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uma aula de branding que é uma caça aos ovos

às marcas é pedido (exigido) que encontrem o seu território "identitário" e respetivas associações; às marcas é pedido (exigido) que o façam em proveito do posicionamento pretendido e que sejam exímias enquanto o fazem! às marcas é pedido (exigido) que, sempre que o façam, exista uma ligação óbvia aos benefícios do produto (funcionais, emocionais e sociais) e à experiência do consumidor

para isso, convido-vos para uma caça aos ovos:


 

em março de 2020:

em março de 2021:

 

em março de 2023: 

 

como diz a voz off de um dos videos: "thats how Milka owns the easter egg hunt"! 

está lá tudo: território, associações, benefícios (funcional, emocional e social), consistência na comunicação, experiência do consumidor... 

aula terminada, podemos ir para o coffee break

o futuro do retalho moderno

"compre diretamente a quem fabrica" é o claim que acompanha o packshot final do vídeo que faz parte da mais recente campanha da Dyson, atualmente em TV e digital


 

será  este o principio do fim do retalho moderno como o conhecemos (baby steps)? com a ajuda essencial da massificação do D2C através do e-Commerce?

ou apenas um claim aspiracional de marca líder (que curiosamente está à venda na  distribuição moderna) cuja intenção é reforçar o posicionamento de especialista?

comentários (construtivos) são bem vindos ;)

o 4º report anual "meta trending trends", servido com bourbon

em todos os inícios de ano somos brindados com dezenas (centenas?) de relatórios sobre tendências, uns mais exaustivos do que outros, uns de mais longo prazo do que outros, uns mais radicais e extremistas do que outros

o que era o (meu/nosso) trabalho criativo de pensar precisamente em tendências passou a ser o trabalho administrativo de navegar e filtrar toneladas de reports... até à fadiga das tendências (não havemos de sofrer apenas de fadiga pandémica)... 

mas eis que, tcharaaaaan, Matt Klein nos brinda com os "Meta-Trending-Trends"! #fu&k

o quarto "Relatório Anual Meta Trend" sintetiza mais de 500 tendências de mais de 30 relatórios, classificando as 19 tendências culturais mais frequentemente relatadas para 2021. Os resultados desta "cruzada" aparecem publicados no blog On Advertising

para termos uma ideia, alguns dos reports que fazem parte desta meta-análise: Accenture & Fjord, Deloitte Insights Tech, Deloitte Insights Marketing, Dentsu Facebook IQ, Faith Popcorn, Falcon, Ford, Foresight Factory, Forrester, Future Laboratory, Frog, Gartner, Google, GWI, Hubspot, JWT, Kantar, Ketchum, Mintel, Ogilvy Consulting, Pinterest, Spacecadet, Trend Hunter, Trend Watching, We Are Social, WGSN, WEF, Zebra IQ, e mais

é por isso claramente leitura recomendada! trabalho excecional com a irreverência que o torna relevante, interessante e com impacto

é claro que — por serem tendências — muitas das vezes temos dificuldades em as "opercionalizar", em as  "materializar" ou mesmo em as "concretizar" em ações ou iniciativas para as nossas marcas

e no preciso momento em que estou a pensar nisto, vou eu na meta-tendência 9, e cruzo-me com a campanha "6ourbon7ime"! wow! 

mas uma coisa de cada vez:

— a tendência 09: "Escape to Forget 🛸  Evading this nightmarish reality is the goal — even for just an hour. Keywords: gaming, binging, virtual tourism, VR, daydreaming, fantasy"

— a campanha "6ourbon7ime":  da Beam Suntory pede aos trabalhadores para recuperarem o período entre as "6-7pm" como uma hora para relaxar e desligar a ficha! 


 

está tudo dito nao está ;)

dizem os estudos que — a maioria de nós em teletrabalho — trabalha na realidade mais 35% do tempo do que aquele definido pelo horário de trabalho "normal"

a nova campanha "6ourbon7ime" exorta por isso os trabalhadores em casa a honrarem o espírito do "clocking out", desligando-se, e convida todos a visitar 6ourbon7ime.com para fazerem download do "invite" que bloquea a agenda do "outlook" nessa hora

o vídeo da campanha é otimo, mas foi mesmo na imprensa que vi a melhor peça:



 

(imagens retiradas do LinkedIn de Adriano Matos, Executive Creative Director at Leo Burnett Brasil)

"6ourbon7ime é uma iniciativa interncional para dinamizar a conversa em torno desta questão e inspirar as pessoas a parar e recuperar algum tempo pessoal", referiu Adriano Matos, EVP e Director Criativo Executivo da Leo Burnett Chicago. "Através de canais sociais e digitais, todas as marcas Beam Suntory estão a unir forças para encorajar as pessoas a repensar o seu comportamento nestes dias incrivelmente desafiantes que estamos a viver"

está na hora de reclamar o periodo entre as 6-7 horas como "A Hora Mais Feliz", e isso — pelos vistos — pode começar com um bourbon! why not ;)

brindemos a isso!

escrever o obituário da marca

o que aconteceria se a sua marca deixasse de existir? alguém lamentaria a morte da sua marca?



os jornalistas escreveriam capas de jornais a anunciar as suas conquistas? ou simplesmente adicionariam o facto a uma lista de histórias passadas remetidas para ultima página?

os analistas expressariam o seu desapontamento e a perda para o mercado? ou salientariam os indicadores que tornavam a morte previsível?

será que os colaboradores se perguntariam como foi possível uma morte tão abrupta? ou saberiam perfeitamente que isso era inevitável? os clientes lamentariam a sua falta? ou já nem tinha clientes...

uma das principais conclusões do estudo Global Meaningful Brands® da HAVAS de 2019 refere que os portugueses não sentiriam a falta de 77% das marcas com que interagem todos os dias, se estas desaparecessem amanhã! o valor mais alto de sempre desde que a pesquisa "Meaningful Brands®" começou em 2008 e 3 pontos percentuais acima dos resultados de 2017! #ups! (fonte)

centenas de marcas desaparecem todos os anos sem deixar grandes vestígios da sua existência, para além de uma memória vaga de terem feito parte da nossa vida. Marcas lideres, daquelas que aparentemente seriam lideres "para sempre", foram facilmente substituídas e esquecidas. Só a titulo de exemplo, nos telémóveis a Nokia e a Motorola, na fotografia a Kodak e a Polaroid... poderia continuar...

mas também outras centenas de marcas ficam! daí o nome deste blog, dedicado a elas. Marcas que permanecem relevantes, "independentemente" da geração (X, Y, Z, L...). Marcas que se actualizam, marcas que mantêm significado para os clientes e que continuam por isso a ser preferidas
 
um exercício que me tem ajudado a ajudar a pensar o estado actual de uma marca é precisamente forçar a resposta à pergunta: o que aconteceria se a marca deixasse de existir? é inspirado no excelente trabalho de Denise Lee Yohn e consiste em desafiar as pessoas (colaboradores, clientes, ...) a escrever o obituário da marca
‘um obituário é um registo necrológico veiculado nos meios de comunicação social. É um formato jornalístico do género utilitário, informando da morte de um indivíduo em particular. Em caso de pessoas famosas, normalmente traz um resumo das suas realizações em vida, com destaque para os episódios que as tornaram notáveis.’ (fonte)
não é o pensamento mais agradável, é verdade! mas ajuda ao processo de imaginar como seria se a marca com que interagimos todos os dias deixasse de existir. Neste exercício ajuda pensar a marca como se fosse uma pessoa, na sua totalidade, e tudo o que ela envolve – nos seus melhores dias, e quando executada com excelência.

é simples, "finja que é um repórter de um jornal local que tem de escrever o obituário para essa pessoa (a marca X), que acabou de falecer hoje." Este cenário inventado vai ajudar a olhar de frente para a essência da marca. Algumas questões que segundo a autora ajudam:
. Qual foi a maior conquista? Da qual será lembrada?
. Quem é que a marca deixa para trás? O que ficou por cumprir?
. Quem é que vai chorar por ter perdido a marca? e por quê?
. Que lições podem ser aprendidas com a vida da marca?
. O que pode ser aprendido na sequência da sua morte?
. Agora que a marca se foi, o que ocupará seu lugar?
depois de completar o texto, deve-se escrever um titulo que capture tudo o que é dito no obituário; esse título, a maior parte das vezes, captura em toda a plenitude o estado actual da própria marca

por norma costumo pedir para escreverem os obituários individualmente, mas depois partilhá-los com o grupo. Como são partilhados em voz alta, geralmente há algum desconforto (falar sobre o fim da marca não é compreensivelmente uma actividade desejável), mas há sempre, sempre, momentos de revelação, ou pelo menos momentos de externalização de informação pertinente

é recorrente surgirem temas comuns dentro da mesma marca e que a caracterizam perfeitamente e com grande clareza, para o melhor (por exemplo, conquistas, marcos históricos, quem sentirá a sua falta) e para o pior (por exemplo, causas da morte...)

é um exercício poderoso, mas que não deixa de ser um passo de diagnóstico! o trabalho ainda está todo por fazer ;) construir em cima do que se sabe e para conseguir o que se quer, uma marca relevante

you can talk the talk, can you walk the talk?

uma coisa é as marcas comunicarem como o futuro devia ser, como nos devíamos comportar, como é que devíamos estar a mudar o mundo... blá blá blá... outra coisa é comunicar como se está - efectivamente - a mudar o mundo hoje

uma coisa é parecer interessante com a comunicação de uma acção futura (de que vamos ajudar, de que vamos mudar, ... só não sabemos é quando), outra coisa é ser interessante pelas consequências das nossas acções e comunicar precisamente isso! chamamos-lhe hoje "purpose-led advertising"

e quando se tem a mensagem certa, consegue-se coisas fantásticas como esta

sugiro ouvir a entrevista de Mike Watson da Wunderman Thompson, a agência responsável pela peça, na sequência dos recém criados prémios de eficácia da Kantar: "Future Proof: What makes a winning advert?"

por isso: parem de querer parecer interessantes, sejam interessantes

confiar nas marcas? porquê?

a evolução dos programas de fidelização, o crescimento do e-commerce e das compras online e o marketing digital (em geral) são algumas das grandes influências que mudaram a forma de interação do consumidor com as marcas

em consequência, as marcas têm agora à sua disposição grandes quantidades de dados, e estão a ser feitos esforços pela parte destas no sentido de fazer um uso maior (e melhor) dos mesmos, em benefício dos consumidores, delas próprias e dos seus parceiros

mas à medida que esta tendência se acelera, e que os consumidores se tornam mais exigentes em termos da utilização dos seus dados, começam a surgir questões importantes, tais como o que os clientes sentem sobre a utilização dos seus dados e para que tipos de serviços os consumidores estariam dispostos a partilhar os seus dados

é este o tema do relatório "The consumer data give and take", da Deloitte Global em parceria com a Ahold Delhaize, que detalha os resultados de um inquérito online realizado em 15 países e a 15.000 inquiridos sobre as atitudes em relação à utilização e partilha de dados dos consumidores (podem consultar o report aqui)

existem alguns dados que me parecem particularmente importantes, principalmente os que dizem respeito à confiança e à vontade em partilhar informação, nomeadamente nesta época de digitalização (à bruta e sem anestesia...)

ou seja, as pessoas (ainda) não confiam, ponto. E por isso não estão disponíveis para partilhar a sua informação (apesar de o fazerem muitas vezes "sem saberem"). Não preciso por isso de ler mais nada para perceber o que é que precisamos mudar com urgência. Falamos de digitalização, de propósito, de relevância... mas continuamos com um problema grave de (falta de) confiança... 
 
e a situação não é particularmente melhor para ninguém, sendo que aqueles que mais recolhem dados são aqueles em quem menos as pessoas confiam... porque será?

acho particularmente importante estimular a discussão em torno da necessidade de recolha de dados e da ética da utilização dos dados, das responsabilidades das marcas e das suas respostas à regulamentação da recolha e partilha dos dados pessoais, de acordo com as expectativas dos consumidores. Esta discussão será fundamental para a formação tanto da regulamentação como das expectativas dos consumidores

aí sim, poderemos dar um passo importante e falar de valores, de propósito e de relevância. 

a confiança "é a base da evolução de qualquer comunidade, tanto na sua vertente económica como na social ou cultural (...)  a variável com maior impacto na evolução económica das sociedades é a confiança - sem esta, o investimento nunca será suficiente, o consumo será sempre incerto e os níveis de poupança basear-se-ão mais na incerteza sobre o futuro do que na segurança

as palavras são do Prof. Carlos Brito, que tenho todo o gosto em citar porque sabe bem do que fala; por isso sugiro - para continuação desta nossa conversa - a leitura do artigo a "Economia da Confiança", para a Dinheiro Vivo, excelentemente bem escrito

confiar nas marcas? porquê? é a pergunta que eu peço a todos os que trabalham com marcas não deixem - nunca - de fazer

'the obsession with progress is what this place is about'

estou neste momento a ler o livro "The art of branded entertainment", um livro surpreendente por mil e uma razões, mas principalmente porque traz  luz ao fundo do túnel (bem escuro) em que as marcas e a publicidade se encontram, e nos ilumina um caminho a seguir - bem interessante

uma das iniciativas recorrentes ao longo do livro é a ação "The Farm" pela marca Adidas (já de 2017...). Em Greenpoint, Brooklyn, num armazém muito pouco pretensioso, mesmo em frente a um fornecedor de pedra, a Adidas tenta construir o (seu, o nosso) futuro

foi aqui que a empresa construiu a sua "Creator Farm", um local muito pouco secreto onde a Adidas acolhe equipas de "designers" de estúdios de todo o mundo


 


"the creator farm" não é o estúdio de design típico, e mantém esse nome porque a marca queria que o espaço fosse "earthy and real" e um lugar "where you can get your hands dirty"; nas palavras do director criativo:

"it's meant to be a little provocative, It's where we cultivate talent. [...] "It's more about exploration, the obsession with progress is what this place is about — not the obsession with results."

"people don't buy sports products ... just because they need a new pair of shoes, they want a new pair of shoes. You need to be able to blend those cultural insights and desires with the purpose of the product, the functional needs. That's the kind of thing we explore here."

(só uma curiosidade para os "nerds" do "branded content": o vídeo da marca tem 19.480 visualizações, o da Karlie Kloss tem 201.119, e a diferença de datas de publicação por si só nao chega para justificar a diferença de impacto)

para o que nos interessa - "the creator farm" - é uma parte importante da estratégia da Adidas para se aproximar e se manter em sintonia com as necessidades e vontades dos consumidores (actuais e futuros). E para isso criou o espaço que o permite, não ficou à espera de acontecer! Brilhante. 

só na industria do gamimg é que tenho assistido a iniciativas como esta, de envolvimento com as pessoas (consumidores ou outros profissionais) no desenvolvimento de produto, na inovação e na construção da própria (cultura da) marca - isto sim é construir de marca, é procurar relevância, propósito

ou, nas palavras dos próprios à pergunta "qual é a principal função do espaço?" — "criar cultura", respondeu Marc Dolce, VP e director criativo da Adidas! gosto

a t-shirt phygital da Carlings

a marca de roupa escandinava Carlings criou uma T-shirt que é – ao mesmo tempo – física e digital, o que a torna um dos melhores exemplos de um produto da nova "Era Phygital”


phygiquê?

phygital é um termo resultante da contração de Physical (físico em inglês) com Digital, que propõe a união de experiências de átomos e bits, analógica e digital. Compreende que os mundos real e o virtual estão cada vez mais próximos, que esses mundos colidiram e já não existem barreiras que os separem

fala-se inclusive de "phygital marketing" como uma estratégia para as marcas que procuram interagir com os consumidores neste novo território, onde as fronteiras entre físico e digital desapareceram, ou estão cada vez mais diluídas

o que nos traz de volta à Carlings

a marca escandinava Carlings, conhecida por criar a primeira colecção de vestuário digital de sempre, está a revolucionar uma vez mais a indústria da moda. Desta vez, é com "The Last Statement T-shirt", que a marca afirma ser o primeiro "tee" do mundo a integrar realidade aumentada

a marca tinha como objetivo conseguir colocar-se ao lado da geração "nativa digital" no protesto a favor da sustentabilidade, nomeadamente no esforço para reduzir o impacto ambiental do chamado “fast fashion”

para ajudar a resolver o conflito entre querer comprar mais roupa mas não quer contribuir mais para a crise climática, a t-shirt "The Last Statement" oferece aos utilizadores uma nova opção: permite mudar a mensagem na t-shirt sem a danificar ou ter de comprar uma nova - o "santo gral" para qualquer instragramar

as pessoas compram a T-shirt - que é branca à parte de um logotipo gráfico no topo - no website da Carlings por 39,90 euros. A T-shirt é então enviada directamente para o cliente; após a entrega do artigo, os clientes podem visitar a conta Instagram dedicada da Carlings, seleccionar o ícone de filtro e escolher entre uma variedade de desenhos; depois é só apontar a câmara para o logótipo gráfico da T-shirt. Isto irá sobrepor digitalmente o desenho seleccionado à T-shirt

todos os desenhos e animações incluem mensagens ambientalmente conscientes, tais como "Parem de negar que o nosso planeta está a morrer" e "Tenho a certeza que os dinossauros pensaram que também tinham tempo"

novas mensagens irão aparecer regularmente na conta Instagram da marca "para que todos os dias a t-shirt possa exibir um novo desenho de declaração animada para amplificar a tua mensagem", de acordo com o site da Carlings

depois de revelar a iniciativa no nosso evento anual da marca em Londres, a Carlings disponibilizou as T-shirts para compra no seu website sendo que 25% de cada compra será doada à instituição de caridade WaterAid


o projecto foi criado pela Virtue Nordic, a agência criativa da Vice Media com sede em Copenhaga
[One Shirt – 100’s of Designs] The Last Statement T-shirt takes a classic pillar of youth rebellion and reinvents it for the digital age. Through a custom version of Instagram/Facebook filters, you can digitally change its design. So every day, the shirt can display a new animated statement design to amplify your message. Without ever having to buy another t-shirt.  


façam por favor uma vénia à Carlings e à Virtue Noridic

primeiro, a ação da Carlings vai directa ao cerne do problema que as marcas enfrentam na procura de um equilíbrio entre o ganho comercial e o facto de ser mais sustentável. Cada vez mais pessoas reconhecem que precisamos de desperdiçar menos para proteger o nosso planeta, mas a pressão das marcas sobre as pessoas é para comprarem mais. Este é o enigma no centro da crise do consumo, e que me tem levado a pensar que teremos de evoluir, não para consumir menos ou consumir mais, mas para consumir melhor!

segundo, porque é só o melhor exemplo à data de uma iniciativa verdadeiramente Phygital para a geração nativa digital e eco consciente, mas de longe!

o que acharam?

marcas à beira do abismo?

a revista The Economist preparou uma apresentação extremamente interessante (e tendenciosa quanto baste, tal como mandam as regras) das implicações de simplesmente cortar no investimento em publicidade durante um periodo de crise ou recessão 

deixo-vos na evidência dos números, nas palavras dos gurus e nas sábias citações:


dizem que devemos aprender com o que a história nos ensina. Este trabalho do The Economist é de 2012

fui ao livro "Ogilvy on Advertising"de 1983 encontrar a seguinte referência ao mesmo tema, neste caso sobre os (não) investimentos das marcas nos EUA durante o periodo da grande recessão:
"the companies that did not cut their advertising budgets did better in every year. By 1977 their sales had more than doubled, while sales had barely gone up 50% for companies that cur their advertising. 1975 sales were down for the companies that cut their advertising, but up for those that didn't"
como diria o Yoda, "Difficult to see. Always in motion is the future…"

a teoria do consumidor para totós

a teoria do consumidor, ou teoria da escolha, é uma teoria da microeconomica, que tenta descrever como os consumidores tomam decisões de compra e como eles enfrentam os diferentes tradeoffs e as mudanças no seu ambiente

para esta teoria, as pessoas escolhem um bem em detrimento de outro em virtude da utilidade que ele lhe proporciona; sendo que as coisas não têm valor em absoluto em separado das pessoas e das circunstâncias, tendo a mesma coisa diferentes valores para pessoas e situações diferentes

um dos pressupostos - valor e escassez - diz que a escassez é o que gera o valor! Antes da lei económica da oferta e da procura explicar as variações dos preços em função da quantidade disponível dos bem em causa, já há muito o dia a dia dos homens havia feito da escassez o critério objectivado mais básico para a aferição do valor das coisas

mas tudo começa a perder interesse (utilidade?!) com a matematização da realidade...

"em  termos  matemáticos,  este  princípio  geral  traduz  que  a  função  valor  é  côncava  crescente.  A  função  ser  côncava crescente traduz que a sua derivada é positiva e que a sua segunda derivada é negativa (que o valor marginal é decrescente)"

vamos por isso ao que interessa! este é um screenshot do website e loja e-Commerce da marca "Anti Social Social Club" [link]

se uma imagem vale mais do que mil palavras, esta então vale todo um manual de microeconomia e um manual de teoria do consumidor juntos

TODOS, mas literalmente todos os produtos da marca são apresentados na loja online com o rótulo de "SOLD OUT", estando por isso em rutura e por isso impossíveis de comprar...

https://www.antisocialsocialclub.com/

não vou perder-me em explicações ;) iniciativa online muito bem conseguida, completamente fora da caixa, como a própria marca 

procura e oferta, valor e negociação, posicionamento, ... está cá tudo! 

se for tema de interesse, sugiro a leitura do artigo no Observador  "O storytelling e a gestão de marcas"

a ação que a Benetton queria ter feito: baloiços cor-de-rosa néon unem fronteira México/EUA

os baloiços foram instalados entre das ripas de aço numa secção do muro da fronteira, no Sunland Park, pelos arquitetos californianos Ronald Rael e Virginia San Fratello, com o apoio do Colectivo Chopeke da Ciudad Juarez, noMéxico



a ideia original foi concebida por Rael e Fratello em 2009 (ver aqui) quando estavam a ser desnvolvidos conceitos alternativos ao muro para delimitar a fronteira, projectos que dessem visibilidade aos desafios humanísticos, culturais e ambientais inerentes à construção do muro

nos vídeos e fotos partilhados por Rael, podemos ver adultos e crianças que se juntam à diversão. Como diz no tweet de um dos autores,
quando penso em marcas e ativismo / intervenção social a United Colors of Benetton está claramente no meu top of mind, daí a "provocação" no titulo. Imaginei também um baloiço feito de peças de legos e a ação ser promovida pela marca dinamarquesa, teria sido excelente também

quando a criatividade e o ativismo social inspiram as marcas. Devemos estar bem atentos à forma como a sociedade comunica e as mensagens que previligia. É de lá que deve vir inspiração e os principais insights acerca do consumidor, das gerações X, Y, Z, de tudo

o que vos parece a ideia? que outras marcas?

a informação pertinente é aquela que vem dos clientes e a eles retorna

a McDonald’s anunciou a aquisição da Dynamic Yield, uma start-up tecnológica na área da inteligência artificial, personalização e melhoria da experiência do consumidor

de acordo com o comunicado de imprensa, a McDonald’s utilizará esta tecnologia para oferecer uma experiência ainda mais personalizada ao cliente, por exemplo, variando as opções dos menus digitais nos Drive Thru com base na hora do dia, clima, tráfego atual do restaurante e produtos mais procurados

ok. Até aqui nada que eu já não tenha visto, nomeadamente no sector do retalho, da banca online... Onde é que eu acho que está "a notícia"? na atitude da marca em querer criar conhecimento acerca do comportamento de consumo

“quando se servem 68 milhões de clientes todos os dias, a nossa capacidade para aprender com os seus comportamentos e traduzir isso em tecnologia é imbatível”, disse o presidente executivo do McDonald's, Steve Easterbrook, em comunicado

a intenção é conseguir compreender os hábitos de consumo dos seus clientes e usar essa informação para tornar mais eficiente e personalizada a sua cadeia de abastecimento. Em entrevista à Wired, Steve Easterbrook, cita o processo como uma “transição do marketing em massa para a personalização em massa"



Guy Ausloos - psicólogo e terapeuta familiar - no livro "A Competência das Famílias", apresenta o que ele chama de Postulado da Informação Pertinente. De forma simples, refere que “a informação pertinente é aquela que vem da família e a ela retorna” (para a informar do seu próprio funcionamento)”. Para o caso, teria a ousadia de o adaptar: “a informação pertinente é aquela que vem dos clientes e a eles retorna”. Isto é ser customer-centric, um passo de gigante para colocar o cliente no centro da vida do negócio

sonhos patrocinados: o futuro da publicidade

já nos habituamos a ver anúncios em qualquer lugar... para o melhor e para o pior já se tornaram parte integrante da nossa vida

mas quanto mais as pessoas tentam evitar ver anúncios, mais as marcas e os anunciantes continuam a tentar encontrar novas maneiras de chegar às pessoas... 
"The real question is not: How many ads do we see? The real question is: What do we have to do to see no ads? And the answer is: go to sleep" (James B. Twitchell)
há um momento que parece ser completamente reservado à pessoa: o período em que dormimos. Os sonhos serão talvez o último lugar seguro e livre da inserção paga de publicidade... ou não?!

o que aconteceria se as anunciantes tivessem a possibilidade de entrar nos nossos sonhos? (de forma paga, porque muitos de nós sonhamos com algumas marcas ;) Será que o futuro da publicidade subliminar dos anos 60 são hoje os sonhos patrocinados?

com base nesta ideia o STUDIO SMACK desenvolveu um curta metragem de animação do que seria um sonho patrocinado por uma marca que todos nós conhecemos bem...



a ideia de sonhos patrocinados parece-me demasiado curiosa para resistir, confesso ;) seja como for, esta iniciativa do Studio Mack é excelente, seja porque serve de motivo para iniciar a discussão e porque, visualmente, o vídeo é simplesmente espectacular!

o que vos parece? 

control quer ajudar a dar 5

em dia de Jogo Portugal-Gana, e numa fase decisiva da participação da selecção nacional no mundial 2014, a Control manda mensagens de incentivo aos “jogadores”, dentro e fora de campo numa campanha provocadora com assinatura da Fischer+Bus























estas campanhas em tempo real estão cada vez mais apuradas e certeiras. Gosto. E vocês, o que acharam?

Barbie posa em biquíni para a Sports Illustrated [reportagem e making of]

no post "Barbie posa em biquíni para a Sports Illustrated" tive a oportunidade de falar em antevisão da edição especial que a Sports Illustrated Swimsuit Issue estava a preparar com uma reportagem especial da Barbie, e com direito a capa!! A revista veio para as bancas em Fevereiro, eis a tão esperada capa: 

























a publicação apresenta um artigo de quatro páginas com imagens de Walter Iooss Jr., fotógrafo que há quatro décadas retrata modelos para a revista. Deixo-vos com duas das imagens desse artigo, que colocam lado a lado 1959 e 2014


em baixo o vídeo com o "behind the scenes" de toda a sessão fotográfica! um #MustSee



e claro!!! a edição limitada da boneca com o tema da revista, vendido apenas no site Target.com.





















e para quem ainda se questiona, mas porquê?!?! aconselho a leitura do post "Why Posing for Sports Illustrated Suits Me" no blog "Barbie Collector"

é sem dúvida um excelente trabalho de "bring to life" da boneca que, ultimamente, tem vindo a ser atacada de todos os lados! e se é verdade que, como diz o povo,"Quem não sente não é filho de boa gente", a Mattel contra ataca, e na minha opinião, de forma exemplar!! #ClapClap

campanha da Vans é uma verdadeira aula sobre posicionamento

a Vans é uma marca de calçado e vestuário, estilo " Streetwear", criada na Califórnia (EUA) em 1966. Tem 48 anos de existência e está mais actual que nunca! e como?

















a Vans apresentou este mês a sua campanha mais recente, uma série documental que nos dá uma autêntica aula sobre como posicionar um produto, em pleno século 21. São 14 retratos impressionantes sobre a história de pessoas fora do mainstream, completamente contra a corrente da cultura moderna. Narram histórias que captam na perfeição todas as expressões criativas da identidade Vans.

sem nunca mostrar a marca durante cada vídeo (o que é o oposto ao que a publicidade tradicional nos ensina), mostra o que a marca representa, o que defende, e como se apresenta! Quem se identifica, direta ou indiretamente com esse estilo de vida, não vai ficar, garantidamente, indiferente! E isso é posicionar uma marca dentro da cabeça das pessoas.

deixo-vos com duas séries de vídeos, uma primeira com os 14 que compõem a campanha compelta, e uma segunda, com as entrevistas aos responsáveis pela criação e desenvolvimento da mesma



























para os ainda mais interessados, as entrevistas com os principais intervenientes no processo de desenvolvimento e implementação da campanha

entrevista a Angela Boatwright

entrevista a Patrick O'Dell

entrevista a Grace Ladoja

entrevista a Leong Zhang

se chegaram até aqui, aula dada =D o que acharam?

Kama Sutra inspira Ikea para dia dos namorados

pelos vistos o mobiliário também está em alta no Dia dos Namorados este ano. O Ikea lançou um anúncio com inspiração no Kama Sutra e apresenta um par de cadeiras Borje numa posição muito interessante e "comprometedora"
 

a BBH Singapura é a agência responsável pelo anúncio, que foi lançado nos "social mídia" e colocado em algumas das lojas da marca

























acho que é um anúncio que posiciona o Ikea no seu melhor. Irreverente, jovem e alinhadissímo com o target. O que acharam?

a mensagem certa, à pessoa certa, no momento certo

a frase do titulo deste post é de Jonathan Nelson, CEO da Omnicom Digital e que Garett Sloane cita na edição da AdWeek desta semana, no artigo "This Is Advertising's Next Great Leap Forward: Right message, right person, right time", que aconselho seriamente a leitura (aqui)

este artigo fala do proximo grande passo para a evolução do mercado digital de publicidade, mais concretamente do papel do "sequential messaging" ("the ability to leap across screens") nessa evolução

o foco "excessivo" no digital, faz às vezes esquecer a "figura completa" no mercado de publicidade. É muito interessante verificar que a quota de mercado do Digital cresce "à custa" da perda de quota do meio impresso (revistas e jornais) e em parte, da rádio. Porque a TV, na verdade, cresce quota de mercado!

isto é evidente no gráfico em baixo, do artigo "10 Things You Should Know About the Global Ad Market" da Ad Age (aqui)













sem dúvida que a conclusão é valida:
"The internet in 2013 passed newspapers to become the world's second-largest ad medium, behind TV, according to ZenithOptimedia. The internet now captures one in five ad dollars."
acrescentaria uma dado, que retiro da minha experiência, a TV continua a ser o grande meio de comunicação em massa, mas enquanto antigamente quem lia jornais e revistas também via televisão, os meios tinham uma grande sobreposição, o mesmo não acontece com o digital. O digital têm uma zona crescente de exclusividade, retirando os que vêm TV com o smartphone ligado ou o tablet no colo, existe um segmento cada vez maior que simplesmente deixaram de ver TV. O que acham?  

olha o avião!! ou será antes olha a pizza?!

#LookUp: a British Airways criou um cojunto de outdoors digitais que interagem com os aviões que voam por cima deles. Colocados em vários locais da cidade de Londres sob as principais rotas de aproximação ao aeroporto de Heatthrow, os outdoors detectam a passagem dos aviões e imediatamente mostram uma criança a apontar para o avião que passa.















o outdoor apresenta também informações sobre o avião, o número do voo e o seu destino como por exemplo eventos, temperatura, etc... transversal a toda a campanha, a hashtag #lookup garante a presença nos "social media". Vejam o vídeo em baixo




#LookDown: a Domino's Pizza a satirizar com a ação da BA criou o outdoor "olha, é uma pizza pepperoni". O entregador de pizza ao passar pelo outdoor faz a criança levantar-se e apontar para baixo, para o entregador. Dizem que a mensagem é diferente consoante a pizza que passa #lol. E nem a hashtag foi esquecida, de #lookup para #lookdown. Vejam o vídeo em baixo:



acho que está aqui um bom exemplo de como usar a tecnologia ao serviço da publicidade, nomeadamente na comunicação outdoor (na campanha da BA). Mas também como a "interacção" entre marcas, seja a sério seja a brincar, pode ser bem utilizada.

não é para quem quer, é para quem pode

para celebrar seu 80º aniversário, a LACOSTE deu a Peter Saville carta branca para trabalhar com o seu icónico pólo L.12.12, para a criação da série “Holiday Collector No. 8”

com humor, inteligência e criatividade, Saville decidiu pela opção arriscada de "brincar" com o logotipo da marca, o crocodilo. Saville manteve a cor clássica da peça, assim como o logo verde, mas levou o crocodilo ao extremo, ao transformá-lo num "rabisco", num "borrão" ou numa única linha















 o dasafio à identidade da marca esteve subjacente a esta decisão:
“When we make art, we ask questions while with the design we give answers. The answer here is that the Lacoste logo is so identity for the brand so that it is present even when it is no longer recognizable"
os 160 polos criados nesta edição limitada vão estar à venda nas "concept store" em todo o mundo pelo preço de 420 euros



duas notas a reter: em primeiro, a coragem da LACOSTE em aceitar este "makeover" ao logo (mesmo sendo numa edição limitada); em segundo, a prova de que o logo não é a marca, é "só" mais um elemento desta! uma marca forte impõe-se apesar da ausência do logo. Não há, na verdade, nada demasiado "instalado" ou demasiado "seguro" para ser mexido no mundo das marcas, desde que, só desde que a marca seja forte.