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sujar-se nunca fez tanto sentido

tudo começa com um insight desconcertante: “sabiam que crianças passam menos tempo ao ar livre do que presos em regime de segurança máxima?”




a campanha, desenvolvida pela MullenLowe London, dá corpo a esta estatística alarmante através de um paralelismo poderoso: prisioneiros reais a falar sobre o valor do seu tempo no exterior — e a surpresa ao descobrirem que as crianças têm ainda menos acesso ao ar livre do que eles 

a escolha dos prisioneiros enquanto emissores da mensagem não é acidental — é estratégica. Representam o significante da restrição máxima de liberdade, e ao colocá-los em contraste com a infância (tradicionalmente associada à liberdade, brincadeira e inocência), a campanha gera um curto-circuito simbólico

por isso o efeito é poderoso: ao inverter a hierarquia esperada entre liberdade e infância, a campanha desestabiliza o espectador — obrigando-o a reavaliar as suas certezas culturais e sociais. É nesse desconforto que nasce a empatia... e a tomada de consciência

esta campanha (apesar de ser de 2016) é um case study em como alinhar comunicação de marca com uma verdade culturalmente relevante. A Persil não só reforça a sua missão — permitir que as crianças explorem o mundo (e se sujem no caminho) — como também se posiciona como uma marca útil, consciente e empática

ao envolver Sir Ken Robinson, uma autoridade global em criatividade e educação, e ao promover o Outdoor Classroom Day, a campanha transcende o vídeo e afirma-se como movimento social. Esta transição de campanha para causa é, cada vez mais, um requisito para marcas que querem ser culturalmente relevantes (não vivêssemos nós na Era das Causas). Este tipo de ação mostra o poder da criatividade quando usada não só para comunicar, mas para mobilizar (o Ativismo tão na moda)

o verdadeiro ganho para a Persil? Brand equity. A marca passou de um produto funcional a uma facilitadora ativa de uma infância mais livre — um movimento subtil e profundamente eficaz 

sujar-se é o ponto de encontro entre o sucesso do consumidor e o sucesso da marca. Para as famílias, é liberdade e crescimento. Para a Persil, é mais roupa para lavar. Todos ganham, gosto!

em baixo o vídeo do case para os mais interessados:


a literacia como um ativo estratégico de marca

na era dos dados e do excesso de informação, o conhecimento – o 'saber' – ganha cada vez mais relevância! ao mesmo tempo, percebemos, hoje mais do que nunca, que o papel das marcas tem de ir além do desenvolvimento e entrega de produtos ou serviços por si só

conseguiríamos juntar estes dois insights para criar um ativo estratégico para as marcas? este post é sobre isso, sobre a importância da literacia como ativo das marcas do futuro. As marcas do futuro (B2B, B2C, D2C, ...) precisam perceber o 'poder' do conhecimento que têm e do seu papel como agente ativo de literacia ao serviço do consumidor! isto é, o conhecimento que uma marca tem e constrói dentro da sua área de atuação e que ao partilhar com o consumidor (de uma forma que ele entende e usa) tem um impacto positivo na vida de todos, da marca e do consumidor. Resultado? um relação que vai além do transacional e que transforma verdadeiramente quem aprende, porque o 'empodera' a conseguir tudo o que precisa e a atingir os seus resultados (chamamos-lhes 'customer success')

a esta altura já estamos a precisar de um exemplo! existem já muitos e bons, eu gostei particularmente da campanha "Bepanthen Tattoo" que exemplifica bem esta ideia


 

o caminho óbvio para a marca seria comunicar o produto e os seus beneficios funcionais "as-is"; tem usado a aplicação da pomada nos bebés para o efeito, certo! Mas, e como alargar o target e o território de associações para além da "maternidade" e da "puericultura"?

o que é que está na moda? o que é hoje uma trend cultural e tem tudo a ver com "pele": tatuagens!

por isso, mais do que anunciar a possiblidade de usar a pomada, a marca criou uma iniciativa que ensina os consumidores sobre os cuidados a ter com a pele tatuada, ajudando-os a preservar a beleza e a saúde da tauagem para sempre, usando a pomada (claro!). Esta abordagem 'educativa' constrói confiança e relevância ao oferecer informações úteis  aos clientes e aos tautadores – como práticas para cuidar de tatuagens, que estão cada vez mais presentes na nossa pele e no nosso dia a dia. A marca chamou-lhe "the art of aftercare"


Bepanthen Tattoo Aftercare Global Campaign: Hero AV 
 

Bepanthen Tattoo Aftercare Global Campaign: The Art of Aftercaree 

Bepanthen Tattoo Aftercare Global Campaign: Personal process

the aftercare card gift (paper and for download)

 

as marcas que assumem este papel criam uma sensação de cuidado genuíno, mostrando aos consumidores que estão realmente comprometidas com o seu bem-estar; e para além do beneficio funcional, introduzem uma nova camada na proposta de valor, dão um beneficio emocional, neste caso o sentimento que o consumidor tem de estar a cuidar de si próprio

quem quiser saber mais, toda a campanha está incrivelmente bem retratada pelas suas criadoras aqui e aqui

o conhecimento é um recurso com efeito multiplicador e ser fonte de confiança através do conhecimento é sem dúvida um diferencial competitivo. Marcas que colocam a literacia no centro das suas estratégias estão a agregar valore a construir relações duradouras! 

no futuro, mais do que contribuir para "consumir mais" ou "consumir menos", a marca terá o papel de ajudar a "consumir melhor" – e a literacia aparece aqui como um ativo estratégico de marca extremamente poderoso

o "naming" ao serviço do posicionamento - o caso nolhtaceD

qualquer alteração ao nome ou logotipo da marca é, por norma, mal visto pela "gestão". E porquê? na verdade por nenhuma razão "técnica", mas mais pelo vinculo emocional, pela sensação de quase "adultério" ao "bom nome" ou imagem perante os outros

mas se há coisa que eu acho interessante no marketing é como ele próprio é capaz de torcer, curvar e dobrar as suas próprias regras para, de forma tática, trabalhar posicionamento e/ou a relação com os consumidores (e clientes no B2B) 

é reconhecido o exemplo da cor azul adotada pela marca Super Bock no estádio do Dragão, que tem na sua cor (vermelha) um elemento extraordinariamente identitário. Ambas as marcas - SB e FCP - sairam muito bem desta ação, sendo muito valorizada pelos consumidores e adeptos (e até concorrência). Quando as marcas são fortes, isto é tão possivel quanto desejável

foi essa mesma postura que esteve na base da ação da Decathlon, que mudou (temporariamente) de nome para 'Nolhtaced' em três cidades belgas. E porquê?


 

nolhtaceD é na verdade Dechatelon escrito ao contário ("reverse"). E qual a razão? promover o chamado “reverse shopping”, ou seja, a compra e venda de artigos usados mas que ainda estão em condições para serem utilizados
 
a mudança de nome é a ideia criativa para a promoção do conceito de economia circular da marca! gosto

as pessoas que venderem os seus produtos à Decathlon receberão em troca um voucher para gastar em novos equipamentos ou outros itens em segunda mão. Este voucher permanecerá válido por dois anos. Enquanto isso, os produtos que não podem ser revendidos podem ser deixados gratuitamente para reciclagem 

“We want to make sure everyone can play sports in an environmentally conscious way. To grow sustainably, we are therefore fully committed to our buy-back service, our second-hand offer, rental and repairs,”

“At first glance, this name change to Nolhtaced may seem like a marketing stunt, but our main aim is to make our buy-back service known to the widest possible audience and thus reuse as many items as possible, lower the threshold for second-hand and increase purchasing power.”

(Arnaud De Coster, responsável pela gestão da categoria de roupa em segunda mão da marca) 

durante a fase de testes a Decathlon (re)comprou “de volta” 26.000 itens!

muito importante, e nas palavras de Joeri Moons (área de sustentabilidade da Nolhtaced Belgium): 

“Our classic consumption pattern has to change: buy fewer new products and resell, repair or rent older material. Consumers are also starting to look at stuff differently than before. It is less about possession and more about use,” 

já vimos outras ações semelhantes, e também espetaculares, a ação da Patagónia "não compre este casaco" é um caso de estudo. Hajam mais e bons exemplos, vamos a isso?  

@gustavomendes

uma lição de branding na "sala mais aborrecida de sempre”

a marca Lego é provavelmente detentora do maior numero de referências neste blog. E nem preciso de explicar porquê ;)

neste caso, volta a aparecer para poder destacar uma iniciativa (uma "experiência social") da fundação da marca - The Lego Foundation

sou psicólogo clínico de formação de base e, por isso, esta ação torna-se particularmente irresistível, por juntar o melhor dos dois mundos, a psicologia e o marketing

de que é que se trata: colocaram seis crianças numa sala vazia com apenas uma mesa, uma cadeira e um único rolo de papel. Objetivo? ver o que acontecia!



 

e obviamente aquela que era aparentemente a “sala mais aborrecida de sempre” torna-se tudo menos isso! torna-se um espaço para dar corpo à imaginação, ao jogo, à construção de "realidades alternativas", à diversão, ...  vale a pena ver o vídeo:
 

produzida pela Ketchum London e realizada pela Mad Cow Films como parte da campanha “Build a world of play” da Lego Foundation, os resultados deste “experiência social” foram filmados e projetados para destacar esta capacidade das crianças de utilizarem a imaginação e o jogo (que é precisamente o território da  marca Lego)

da minha experiência de mais de 20 anos em consulta psicológica de crianças e adolescentes desde muito cedo percebi o que nunca podia faltar neste contexto: lápis e folhas de papel brancas. Gostei ver a Lego dar visibilidade a este super-poder das crianças e que infelizmente parece que perdemos com a idade...

a Lego a trabalhar os benefícios sociais e emocionais da marca, contribuindo ativamente para a valorização do papel do jogo no desenvolvimento das crianças. Esta ação mostra que a Lego conhece genuinamente bem o seu consumidor e torna evidente porque é que "blocos de plástico" fazem sentido na vida das crianças e dos pais (o que no Marketing chamamos de "propósito")

gosto!

o que é que o álcool gel e os cocktails molotov têm em comum?

ambos são (boas) respostas - neste caso de marcas de cerveja - aos desafios do momento

durante a pandemia, e de forma a apoiar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) no abastecimento de produtos essenciais, o Super Bock Group e a Destilaria Levira estabeleceram uma parceria inédita para a produção de álcool gel desinfetante para as mãos que foi oferecido a unidades hospitalares da região do Porto

transformaram 56 mil litros de álcool da produção de cerveja sem álcool do grupo de bebidas em cerca de 14 mil litros de álcool gel

as necessidades mudam, as marcas acompanham 

durante o desenrolar da invasão russa, a Pravda, localizada na cidade de Lyiv, na Ucrânia, acrescentou à sua linha industrial de cerveja a produção de cocktails molotov, convertendo parte das suas instalações de engarrafamento numa fábrica de cocktails molotov 


 

a mensagem no rótulo diz tudo: "Putin Huilo", que se traduz num insulto ao presidente russo. Estes cocktails molotov têm como destino as milícias de autodefesa ucranianas, relatou Juri Zastavniy, gerente do Pravda, ao Telegraph 

a reportagem da reuters:

o posicionamento é também sobre marcar uma posição! e por isso o (bom) marketing ser tanto uma questão de coragem! tenho cada vez mais a certeza disso.

marcas e a procura da "verdade" conveniente

diz-se que assumir que se tem um problema é o primeiro passo para o ultrapassar... foi precisamente isso que a marca de chocolates Tonny's (que diz que não é uma marca de chocolates) decidiu fazer:

"We're an Impact Company that makes chocolate, not the other way around. And while we're crazy about chocolate, we're serious about people. In that spirit, we've decided to confront the big chocolate-covered elephant in the room: Our inconvenient truth? We're part of the sugar problem."

esta é a mensagem principal que encontramos na secção do website dedicada a esta comunicação:


 


parece ser a lógica do "beba com moderação" ;) mas vai bem mais longe, e incorpora algumas das boas práticas da ultima ação da DOVE: #SemManipulaçãoDigital (que podem consultar aqui)

nesse sentido, faz parte desta iniciativa um report de 69 páginas: "Understanding the effects of sugar overconsumption and possible interventions" que podem consultar aqui. Gostava de reforçar o "reason why" da marca para esta iniciativa, porque diz tudo:
 
"That’s why we’ve spent serious time understanding the problem of sugar overconsumption. And what possible solutions are out there to prevent overconsumption. This process helped us define what we believe the right solutions could be and establish our role in these."
 
esta posição é tão explicita e marcadamente assumida que não deixa margem para erro, este infográfico da marca é tão bem conseguido que quase se torna contra-producente ;)


 
a falta de literacia financeira foi sem dúvida parte do problema da crise financeira de 2009, a (falta de) literacia alimentar e nutricional será claramente parte do problema de obesidade que enfrentamos, por exemplo

o nosso Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) dá particular ênfase a este tema, pode ler-se no próprio website, dentro da "Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional":

"o aumento da literacia alimentar e nutricional e a capacitação dos cidadãos de diferentes estratos socioeconómicos e etários (...) para as escolhas e práticas alimentares saudáveis e o incentivo de boas práticas sobre a rotulagem, publicidade e marketing a produtos alimentares."
 
por isso, gostei da iniciativa ;) é mais um passo que vale a pena ser dado. Marcas irreverentes fazem-nos de forma irreverente, mas todas as formas de o fazer são válidas. Como refere Niclas Norström no LinkedIn (aqui), a quem fui buscar inspiração para este texto,
 
"How many other companies talking about ”purpose” and being ”people-centered” dare to act in this way and be transparent about their inconvenient truths and negative impact on people, society and planet."  
 
mais importante ainda:
 
"Try this excercise to kick of 2022 in a bold and provocative way! What if - we did like Tony and were transparent about our inconvenient truths - what would we do/change and how would we communicate about it?"
 
tal como o dinheiro gera dinheiro, acredito que o conhecimento gera conhecimento! as marcas têm um papel importante na divulgação e comunicação dos impactos dos seus produtos na vida das pessoas e do planeta, tal como os consumidores devem ter bem presentes quais são os impactos do seu consumo na sua vida e na vida do planeta, isto é uma moeda de duas faces, onde marcas e consumidores têm um papel determinante! 
 
por isso nas palavras da Tonny's: "Let’s make 2022 the year of conscious choco chomping!"

não posso deixar de terminar sem esta nota: em 2012, faz agora 10 anos, a "American Apperel" lançou uma comunicação tão arrojada e irreverente quanto interessante: "f**k the brands that are f**king the people" (podem ver aqui), para mim, claramente "antes do seu tempo" mas já a deixar as sementes para o chamado "capitalismo conscencioso" (vale mesmo a pena saber mais, sugiro começar por aqui)
 
vamos a isso!

papel do marketing na promoção do comportamento pró-social

para o Dia Mundial da Síndrome de Down 2021, a CoorDown apresentou a The Hiring Chain, a campanha de comunicação internacional desenvolvida em parceria com a agência de criação Small, com sede em Nova York 

a mensagem da ação é simples e eficaz: contratar uma pessoa com síndrome de Down não só muda a vida da pessoa em questão, como pode desencadear um círculo virtuoso de novas oportunidades para todos! Como explica a CoorDown no seu canal de YouTube:"quanto mais as pessoas com síndrome de Down forem vistas no trabalho, mais serão reconhecidas como colaboradores valiosos e mais serão contratadas"

a canção original da campanha é interpretada por Sting e foi composta por Stabbiolo Music. É este o "pequeno grande" detalhe que lança para a fama esta ação


 

o tweet do Sting:

o vídeo e a música: 

os empregadores inspirados no filme podem visitar o sítio criado para o efeito em www.hiringchain.org (criado por Adoratorio Studio) onde vão encontrar os contactos de organizações de todo o mundo que podem ajudar e fornecer informações detalhadas sobre a criação de um local de trabalho inclusivo

quem quiser conhecer a identidade visual de todo o projecto, pode encontrar aqui

o sucesso desta ação está obviamente no insight, que é brilhante. O Sting dá-lhe a notoriedade que ele merece, garantindo assim o sucesso e a maior visibilidade

fica evidente como o marketing pode e deve atuar no sentido da promoção do comportamento pró-social, seja dos empregadores, seja dos consumidores. Este é um passo na direção do futuro, o marketing ao serviço do verdadeiro impacto social

como construir uma marca forte

se colocarem a pergunta "como construir uma marca forte?" no google (em pt) vão receber uma lista de mais de 18 milhões de entradas

a resposta é fácil, e poupo-vos a consulta a uns bons milhões de páginas: através de um posicionamento e um propósito relevante e bem definido, comunicado de forma contínua e consistente. Parece difícil? mas não é. Como tudo na vida, e ao contrário da expressão tradicional, "não basta parecer é preciso ser" 

como parte do manual de instruções das caixas dos blocos mais famosos de sempre, foi descoberta uma carta da LEGO aos pais, datada do início dos anos 1970. Nessa carta, a empresa insta os seus clientes adultos a dar às crianças a liberdade criativa que elas precisam para construir o que quiserem, independentemente do seu sexo, afirmando que "é a imaginação que conta", a marca apresenta uma posição clara contra os estereótipos de género 

vale a pena dar um salto ao post que escrevi em 2015 "lego, criatividade e estereótipos de género" e rever a carta. Vão ler pf, mas voltem cá, o melhor ainda está para vir (aqui)

esta semana mais de 50 anos depois dessa carta a Lego anunciou o lançamento do novo set de mini figuras "Everyone is Awesome", o primeiro conjunto de peças de temática LGBTQ+. O conjunto tem todas as cores do arco-íris para simbolizar as cores da bandeira "Pride" e mais algumas para representar a inclusão da comunidade transgénero e pessoas de cor

o designer do conjunto, Matthew Ashton, comentou com o The Guardian que nenhuma das figuras tem um género específico atribuído para "expressar individualidade, mantendo ambiguidade"

"ao crescer como um miúdo LGBTQ+, diziam-me com o que deveria brincar, como deveria andar, como deveria falar, o que deveria vestir - a mensagem que recebi foi sempre que havia algo de errado comigo. Tentar ser alguém que não era foi esgotante. Quem me dera que, como criança, tivesse olhado para o mundo e pensasse: "Vai ficar tudo bem, existe um lugar para mim". Desejo que tivesse visto uma afirmação de inclusão que dissesse toda a gente é espectacular"
o vídeo em baixo, em discurso directo

o set "Everyone is Awesome" estará à venda a partir de 1 de Junho, que marca o início do mês dedicado ao debate sobre o tema da diversidade e inclusão

ser capaz de incluir no desenvolvimento de produto e na comunicação da marca, durante mais de 50 anos, este posicionamento, esta atitude de querer tornar o mundo melhor, seja o tema "polémico" ou não, faz da Lego o sucesso que é. Vêem como é fácil :)

#ElasTambémJogam

Havas evidencia - de forma genial - a falta de visibilidade de atletas do sexo feminino na imprensa da especialidade

um dia depois de ser comemorado o Dia Internacional da Mulher, todas as notícias publicadas nos três principais jornais desportivos portugueses foram transformados num infográfico, dividido em duas cores: uma representando os artigos sobre os homens e outra para as mulheres desportistas

 

para realizar a ação, foi montada uma verdadeira estrutura de guerrilha. A equipa teve acesso aos jornais de madrugada, digitalizou todas as páginas e transformou-as num infográfico, imprimiu e entregou a vários jornalistas, "influenciadores" e atletas, ainda nessa terça-feira (leia-se dia 9).  

as marcas dos jornais foram cobertas por um autocolante, que convida o público (e os jornalistas) a pensar na vida: "Quando não mostramos as mulheres no desporto, é como se elas não existissem. Não as deixe fora de jogo. #ElasTambémJogam" 

“As marcas dos jornais foram tapadas por um autocolante que nos convoca a partilhar notícias de atletas femininas, através do hashtag da campanha”, explica ainda a agência em comunicado, deixando claro que o objectivo é promover o debate sobre o assunto

segundo Marta Faria, fundadora do Raparigas da Bola, «mais visibilidade gera mais interesse do público, que desperta interesses de marcas, que gera investimentos e consequentemente volta a gerar visibilidade»

mais explícito não dá: 




 

os vídeos da campanha para os mais "nerds" da pub:


 
e claro, o vídeo com o case da ação, para a candidatura a Cannes :)


a ideia criativa, a execução, tudo irrepreensível. Isto é publicidade (e marketing) para o impacto social! Temos muito trabalho pela frente, muito. Mas isso só nos dá mais alento  
 
#ElasTambémJogam

purpose-led brands: linha de vestuário para pessoas com deficiência by Tommy

em 2016 a Tommy Hilfiger já se tinha associado à "Runway of Dreams", uma organização sem fins lucrativos fundada por Mindy Scheier, uma mãe de uma criança com distrofia muscular, para criar uma linha de vestuário mais inclusiva para crianças com deficiência

agora, a marca decidiu expandir a iniciativa para incluir uma colecção para adultos, esforçando-se por garantir a todas as pessoas com deficiência ainda mais opções de vestuário, mais adaptado às suas necessidades - chama-se "Tommy Adaptive" [link]

"Tommy Adaptive's mission is to be inclusive and empower people of all abilities to express themselves through fashion" refere o press release da marca

 

a linha inclui as peças essenciais como camisas, calças, calções, vestidos e casacos - sendo que as roupas Tommy Adaptive são mais fáceis de vestir. Modificações como bainhas ajustáveis, fechos de correr com uma só mão, aberturas laterais, sistemas de fecho de cordão, cintura ajustável, botões magnéticos e velcro, tudo ao serviço de tornar a roupa muito mais acessível às pessoas com deficiência. Algumas camisas são mesmo feitas com decotes de fácil abertura e aberturas de costas alargadas. Todos os modelos podem sem comprados na loja online da marca


 
de acordo com a revista Elle, este projecto resulta da articulação directa com a comunidade de pessoas com deficiência motora, para ter a certeza que eram introduzidas melhorias significativas desde os primeiros modelos lançados

em 2017 a Target também já tinha lançado a coleção Cat & Jack para crianças com deficiência motora; a própria Target também expandiu a sua linha de vestuário para mulher - Universal Thread - por forma a ser mais inclusiva

a revista "Mashable" incluiu esta iniciativa na sua categoria "Social Good", o que me parece acertadissímo! o post anterior - "you can talk the talk, can you walk the talk?" - falava precisamente sobre este tema: já não basta parecer, é preciso ser! Chamamos-lhe hoje "Purpose-led Brands"! são as marcas que vamos querer que façam parte do nosso futuro, porque são relevantes, porque acrescentam valor, porque têm um propósito e por isso fazem sentido para a nossa vida (que também tem e deve ter um propósito)

you can talk the talk, can you walk the talk?

uma coisa é as marcas comunicarem como o futuro devia ser, como nos devíamos comportar, como é que devíamos estar a mudar o mundo... blá blá blá... outra coisa é comunicar como se está - efectivamente - a mudar o mundo hoje

uma coisa é parecer interessante com a comunicação de uma acção futura (de que vamos ajudar, de que vamos mudar, ... só não sabemos é quando), outra coisa é ser interessante pelas consequências das nossas acções e comunicar precisamente isso! chamamos-lhe hoje "purpose-led advertising"

e quando se tem a mensagem certa, consegue-se coisas fantásticas como esta

sugiro ouvir a entrevista de Mike Watson da Wunderman Thompson, a agência responsável pela peça, na sequência dos recém criados prémios de eficácia da Kantar: "Future Proof: What makes a winning advert?"

por isso: parem de querer parecer interessantes, sejam interessantes

a t-shirt phygital da Carlings

a marca de roupa escandinava Carlings criou uma T-shirt que é – ao mesmo tempo – física e digital, o que a torna um dos melhores exemplos de um produto da nova "Era Phygital”


phygiquê?

phygital é um termo resultante da contração de Physical (físico em inglês) com Digital, que propõe a união de experiências de átomos e bits, analógica e digital. Compreende que os mundos real e o virtual estão cada vez mais próximos, que esses mundos colidiram e já não existem barreiras que os separem

fala-se inclusive de "phygital marketing" como uma estratégia para as marcas que procuram interagir com os consumidores neste novo território, onde as fronteiras entre físico e digital desapareceram, ou estão cada vez mais diluídas

o que nos traz de volta à Carlings

a marca escandinava Carlings, conhecida por criar a primeira colecção de vestuário digital de sempre, está a revolucionar uma vez mais a indústria da moda. Desta vez, é com "The Last Statement T-shirt", que a marca afirma ser o primeiro "tee" do mundo a integrar realidade aumentada

a marca tinha como objetivo conseguir colocar-se ao lado da geração "nativa digital" no protesto a favor da sustentabilidade, nomeadamente no esforço para reduzir o impacto ambiental do chamado “fast fashion”

para ajudar a resolver o conflito entre querer comprar mais roupa mas não quer contribuir mais para a crise climática, a t-shirt "The Last Statement" oferece aos utilizadores uma nova opção: permite mudar a mensagem na t-shirt sem a danificar ou ter de comprar uma nova - o "santo gral" para qualquer instragramar

as pessoas compram a T-shirt - que é branca à parte de um logotipo gráfico no topo - no website da Carlings por 39,90 euros. A T-shirt é então enviada directamente para o cliente; após a entrega do artigo, os clientes podem visitar a conta Instagram dedicada da Carlings, seleccionar o ícone de filtro e escolher entre uma variedade de desenhos; depois é só apontar a câmara para o logótipo gráfico da T-shirt. Isto irá sobrepor digitalmente o desenho seleccionado à T-shirt

todos os desenhos e animações incluem mensagens ambientalmente conscientes, tais como "Parem de negar que o nosso planeta está a morrer" e "Tenho a certeza que os dinossauros pensaram que também tinham tempo"

novas mensagens irão aparecer regularmente na conta Instagram da marca "para que todos os dias a t-shirt possa exibir um novo desenho de declaração animada para amplificar a tua mensagem", de acordo com o site da Carlings

depois de revelar a iniciativa no nosso evento anual da marca em Londres, a Carlings disponibilizou as T-shirts para compra no seu website sendo que 25% de cada compra será doada à instituição de caridade WaterAid


o projecto foi criado pela Virtue Nordic, a agência criativa da Vice Media com sede em Copenhaga
[One Shirt – 100’s of Designs] The Last Statement T-shirt takes a classic pillar of youth rebellion and reinvents it for the digital age. Through a custom version of Instagram/Facebook filters, you can digitally change its design. So every day, the shirt can display a new animated statement design to amplify your message. Without ever having to buy another t-shirt.  


façam por favor uma vénia à Carlings e à Virtue Noridic

primeiro, a ação da Carlings vai directa ao cerne do problema que as marcas enfrentam na procura de um equilíbrio entre o ganho comercial e o facto de ser mais sustentável. Cada vez mais pessoas reconhecem que precisamos de desperdiçar menos para proteger o nosso planeta, mas a pressão das marcas sobre as pessoas é para comprarem mais. Este é o enigma no centro da crise do consumo, e que me tem levado a pensar que teremos de evoluir, não para consumir menos ou consumir mais, mas para consumir melhor!

segundo, porque é só o melhor exemplo à data de uma iniciativa verdadeiramente Phygital para a geração nativa digital e eco consciente, mas de longe!

o que acharam?

um lápis que é um aliado da diversidade cultural

a marca GIOTTO lançou "recentemente" uma variedade de doze lápis para colorir com os tons de pele mais encontrados nas pessoas



não é a primeira marca a fazê-lo, existem outras, como por exemplo a Faber-Castell ou a Lyra, também com colecções mais ou menos semelhantes, de lápis para colorir com os diferentes tons de pele

quis no entanto aproveitar o momento para deixar aqui este excelente exemplo de como trabalhar o posicionamento de uma marca com o lançamento de novos produtos

com o #Giottoskintones através do atributo mais "básico" do produto - a cor - construiriam uma ferramenta poderosa, evoluíram do simples lápis de colorir para um instrumento de comunicação de valores fundamentais como a "diversidade cultural"

isto junto de vários targets-alvo, as crianças obviamente, mas também os professores e as famílias, que vêm aqui uma oportunidade ótima para por o tema "no papel"



a Giotto está a construir uma imagem de "inovação", "responsabilidade social", "cidadania", "proximidade", "diversidade" e "cultura" com o seu produto de sempre: lápis! keep it simple



quem cair na tentação de dizer que lápis de cor são "commodities"... desengane-se! e leia este post todos os dias de manhã até ter aprendido ;) 

nunca como hoje fez tanto sentido partilhar estas boas práticas

quem quiser conhcer o site do produto por ver aqui

but fu*k it, save the koalas

o instagram apagou a conta de uma modelo que arrecadou US$ 500 mil para o combate aos incêndios na Austrália... com nudes :)

valores mais altos se levantam... ou então não! 


a "influencer" e modelo Kaylen Ward publicou no seu Twitter () o aviso de que estaria distribuindo nudes no Insta para quem comprovasse que doou pelo menos dez dólares às instituições australianas que ela havia listado e que estavam ajudando as vítimas do recente desastre ambiental

o tweet obteve nada menos que quarenta mil retweets e permitiu que a modelo arrecadasse cerca de quinhentos mil dólares

a campanha não foi do agrado do Instagram, que notificou Ward de que sua conta seria eliminada por postar “conteúdo sexualmente sugestivo”. A modelo diz que não violou quaisquer diretrizes e declarou no Twitter que irá continuar com a ação, na procura da maior quantidade de fundos possíveis para ajudar o povo australiano que foi atingido pelo fogo.
Activismo "incompreendido" e/ou má gestão de marca de curto prazo?  uma das duas ou ambas?

a ação que a Benetton queria ter feito: baloiços cor-de-rosa néon unem fronteira México/EUA

os baloiços foram instalados entre das ripas de aço numa secção do muro da fronteira, no Sunland Park, pelos arquitetos californianos Ronald Rael e Virginia San Fratello, com o apoio do Colectivo Chopeke da Ciudad Juarez, noMéxico



a ideia original foi concebida por Rael e Fratello em 2009 (ver aqui) quando estavam a ser desnvolvidos conceitos alternativos ao muro para delimitar a fronteira, projectos que dessem visibilidade aos desafios humanísticos, culturais e ambientais inerentes à construção do muro

nos vídeos e fotos partilhados por Rael, podemos ver adultos e crianças que se juntam à diversão. Como diz no tweet de um dos autores,
quando penso em marcas e ativismo / intervenção social a United Colors of Benetton está claramente no meu top of mind, daí a "provocação" no titulo. Imaginei também um baloiço feito de peças de legos e a ação ser promovida pela marca dinamarquesa, teria sido excelente também

quando a criatividade e o ativismo social inspiram as marcas. Devemos estar bem atentos à forma como a sociedade comunica e as mensagens que previligia. É de lá que deve vir inspiração e os principais insights acerca do consumidor, das gerações X, Y, Z, de tudo

o que vos parece a ideia? que outras marcas?