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vestido pintado na passerelle

é o momento mais falado da Paris Fashion Week 22/23 até agora. Na noite de sexta-feira (30) Bella Hadid fechou o desfile Primavera-Verão 2023 da francesa Coperni com um vestido que foi pura e simplesmente “pintado” na frente de uma plateia ao vivo

 

o desfile aconteceu na Salle des Textiles do Musée des Arts et Métiers de Paris e o tema do evento era a evolução da alfaiataria feminina na história! nem de propósito ;)  
 
o material usado para criar o vestido "spray-on" foi desenvolvido pela empresa de tecnologia de tecidos Fabrican Ltd, fundada em 2003, pelas mãos do cientista e designer de moda espanhol Manel Torres

engane-se (e muito) quem diz que vivemos num mundo onde já se inventou tudo. Não poderiam estar mais enganados. Há ainda tanta coisa por criar ;) e a tecnologia vai ser sem dúvida a alavanca principal para a realização dessas ideias incríveis! Vamos a isso?

o futuro do retalho moderno

"compre diretamente a quem fabrica" é o claim que acompanha o packshot final do vídeo que faz parte da mais recente campanha da Dyson, atualmente em TV e digital


 

será  este o principio do fim do retalho moderno como o conhecemos (baby steps)? com a ajuda essencial da massificação do D2C através do e-Commerce?

ou apenas um claim aspiracional de marca líder (que curiosamente está à venda na  distribuição moderna) cuja intenção é reforçar o posicionamento de especialista?

comentários (construtivos) são bem vindos ;)

a t-shirt phygital da Carlings

a marca de roupa escandinava Carlings criou uma T-shirt que é – ao mesmo tempo – física e digital, o que a torna um dos melhores exemplos de um produto da nova "Era Phygital”


phygiquê?

phygital é um termo resultante da contração de Physical (físico em inglês) com Digital, que propõe a união de experiências de átomos e bits, analógica e digital. Compreende que os mundos real e o virtual estão cada vez mais próximos, que esses mundos colidiram e já não existem barreiras que os separem

fala-se inclusive de "phygital marketing" como uma estratégia para as marcas que procuram interagir com os consumidores neste novo território, onde as fronteiras entre físico e digital desapareceram, ou estão cada vez mais diluídas

o que nos traz de volta à Carlings

a marca escandinava Carlings, conhecida por criar a primeira colecção de vestuário digital de sempre, está a revolucionar uma vez mais a indústria da moda. Desta vez, é com "The Last Statement T-shirt", que a marca afirma ser o primeiro "tee" do mundo a integrar realidade aumentada

a marca tinha como objetivo conseguir colocar-se ao lado da geração "nativa digital" no protesto a favor da sustentabilidade, nomeadamente no esforço para reduzir o impacto ambiental do chamado “fast fashion”

para ajudar a resolver o conflito entre querer comprar mais roupa mas não quer contribuir mais para a crise climática, a t-shirt "The Last Statement" oferece aos utilizadores uma nova opção: permite mudar a mensagem na t-shirt sem a danificar ou ter de comprar uma nova - o "santo gral" para qualquer instragramar

as pessoas compram a T-shirt - que é branca à parte de um logotipo gráfico no topo - no website da Carlings por 39,90 euros. A T-shirt é então enviada directamente para o cliente; após a entrega do artigo, os clientes podem visitar a conta Instagram dedicada da Carlings, seleccionar o ícone de filtro e escolher entre uma variedade de desenhos; depois é só apontar a câmara para o logótipo gráfico da T-shirt. Isto irá sobrepor digitalmente o desenho seleccionado à T-shirt

todos os desenhos e animações incluem mensagens ambientalmente conscientes, tais como "Parem de negar que o nosso planeta está a morrer" e "Tenho a certeza que os dinossauros pensaram que também tinham tempo"

novas mensagens irão aparecer regularmente na conta Instagram da marca "para que todos os dias a t-shirt possa exibir um novo desenho de declaração animada para amplificar a tua mensagem", de acordo com o site da Carlings

depois de revelar a iniciativa no nosso evento anual da marca em Londres, a Carlings disponibilizou as T-shirts para compra no seu website sendo que 25% de cada compra será doada à instituição de caridade WaterAid


o projecto foi criado pela Virtue Nordic, a agência criativa da Vice Media com sede em Copenhaga
[One Shirt – 100’s of Designs] The Last Statement T-shirt takes a classic pillar of youth rebellion and reinvents it for the digital age. Through a custom version of Instagram/Facebook filters, you can digitally change its design. So every day, the shirt can display a new animated statement design to amplify your message. Without ever having to buy another t-shirt.  


façam por favor uma vénia à Carlings e à Virtue Noridic

primeiro, a ação da Carlings vai directa ao cerne do problema que as marcas enfrentam na procura de um equilíbrio entre o ganho comercial e o facto de ser mais sustentável. Cada vez mais pessoas reconhecem que precisamos de desperdiçar menos para proteger o nosso planeta, mas a pressão das marcas sobre as pessoas é para comprarem mais. Este é o enigma no centro da crise do consumo, e que me tem levado a pensar que teremos de evoluir, não para consumir menos ou consumir mais, mas para consumir melhor!

segundo, porque é só o melhor exemplo à data de uma iniciativa verdadeiramente Phygital para a geração nativa digital e eco consciente, mas de longe!

o que acharam?

não compre este carro. Subscreva-o!

em 2017 era anunciado que, pela primeira vez em meio século, a Volvo estava ausente no topo da lista dos carros mais vendidos na Suécia, destronada pela marca Volkswagen através do modelo Golf. O célebre compacto alemão tinha conquistado 5,9% do mercado de carros novos em 2016, à frente de três modelos da Volvo, o V70, o S90 e o V90 (que, reagrupados numa só categoria, representaram 5,7% das vendas)
“Há 54 anos que outra marca que não fosse Volvo liderava a classificação. A última vez, em 1962, também foi a Volkswagen que liderou as vendas, com o Fusca”, comemorou a Volkswagen Suécia em comunicado
e a Volvo poderia perfeitamente "ignorar" mais este alerta, cheia de si mesma, do seu sucesso e de como nada pode acontecer a quem é "grande" (como já tantas marcas o fizeram)... felizmente não!

no início de 2018, a Volvo não leva qualquer carro ao Salão de Los Angeles! "This is not a car" ou "Isto não é um carro" era a única coisa que aparecia com destaque no espaço da marca sueca. O objetivo? debater e redefinir o papel dos automóveis no futuro. Para a feira, reservou apenas o anúncio de parcerias nesse sentido com startups e empresas como Amazon e Google

a indústria está mudar.  Por isso, "em vez de apenas construir e vender carros, o que nós realmente disponibilizamos aos nossos clientes é a liberdade de agir de maneira pessoal, sustentável e segura", referiu Håkan Samuelsson, diretor executivo da Volvo Cars


e em finais de 2018, o golpe "direto de direita" na categoria: Não compre este carro. Subscreva-o. 

foi com esta mensagem que a Volvo começou a promover em Outubro o programa Care by Volvo na Alemanha. A marca quer colocar os carros que produz directamente na mão do cliente, que paga um valor mensal fixo (a “subscrição”) em vez de comprar o veículo. O pagamento mensal cobre uma série de despesas, num modelo de negócio em tudo semelhante ao que praticam empresas de outros sectores como o Netflix ou Spotify


nos anos 80 dávamos protagonismo às características e atributos tangíveis dos carros, como velocidade, cavalos, etc. (chamamos-lhes no marketing os benefícios funcionais)... Nas décadas seguintes, apostava-se nos valores da marca e de como estes se alinhavam com determinados estilos de vida (os benefícios emocionais). Até que chega 2018, com uma nova abordagem: "se gosta deste carro, não o compre. Subscreva-o" (a dar significado à utilização do carro, para além da forma como nos faz sentir)

um case merecedor de destaque na implmentação de uma estratégia customer centric! e não preciso de me alongar mais para se perceber porquê. Vale a pena guardar esta sequência de ações, resultados, consequências e (re)ações como um case de boas práticas de estratégia e marketing. Vamos aguardar pelos proximos movimentos e resultados. Farei updates ao post assim que se justificar

quem quiser aprofundar mais vale mesmo a pena ler com atenção a notícia do jornal Público "Não compre este carro" – a nova abordagem da indústria automóvel aqui. Até porque fala de outras marcas, outras iniciativas e se este não será um "renting revisitado". Para os mais interessados, fica a sugestão também da notícia  "Ser dono de um carro vai deixar de fazer sentido" aqui, também do jornal Público   

dos ecrãs tácteis às interacções sem toque

o Projeto Soli da Google está a desenvolver um novo sensor de interação humano/máquina, e a nossa presença é - literalmente - o único interface necessário
Meet Soli. Soli is a miniature radar that understands human motions at various scales: from your heartbeat to the movements of your body.

 
com tecnologia utilizada atualmente em radares, o sensor pode rastrear movimentos de sub-milímetros a alta velocidade e com enorme precisão. O sensor, que se encaixa num chip, pode ser incorporado em pequenos dispositivos ou objetos do quotidiano e produzido em larga escala

o vídeo do projecto:



para detalhes de como funciona, vale a pena visitar o site. O chip Soli pode (e deve) ser incorporado em portáteis, telefones, computadores, carros… you name it

não possui peças móveis e consome pouca energia. Também não é afetado por questões de luminosidade (que poderiam interferir na interacção) e funciona através da maioria dos materiais existentes. É claramente merecedor do hashtag #thenextbigthing

agora, é so Imaginar as (inúmeras) possibilidades...