o produto / interface, e como é que isto se pode tornar numa experiência rápida, criativa e de impacto para o utilizador
o trailer refere a importância do design no desenvolvimento da base do projecto, pois se a estrutura do design não for bem consistente, todo o processo se pode tornar vulnerável.
Este documentário é de elevada pertinência na geração actual, na qual o design cada vez vinga mais e se manifesta como um mecanismo de exploração e desenvolvimento
a interrogação que fica no final é inquietante para qualquer designer, gestor de desenvolvimento de marca ou de inovação: “A questão agora não é se podemos construir. Sim podemos construir qualquer coisa. A questão é que futuro queremos construir juntos? E isso é o poder do design”
Sara Magno. Estudante na área do design de comunicação. Adoro fotografia, publicidade, branding e packing design. Passo horas a escolher tipografias e a explorar soluções gráficas. “We (designers) transform what we touch.”
Ronan e Erwan Bouroullec são irmãos e formam ambos uma conceituada equipa de designer’s.
Serif Tv by Samsung é o último projecto dos irmãos, que apresentam a televisão como uma peça de mobiliário sofisticada e totalmente preparada para integrar os espaços interiores
o desenvolvimento do perfil da tv é a forma de um I maiúsculo, por sua vez de uma fonte serifada. Porquê que isto agrada aos consumidores? Porque estão presentes os conceitos de tamanho e magreza que normalmente são vistos como qualidades desejadas.
a tv deixa de ser um aparelho de televisão com aspecto tecnológico e com uma tela plana preta, e passa a ter a sua personalidade sofisticada e cativante.
A parte superior da tv serve como base para outros objetos, com a finalidade do proprietario colocar livros e outras peças decorativas que integrem o ambiente da sala. A parte de trás da televisão possui um painel em tecido que pretende ocultar todos os fios, sendo que esta pode ser movida para longe da parede, perdendo a sua localização habitual
“O motivo era fazer um objeto que pertence-se adequadamente ao mundo em que vivemos” referem os autores.
Serif está em lançamento na London Design Festival até hoje dia 27 de setembro, e pretende entrar no mercado a 2 de novembro ainda deste ano.
os tamanhos da tv também foram pensados, e existem respectivamente três: Serif de 40 polegadas, Serif Medium de 32 polegadas, e a Serif Mini de 24 polegadas.
O interface foi desenvolvido pela Samsung, com a inovação do Curtain Mode que permite criar um cenário gráfico translúcido na tela da televisão sem que esta seja necessariamente desligada
de facto é um produto inovador, podemos alterar a sua perspectiva no espaço de uma casa e faze-lo integrar-se como uma peça de design. A sua função deixa de ser apenas prática para assistir a programas e novelas, e passa apresentar-se ao seu proprietário como objeto de exploração e decoração
Sara Magno. Estudante na área do design de comunicação. Adoro fotografia, publicidade, branding e packing design. Passo horas a escolher tipografias e a explorar soluções gráficas. “We (designers) transform what we touch.”